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Casamento gay nos EUA

Suprema covardia na Suprema Corte

Comportamento de juízes dos EUA durante julgamento de ação que pode tornar o casamento gay um direito constitucional reflete um impulso covarde unânime

Suprema covardia na Suprema Corte
Maioria dos juízes da Suprema Corte dos EUA parece estar se perguntando: 'como é que vamos sair desta'? (Reprodução/AP)

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Esta semana a Suprema Corte dos EUA se debruça sobre a importante questão de se casais homossexuais têm o direito constitucional de se casar. Na terça-feira, 26, seis dos nove ministros que julgam o caso questionaram se a Suprema Corte é o foro correto para julgar o processo, decorrente de uma proibição na Califórnia ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. A postura dos ministros sugere que eles poderiam tentar impedir a realização do julgamento. Aparentemente, para esses ministros, as coisas estão acontecendo rápido demais.

Como poderiam nove ministros enclausurados por trás de pesadas cortinas de veludo, de pilares de mármore e costumes arcaicos possivelmente avaliar os potenciais efeitos do casamento gay? Eles não são médiuns, afinal.

“O casamento homossexual é algo muito novo”, disse o ministro Samuel Alito, acrescentando que “pode ​​vir a ser uma coisa boa; pode vir a não ser uma coisa boa”.  Mas se o padrão é que o casamento tem que ser sempre “uma coisa boa”, conseguiriam os heterossexuais passar no teste?

“Vocês querem que a gente interfira e profira uma decisão”, Alito continuou, “com base em uma avaliação dos efeitos dessa instituição [o casamento gay], que é mais recente do que os telefones celulares ou a Internet? Quero dizer, nós não temos a capacidade de ver o futuro”.

Acrescente o ministro Anthony Kennedy, que resmungou algo sobre “águas nunca antes navegadas”, e fica claro que os ministros pareciam estar à procura de uma boa desculpa para não tomar uma decisão radical. Suas perguntas refletem o seguinte impulso, covarde e unânime: como é que vamos sair desta?

A Suprema Corte dos EUA já foi bastante ousada ao impor decisões ruins ao país, como a unção de George W. Bush como presidente ou permitir que quantias ilimitadas de dinheiro fluam de forma encoberta para campanhas políticas. Mas dada a oportunidade de tomar uma decisão ousada, que os colocaria do lado certo da história, do lado mais popular, eles começam a se contorcer.

Na semana passada a Academia Americana de Pediatria anunciou seu apoio ao casamento homossexual, citando provas de que filhos de gays e lésbicas se saem melhor na escola e socialmente quando seus pais se casam. Pode ser que a Corte precise de um outro caso, ou até mesmo outros juízes para que legitime o casamento homossexual a nível nacional, mas o país mudou. Uma pesquisa de opinião recentre mostrou que 81% dos americanos com menos de 30 anos são a favor do casamento gay. Toda vez que piscamos, outro parlamentar manifesta publicamente seu apoio à questão.

Os juízes da Suprema Corte podem não conseguir ver o futuro, mas a maioria dos americanos consegue. Se este Tribunal não rejeitar a intolerância, a história vai rejeitar este Tribunal.

 

*Trecho da coluna de Maureen Dowd, do New York Times

 

Fontes:
The New York Times - Courting Cowardice

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