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A volta do El Niño

O retorno do fenômeno climático mais poderoso do mundo merece uma atenção redobrada

A volta do El Niño
El Niño é uma alteração na distribuição da temperatura da superfície da água do oceano Pacífico, com profundos efeitos no clima global (Foto: Wikimedia)

É um longo caminho desde a região ocidental do oceano Pacífico às ruas inundadas de Buenos Aires onde, este mês, pessoas caridosas da cidade circulando em caiaques distribuíram comidas e velas à população, depois dos temporais não previstos para essa época do ano. Mas existe um fenômeno climático no meio desse caminho. Seu nome é El Niño.

El Niño é uma alteração na distribuição da temperatura da superfície da água do oceano Pacífico, com profundos efeitos no clima global. O fenômeno El Niño acontece quando a água quente que se acumulou no Pacífico ocidental flui em excesso para a região leste devido à diminuição da força dos ventos alísios. (A faixa equatorial longa e escura do mapa acima, que mostra as temperaturas da superfície do mar no período de 10 a 16 de agosto, indica esse fenômeno de acumulação de água mais quente do que o normal.) Os ventos alísios, com sua diminuição ou reversão, fazem parte de um ciclo denominado El Niño – Oscilação Sul-El (ENOS).

As consequências desse fenômeno de alteração climática resultam em chuvas torrenciais no sudeste da América do Sul, na região ocidental da América do Norte e no leste da África, e em secas na Austrália, Índia e Indonésia. Outra consequência do El Niño, que ocorre perto do Natal, é o súbito desaparecimento da pesca da anchoveta no Pacífico, um meio de subsistência básico dos pescadores peruanos. O nome do El Niño (niño Jesus em espanhol, ou menino Jesus) foi atribuído por esses pescadores ao fenômeno climático visto pela primeira vez próximo ao Natal.

Os pesquisadores da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) dos Estados Unidos observaram mudanças preocupantes causadas pelo ciclo ENOS, tanto na temperatura da superfície do mar quanto na pressão atmosférica no início deste ano. Segundo suas pesquisas, a previsão da ocorrência de um novo El Niño seria em março, mas na opinião do Bureau of Meteorology da Austrália o fenômeno só aconteceria em maio. Porém em julho a temperatura do Pacífico equatorial foi quase 1°C mais elevada do que o esperado, enquanto a do Pacífico oriental elevou-se a mais de 2°C do que o previsto. Entre outros efeitos climáticos, a passagem do El Niño aumenta a temperatura dessas áreas bem acima de 26,5°C, o que provoca a formação de tempestades tropicais. E em 12 de julho seis ciclones devastaram a região do Pacífico, um número superior ao de qualquer outro dia em mais de 40 anos.

Fontes:
Economist-Bringing up baby

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