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Família Real

Um conto de fadas moderno

Noivado do príncipe William com a plebleia Kate Middleton mostra que histórias de amor envolvendo membros da realeza continuam mexendo com o imaginário popular. Por Fernanda Dias

Um conto de fadas moderno
O casamento do príncipe William com Kate Middleton ocorrerá em 2011

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Era uma vez uma bela jovem de cabelos castanhos, olhos claros, pele alva e corpo esbelto. Descendente de mineiros de carvão e neta de carpinteiro, ela se apaixonou por um príncipe. Os dois estudavam na mesma universidade e acabaram se tornando amigos. Para conquistá-lo, ela não contou com a ajuda de uma fada madrinha, mas sim de um vestido transparente, usado em um desfile beneficente. A história da plebeia Kate Middleton ganhou as primeiras páginas de grande parte dos jornais ocidentais nas últimas semanas após o anúncio de seu noivado com o príncipe William, o segundo na linha de sucessão ao trono britânico. O futuro enlace despertou tanto interesse que, horas depois do pronunciamento oficial, algumas lojas já anunciavam cópias do vestido e do anel usado por Kate na ocasião. A grande repercussão do casamento real mostra que o conto de fadas moderno continua mexendo, e muito, com o imaginário do povo.

O desejo inconsciente de viver uma história de amor onde tudo sempre termina bem, com o tradicional “e viveram felizes para sempre”, é um dos motivos que fazem com que a velha história da jovem pobre que se casa com um príncipe gere tanto fascínio, acredita a doutora Vera Chvatal, psicóloga do Laboratório de Pesquisa Clínico-Qualitativa da Unicamp e autora do artigo “Conto de fadas: histórias para crianças ou metáforas da vida humana?”. Kate está longe de ser uma garota com problemas financeiros, mas o fato de seus pais terem trabalhado para conseguir o que têm a aproxima do povo.

Embora desde pequenos os homens também ouvirem as fábulas envolvendo príncipes e princesas, o sonho de viver um conto de fadas é mais explícito nas mulheres. Para a psicopedagoga e terapeuta de família Sonia Porto Machado, autora do artigo “Sobre fantasia e os contos de fadas”, uma grande parte das mulheres acredita que há um príncipe encantado procurando por elas. E ele, além de encantado, tem que ser perfeito, ressalta a especialista:

“Por isso há uma grande dificuldade de aceitar o parceiro como ele é. Ele nunca vai corresponder ao príncipe do cavalo branco que procura por todo o reino a dona do sapatinho de cristal. Todas as mulheres têm dentro de si essa bagagem cultural que, volta e meia, insiste em dar sinal de vida”.

Casamentos entre celebridades, ou até mesmo entre amigos mais próximos, podem reacender essa chama que estava quase apagada no subconsciente. Segundo Vera, a excessiva repetição de notícias sobre o noivado de Kate e William pode motivar as pessoas a buscar melhorar a sua vida ou paralisá-las, na medida em que ela passa a viver no mundo da lua:

“Costumo dizer que o excesso de fantasia pode nos levar a viver fora da realidade. Já a falta dela pode tornar nossa vida insípida e desmotivada. O equilíbrio é a melhor solução nesse caso. O senso crítico é fundamental”.

A especialista lembra, ainda, que é comum se ouvir dizer a expressão “viver uma vida de princesa”, como se não houvesse nunca um final infeliz para a mulher que alcança essa condição:

“Na vida real existem problemas, crises e dores com as quais todos nós temos que lidar. Enxergar que um casamento real é sempre feliz é uma romantização fantasiosa, pois vida de princesa também pode ser bem triste, ou terminar mal, na realidade”.

Na própria monarquia britânica, a mãe de William, a princesa Diana, viu o marido deixar claro sua paixão pela ex-namorada, Camilla Parker-Bowles. Lady Di foi tratada com distância por toda a família real, que acreditava, até então, que o casamento deveria ter como finalidade apenas a perpetuação da nobreza no trono. Agora, a expectativa da mídia e do povo britânico é a de que Kate e William já estejam provocando uma mudança nessa visão dos membros da realeza. O amor entre os dois parece mesmo estar claro para grande parte dos britânicos. Até porque, diferentemente do que aconteceu com Diana, Kate teve um longo relacionamento, de idas e vindas, com William, o que indica que eles tiveram tempo suficiente para ver que realmente queriam estar juntos.

O excessivo interesse pela monarquia inglesa

Os contos de fadas, para Sonia, atraem tanto a atenção de crianças quanto a de adultos porque, assim como as histórias da mitologia grega, falam de nossas dúvidas, medos e desejos, que são questões universais.

“Por que alguns resistem e outros não? Porque os questionamentos também vão mudando conforme o tempo. E por fim, resistem porque esses contos ajudam as crianças a tentar assimilar valores e a formar conceitos. As crianças sempre preferem os clássicos porque eles têm uma moral clara, que é o que elas precisam naquele momento. Os outros livrinhos são importantes para o entretenimento”, defende Sonia.

O conto de fadas tem uma linguagem universal, na medida em que fala de situações que se repetem em diversas culturas, inseridas em diferentes contextos. Vera ressalta, entretanto, que a monarquia inglesa gera um interesse na população fora do comum:

“Acredito que essa superexposição da vida do príncipe William deve-se mais ao fato de ele ser filho da falecida princesa Diana, que soube criar um mito ao redor de si, devido à sua personalidade carismática. Outras monarquias, como as da Suécia, Noruega, Espanha e Holanda, nunca tiveram a mesma exposição midiática da monarquia inglesa. E nesses países também houve casamentos de príncipes com plebeias e vice-versa”.

Para Sonia, a Inglaterra, que como grande parte dos países europeus vive uma crise econômica, vai querer aproveitar esse glamour renovado por Kate: “Até para garantir a sobrevivência financeira que isso vai dar à família real. A questão é saber até quando Kate, uma mulher moderna e com estudo, vai querer cumprir esse papel”.

Caro leitor,

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1 Opinião

  1. adriano disse:

    É impressionante os gastos que a população inglesa tem mantendo a monarquia. Falaram que a família da noiva vai pagar a festa. Mas, por mais milionária que seja, o custo é muito alto. Deve acabar mesmo saindo do bolso do povo. O que tempos de crise, é uma ótima notícia. Sem festa de Natal, como anunciou a rainha, mas com casamento do neto querido!

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