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Estudo

Brincadeiras caninas refletem senso de moralidade e justiça

Especialista em comportamento animal, Marc Bekoff diz que brincadeiras demonstram que cães têm qualidades que acreditávamos ser unicamente humanas

Brincadeiras caninas refletem senso de moralidade e justiça
Cachorros não apenas são inteligentes, mas emocionalmente complexos (Reprodução/Pets Welcome)

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Dois cachorros se encontram em um parque, um Terrier e um Labrador. De repente, o Terrier adota uma postura semelhante a uma posição de Yoga, agachando-se sobre as patas dianteiras e levantando a parte traseira do corpo. O Labrador dá um latido e logo os dois estão correndo, rolando um sobre o outro e dando mordidas suaves.

A posição adotada pelo Terrier é conhecida como “Convite para a Brincadeira”. Com ela, um cachorro demonstra a outro que quer brincar e pede desculpas antecipas pelas mordidas suaves. Com apenas uma posição ele diz “Eu vou dar mordidas, mas estou só brincando”. Mas se um cachorro exagerar nas mordidas ou brincar de forma violenta, o outro passa a ignorá-lo e termina a brincadeira.

Para o etólogo Marc Bekoff, que há anos estuda o comportamento animal e escreveu os livros A Vida Emocional dos Animais e Manifesto dos Animais, isso sugere que os animais têm um código moral, conceito que era tido como restrito aos humanos.

Durante seus estudos, Bekoff gravou vários vídeos de cachorros brincando. Em câmera lenta, ele analisou cada mordida, latido e lambida.

Emoções tão complexas quanto as dos humanos

Entre outras coisas, Bekoff descobriu que os cachorros trocam de papel durante a brincadeira e têm senso de justiça. Por exemplo, quando um cachorro grande brinca com um menor, ele propositalmente dá vantagens para o outro na hora de pular e correr.

O etólogo também descobriu um olhar meio cruzado que indica “Você está brincando de forma muito bruta” e um jeito especial de balançar o rabo que indica “Pode se aproximar, aceito ser abordado”. Quando um cachorro pula as costas de outro no meio de uma corrida em um local aberto ele está convidando outros cachorros a participar da brincadeira.

Outros estudos revelaram que os cachorros bocejam quando veem um humano bocejar e tentam confortar pessoas que estão chorando, um sinal de empatia raramente documentado no reino animal.

Outro fato interessante é que alguns cachorros tendem a ser pessimistas. São esses que costumam latir ansiosamente e estragar os móveis quando ficam sozinhos em casa, pois acreditam que seu dono nunca mais vai voltar.

Para Berkoff, tudo isso mostra que os cachorros não apenas são inteligentes, mas emocionalmente complexos. “Por isso nós temos uma relação tão profunda com eles. Estudar os cachorros é como estudar a si mesmo”, diz o etólogo.

Fontes:
The Washington Post-In dogs’ play, researchers see honesty and deceit, perhaps something like morality

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