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Amigo, não comida

Uma vez banidos, cachorros simbolizam prosperidade chinesa

Antes proibidos nas cidades (ou servidos no jantar), cachorros são cada vez mais mimados por chineses, que agora têm o luxo de se preocupar com algo além de sua própria sobrevivência

Uma vez banidos, cachorros simbolizam prosperidade chinesa
Mulher cuida de akitas em Pequim. Indústria de cães de estimação cresce (Foto: New York Times)

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O aumento do número de cachorros – que antes tinham mais chances de terminar em pratos do que em fotos de família na China– tem sido visto como um símbolo da prosperidade econômica do país.  Os cães estão sendo cada vez mais mimados pelos chineses, que consolidam a transição de camponeses empobrecidos a cidadãos de primeiro mundo.

“As pessoas costumavam  focar-se na melhora de suas próprias vidas, e não estavam realmente familiarizadas com a criação de cachorros”, declarou Qiu Hong, proprietária de cachorros, ao jornal New York Times. “Mas com a melhora da economia, a visão das pessoas mudou. Ter um cachorro hoje é uma maneira de aliviar o estresse”.

Há 20 anos, mal havia cachorros em Pequim, e os poucos que sobravam tinham altas chances de terminar na mesa de jantar. Hoje em dia, contudo, já são 900 mil cachorros registrados,  um número que cresce 10% ao ano. Apesar de ainda ser possível encontrar pratos feitos de carne canina, é bem mais fácil achar pet shops, redes sociais de cachorros e até mesmo cinemas e bares para cães e seus donos.

Essa mudança simboliza a história da China moderna. Apesar de, séculos atrás, os cachorros terem sido animais de estimação da elite,  tudo mudou na era comunista. Tanto o dogma ideológico quanto a necessidade levaram a população a acreditar que os animais não passavam de um luxo burguês. O pensamento atingiu seu auge em 1983, quando o governo chinês decretou que cachorros, assim como porcos e patos, fossem banidos das cidades.

O renascimento econômico chinês, contudo, mudou tudo – ao menos nas cidades prósperas. Além do crescimento econômico, alguns acreditam que a política de filhos únicos aumentou a vontade de criar cachorros, que serviriam como companhia para as crianças ou para preencher o vazio em lares onde os filhos cresceram e se mudaram.

Em adição a isso, alguns dizem que os cachorros se tornaram símbolos de status e estilo, enquanto outros veem exemplares de raças premiadas como verdadeiros troféus, pagando quantias exorbitantes por cachorros laureados.

Contudo, o que se destaca mais ainda é o carinho que o mundo oriental parece estar desenvolvendo por seus cães de estimação – que ganharam até spas de luxo como o “Pet Spa”, em Pequim, que inclui de piscinas a cemitérios e capelas para cachorros.

Essa nova visão parece ter sensibilizado até o governo que, em 1994, afrouxou a política de banimento de cachorros para permitir “espécimes restritos” e, em 2003, deixou todos comprarem cachorros de menos de 35 centímetros de altura.

Mas alguns donos violam a regra da altura. Eles acham a norma arbitrária e injusta e passeam com cães de grande porte de madrugada. Há uma proposta para amenizar ainda mais as restrições, assim como uma proposta formal para proibir que se comam cachorros – que parece bem próxima de ser finalmente aprovada. Shang Jiwen é o criador da ideia.  Ele afirma que seu amor por cachorros é igual ao amor que tem pela China.

“Outros países desenvolvidos têm leis de proteção a animais”, disse, em entrevista ao New York Times. “Com a China se desenvolvendo tão rápido, e um número crescente de pessoas criando cachorros, mais cidadãos deveriam saber como tratar animais propriamente.”

Fontes:
nytimes.com - Once Banned, Dogs Reflect China’s Rise

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2 Opiniões

  1. helio (rio de janeiro) disse:

    Aqui em casa os cachorros consomem e prejudicam a prosperidade familiar. Apesar disso são muito queridos. Observo entretanto que muitos vizinhos optam por cachorros mais para garantir sua segurança que por amor.

  2. Mauro Moreira disse:

    Tenho um cachorro e gosto muito dele. Minha mãe o comprou porque eu reclamava muito dos gatos dos visinhos. No que tange a animais de estimção, não gosto de gatos porque não é possível restringir-lhes o seu habitat à esfera da sua própria propriedade privada. Se eu tivesse o poder de construir uma sociedade ideal, baniria a criação de gatos nesses exatos moldes.

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