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A nicotina é de todo ruim?

Cientistas não duvidam que a nicotina seja viciante, mas alguns questionam se uma dose diária pode ser tão benigna quanto a cafeína, que muitas pessoas tomam de manhã

A nicotina é de todo ruim?
As campanhas de saúde pública de 1970 e 1980 juntavam a nicotina, o vício e os cigarros para martelar os danos causados pelos fumantes (Foto: Pixabay)

Muitas pessoas acreditam que chiclete de nicotina faz menos mal do que fumar. Médicos ao redor do mundo concordam. Mesmo assim, a possibilidade de uma pessoa ser viciada em nicotina, mas não ser capaz de morrer disso é um debate crescente na comunidade científica. Cientistas não duvidam que a nicotina seja viciante, mas alguns questionam se uma dose diária pode ser tão benigna quanto a cafeína, que muitas pessoas tomam de manhã.

Este debate tem sido agravado pela crescente popularidade dos cigarros eletrônicos, aparelhos livres de tabaco que ajudam algumas pessoas a parar de fumar a partir da inalação do vapor da nicotina. A ideia da nicotina como algo relativamente benigno vai contra a imagem de droga que foi construída ao longo das décadas, quando fumar passou a se tornar uma ameaça indiscutível para a saúde.

Psicólogos e especialistas na dependência de tabaco, incluindo alguns laboratórios considerados líderes mundiais na Grã-Bretanha, acham que agora é a hora de distinguir claramente a nicotina do fumo. Eles dizem que as evidências revelam que o fumo mata, mas a nicotina, não.

“Nós devemos parar de demonizar a nicotina”, disse Ann McNeill, professora de dependência do tabaco no Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College, em Londres. Ela passou sua carreira pesquisando formas de como ajudar as pessoas a parar de fumar.

Alguns estudos mostram que a nicotina, como a cafeína, pode até ter efeitos positivos. Como ela é estimulante, ela aumenta a frequência cardíaca e a velocidade de processamento da informação sensorial, o que alivia a tensão, além de melhorar a capacidade mental.

Tudo isto levanta outras questões: a nicotina poderia preparar o cérebro de jovens para estudar coisas mais difíceis? Poderia estimular propriedades de pessoas mais velhas, cujos cérebros estão mais lentos, prevenindo o Alzheimer e retardando a progressão da doença de Parkinson? Até agora, as respostas ainda não são claras.

Marcus Munafo, um psicólogo da Bristol University na Grã-Bretanha, diz que as campanhas de saúde pública de 1970 e 1980 juntavam a nicotina, o vício e os cigarros para martelar os danos causados pelos fumantes. No entanto, estas associações podem desfocar o potencial da nicotina de fazer com que fumantes  larguem os cigarros.

Munafo está questionando a noção de que a dependência da nicotina é, em si, ruim. Em um “laboratório de fumar” no departamento de Munafo, as pessoas que ainda estão viciadas em cigarros fumam em condições controladas. No momento, os pesquisadores estão estudando as diferenças genéticas no quão profundamente as pessoas inalam, como parte de um projeto que analisa as necessidades e as respostas das pessoas à nicotina.

Fontes:
Reuters-Is nicotine all bad?

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