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RÚSSIA

Um novo escândalo russo

Fundos arrecadados em concerto beneficente que contou com a presença de Vladmir Putin nunca chegaram a seu destino

Um novo escândalo russo
Primeiro-ministro da Rússia, Vladmir Putin

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Performances públicas desprovidas de modéstia não são novidade na vida do primeiro-ministro russo Vladmir Putin. Em sua luta para se apresentar como um líder nacional desde que deixou a presidência há mais de dois anos, ele foi fotografado cavalgando sem camisa, colocando um transmissor de satélite em um tigre (que estava sedado) e voando em aviões militares.

Mas o espetáculo do primeiro-ministro cantando em inglês foi um campeão no quesito constrangimento. Sua insossa versão de “Blueberry Hill”, cantando com um fortíssimo sotaque, em um concerto de gala em dezembro foi como a cena de algum filme cômico no qual um nervoso ex-oficial da KGB tenta projetar um lado mais suave, e fracassa retumbantemente.

Surpreendentemente, Putin não era a estrela do evento, que contava com a presença de atores famosos como Kevin Costner, Gerard Depardieu e Goldie Hawn, entre outros, que riram, aplaudiram e cantaram junto apoiando o o líder russo. Sharon Stone fez o sinal da vitória enquanto aplaudia efusivamente.

O concerto foi apresentado como um evento de caridade que arrecadava dinheiro para crianças enfermas. Mas acabou reforçando a imagem da Rússia como uma das principais cleptocracias mundiais. Nesse mês, depois que a mãe de uma das crianças fez uma investigação, surgiu a notícia de que os fundos arrecadados no concerto nunca chegaram aos hospitais, como havia sido prometido.

“Uma situação muito estranha surgiu”, escreveu a mãe em uma carta aberta. “Antes e depois do concerto dizia-se que os fundos seriam repassados e agora aparentemente ninguém fez promessa alguma”.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, afirmou que o primeiro-ministro era apenas um convidado no concerto, e não estava enolvido com a arrecadação. Ele evitou apontar quem era o responsável pelo repasse, mas assegurou que o governo está satisfeito com “o trabalho que está sendo realizado”. Em seguida, Peskov listou três hospitais de Moscou e São Petersburgo que, segundo ele, receberiam equipamento médico adquirido com o dinheiro arrecadado com o concerto.

Mas ainda não está claro quem está com o dinheiro e como ele chegará aos hospitais. Uma porta-voz da Federation Foundation (FF), a organização responsável pelo evento, afirmou que a FF estava envolvida apenas no planejamento do concerto e nada tinha a ver com os fundos arrecadados. Ao mesmo tempo, um ex-músico chamado Vladimir Kiselyov, apontado como o responsável por liderar o evento, alertou os repórteres, afirmando que eles deveriam cuidar de suas vidas e deviam “desistir de procurar por alguém”.

“Ninguém lhes dirá coisa alguma”, afirmou Kiselyov.

Fontes:
The Economist - "Where's the money? On Blueberry Hill?"

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2 Opiniões

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    Esse Putin se parece cada vez mais com um certo ex-presidente que eu conheço. Com a diferença que esse ex-presidente até agora não mostrou predicados para o canto, mas certamente sua assessoria não se furtará de fazê-lo, tendo em vista a evolução dos percalços mundiais e da necessidade de fazer novas amizades no cenário mundial, o que me permitir sugerir que ele ainda terá tempo de formar uma dupla sertaneja com Putin e se dedicar a nobre tarefa de arrecadar fundos para instituições de caridade, nunca esquecendo o próprio bolso, como impõe os requisitos dessa nossa indefectível maneira nova de fazer política.

  2. Jose Silva disse:

    Esses fatos nao chocam ninguem mais neste pais.
    Perto do que acontece por aqui isso parece um conto de fadas e duendes. Frutos do autoritarismo.

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