Início » Vida » Ciência » Chave para enigma da paleontologia pode estar no Brasil
Extinções em massa

Chave para enigma da paleontologia pode estar no Brasil

A maior extinção da história provavelmente foi causada por uma rocha espacial que atingiu o Mato Grosso

Chave para enigma da paleontologia pode estar no Brasil
Cientistas corrigiram a datação de um buraco que se estende pela fronteira dos estados de Mato Groso e Goiás (Reprodução/Economist)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Acumulam-se evidências de que a maior extinção em massa da história, ocorrida há 252,3 milhões de anos, ao fim do período Permiano, foi provocada por um impacto similar ao gerado por um meteoro que extinguiu os dinossauros há 66 milhões de anos. Não obstante, embora a causa tenha sido a mesma, os detalhes são significantemente diferentes, de acordo com Eric Tohver da Universidade do Oeste Australiano.

No ano passado o dr. Tohver e seus colegas acharam que tinham encontrado a cratera que indicava a localização do impacto que causou a extinção Permiana. Eles corrigiram a datação de um buraco que se estende pela fronteira dos estados de Mato Groso e Goiás, chamada de cratera Araguainha, para 254,7 milhões de anos, com uma margem de erro de mais ou menos 2,5 milhões de anos. Estimativas anteriores sugeriam que Araguainha tinha 10 milhões de anos a menos, mas o dr. Tohver a aproximou da data da extinção, a qual apresenta uma margem de erro de mais ou menos 200.000 anos.

Tudo estaria nos conformes, salvo pelo fato de que a maioria das pessoas acha que Araguainha é pequena demais para ser a culpada. Ela tem meros 40 km de extensão. A cratera Chicxulub, no México, responsável pela extinção dos dinossauros, tem 180 km de diâmetro. O dr. Tohver, no entanto, tem uma resposta para essa crítica. O seu último estudo, publicado no periódico Paleogeography, Paleoclimatology, Paleoecology descreve as rochas da área em que se localiza Araguainha.

Ele e sua equipe descobriram que uma quantidade considerável dessas rochas é xisto betuminoso. Quaisquer hidrocarbonetos na cratera certamente teriam evaporado. E, o que é ainda mais intrigante, os pesquisadores calculam que o impacto teria gerado milhares de terremotos de magnitudes que alcançavam 9,9 (significantemente mais potentes que os terremotos registrados por sismólogos  contemporâneos) em uma área de centenas de quilômetros.

O resultado, acredita o dr. Tohver, teria sido um enorme lançamento de metano na atmosfera. Uma vez que o metano é um poderoso gás do efeito estufa, tal descarga teria resultado em um aquecimento global instantâneo, o que tornou as coisas quentes demais para boa parte da vida animal do planeta. Voilà! Eis a mais nova explicação da extinção em massa.

Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia

Tradução: Eduardo Sá

Fontes:
The Economist-Small but deadly

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *