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MITOS

Ciência desmente 12 mitos populares

Crenças populares acabam se tornando verdade para uma parcela significativa da população

Ciência desmente 12 mitos populares
Essas falsas crenças sobre nutrição e hábitos de vida surgem de lendas ou má interpretações (Foto: Pixabay)

Em rápidas pesquisas pela internet podemos encontrar diferentes “dicas” de como se alimentar melhor. Por vezes, essas ajudas acabam se contradizendo. Essas falsas crenças sobre nutrição, hábitos de vida e saúde surgem de lendas ou má interpretações, ignorando os avanços científicos. Por isso, separamos 12 mitos que já foram desmentidos pela medicina.

1 – Usar micro-ondas dá câncer

O micro-ondas não tem a capacidade de causar câncer nas pessoas, assim como celulares e computadores também não. Além disso, o aparelho também não destrói os nutrientes dos alimentos, sendo ainda um método melhor do que outros métodos de cozimento.

“A comida em um forno de micro-ondas esquenta graças à agitação que as ondas produzem nas moléculas de água presentes em maior ou menor medida nos alimentos. Não se trata de radiação ionizante, por isso não tem um efeito capaz de provocar mutações no DNA celular”, explicou o médico Manuel Castro, especialista em medicina preventiva e saúde pública do Complexo Hospitalar Universitário de La Coruña, que fica na Espanha.

2 – A água oxigenada é boa para as feridas

A coceira gerada pela água oxigenada quando é jogada em cima de uma ferida aberta é um sinal de que o produto danifica as células da pele. Dessa forma, o Centro de Controle de Enfermidades dos Estados Unidos não aconselha a molhar a pele e membranas mucosas com água oxigenada.

“A água oxigenada, na verdade, é menos eficaz que outros antissépticos e pode ser agressiva para a pele. Embora ela seja interessante em alguns casos, atualmente o antisséptico preferido para ter em casa é a clorexidina”, afirmou a doutora em farmácia e nutricionista Marian García.

3 – A gravidez dura nove meses

Apesar da generalização na utilização da cifra de nove meses, a expressão está incorreta, pois, segundo a medicina, a gravidez costuma durar entre 37 e 40 semanas, o que poderia corresponder a “nove meses e uma semana”, conforme explicou o médico Manuel Castro, especialista em medicina preventiva e saúde pública do Complexo Hospitalar Universitário de La Coruña.

“Nem todas as semanas são realmente de gravidez, porque se começa a contar antes que ocorra a fecundação. A data de início é o primeiro dia da última menstruação da mãe. E − muito provavelmente − a concepção terá ocorrido entre duas e três semanas depois atrás dessa data, e isso sem considerar a regularidade dos ciclos de cada grávida”, apontou.

4 – Muito sal não é saudável

Estudos da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, mostram que uma dieta com pouco sódio não é tão benéfica para a saúde e nem auxilia na diminuição da pressão arterial.  “A chave está na ingestão de sódio, potássio e magnésio”, afirmou a dietista-nutricionista Elisa Escorihuela.

Segundo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é que seja consumido menos de cinco gramas de sal por dia. Porém, Elisa Escorihuela também explica que não é o sal do saleiro o maior malfeitor. “Se achamos que devemos reduzir o consumo de sal de nossos saleiros, estamos enganados, o excesso que consumimos está nos alimentos pré-cozidos, aperitivos industrializados e molhos que compramos. O aconselhável é reduzir a zero os alimentos prontos e embalados”.

5 – Se você está acima do peso, não tem uma vida saudável

O sobrepeso é o oposto de se ter uma vida saudável. Porém, parte da população se exercita diariamente e mantém uma alimentação regular e, mesmo assim, precisa lidar com o excesso de peso. Segundo o dietista-nutricionista Àlex Pérez, do Centro de Atenção Primária de Vallcarca-Sant Gervasi, em Barcelona, diferentes motivos podem causar esse leve sobrepeso, desde um desajuste hormonal até a genética.

“Por isso também não podemos parar de pensar no fato de que realmente existe uma relação entre nosso peso e nosso estado de saúde. É preciso manter um peso adequado, comer de forma saudável e seguir um estilo de vida saudável”, apontou Elisa Escorihuela.

6 – Temos cinco sentidos

Os cinco sentidos clássicos – visão, audição, tato, olfato e paladar – já não são mais o suficiente para explicar a capacidade do seu humano de entender e perceber sobre o ambiente no qual está inserido. De acordo com o médico Manuel Castro, muitos outros sentidos podem ser adicionados a essa lista.

“Hoje são acrescentados alguns outros. Entre os mais claramente estabelecidos estão a termocepção ou termorrecepção (que é a sensação de calor ou sua ausência), o sentido do equilíbrio (que permite mover-se, acelerar ou frear sem perder nossa orgulhosa bipedestação), a propiocepção (por exemplo, saber onde está situada neste momento sua mão esquerda sem olhar para ela), a nocicepção ou sentido da dor. O próprio conceito de sentido é difuso. Se o entendemos como um sistema para receber informação sobre nosso próprio corpo e o mundo, poderíamos acrescentar o sentido do tempo, uma espécie de cronorrecepção, para não falar de sensações tão familiares como a fome ou a sede”.

7 – Fazer exames periódicos é bom para a saúde

Controlar a saúde através de exames médicos periódicos é bom, mas não há evidência científica que prove que o seu organismo vá se comportar melhor dessa forma, conforme explicou o médico de família Salvador Casado.

“Muita gente desconhece que cada exame diagnóstico tem efeitos colaterais ou indesejados, como ocorre com os remédios. Os exames são úteis quando solicitados por um médico que suspeite da existência de uma doença, mas quando são pedidos sem essa justificativa, são muito frequentes os falsos positivos ou falsos negativos que depois podem desembocar em condutas médicas que prejudicam a pessoa”, afirmou.

8 – O mel é um açúcar natural e melhor que o açúcar processado

Segundo Àlex Pérez, o “açúcar sempre é açúcar”, com o corpo não tendo a capacidade de distinguir a procedência da molécula. Por isso, é incorreto afirmar que o açúcar natural é menos agressivo do que o açúcar processado. “O abuso do mel pode ser tão prejudicial para nossa saúde quanto o do açúcar refinado”.

“O açúcar branco que se põe no café contém 100% de sacarose, enquanto o mel é uma mistura de frutose, glicose, sacarose e 18% de água, juntamente com uma pequena quantidade de vitaminas e minerais”. Segundo a OMS, os açúcares livres, que são aqueles presentes de forma natural, são alguns dos principais fatores que estão causando o aumento da obesidade e diabetes no mundo.

9 – Só ocorre a concussão cerebral quando há golpe

Quando recebemos um golpe na cabeça, o encéfalo pode se chocar com o crânio, o que causa a concussão. No entanto, caso façamos algum movimento muito brusco, o mesmo fenômeno pode ocorrer, pois a separação entre o encéfalo e o crânio é feita apenas por meninges e pelo líquido cefalorraquidiano.

“É uma alteração do estado mental após um trauma, que pode ocorrer devido a golpes diretos ou movimentos rápidos da cabeça ou de aceleração/desaceleração. Nesses casos, a proteção do liquido cefalorraquidiano não é suficiente e o cérebro bate contra o crânio, levando à concussão e a outras complicações sem que necessariamente tenha havido um golpe direto. Isto é particularmente importante em pessoas mais velhas, nas quais a relação continente-conteúdo (crânio-encéfalo) é maior por causa da a atrofia cerebral que aparece com a idade”, explicou o neurologista Azuquahe Pérez, do Hospital Geral de La Palma.

10 – Azeite é saudável e, por isso, não faz mal exagerar

Mesmo sendo composto principalmente de 99% de gordura, mesmo com ácidos graxos monoinsaturados que são saudáveis para o coração, não se pode afirmar que o azeite, em exagero, não faça mal.

“Não se pode dizer que ajuda a baixar de peso, porque essa ideia fica gravada na cabeça do consumidor e ele tende a abusar. Na verdade, ocorre justamente o contrário. Começa-se a notar um aumento de peso ao consumir de forma excessiva essa gordura, por mais saudável que seja”, afirmou a nutricionista Luisa Solano.

11 – Usamos apenas 10% do nosso cérebro

Um mito já desmentido em diferentes oportunidades, mas que sempre consegue ressurgir, se tornando verdade para algumas pessoas. Segundo o doutor Castro, usamos todo o nosso cérebro a maior parte do tempo, com uma porcentagem tão baixa só sendo registrada quando estamos em repouso completo.

“Se nos dizem que só usamos 10% de nosso cérebro em uma palestra motivacional, estão nos enganando. E se nos dizem isso em nosso ambiente de trabalho e se trata de um superior, provavelmente querem nos explorar”, destacou.

12 – Devemos dormir oito horas por dia

Na realidade, cada pessoa dorme horas diferentes sem que isso cause qualquer tipo de problemas. Além disso, as características do sono mudam com a idade. Porém, a ciência mostra que nos dias úteis acabamos dormindo menos do que deveríamos, enquanto dormimos um pouco mais nos dias de folga.

“Diversos estudos demonstraram que o tempo total do sono, sua eficiência e o sono profundo diminuem com o envelhecimento, enquanto o número de despertares noturnos e o tempo que se passa acordado durante a noite aumentam. Essas mudanças estão associadas a mudanças nos processos circadianos e homeostáticos que regulam o sono e também a mudanças fisiológicas e psicossociais próprias da idade”, explicou Azuquahe Pérez.

Fontes:
El País - Comer sem sal e outros 18 mitos derrubados pela medicina

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3 Opiniões

  1. Jeffwerson Tavares disse:

    Alguns plausíveis, outros nem tanto, maioria estudos e teorias, outros necessitam de maior explicação e definição, por exemplo, azeite extra virgem em vidro escuro é bom, excesso pode fazer mal, é claro, ninguém vai ficar tomando azeite diariamente, sal faz mal sim, em excesso é muito pior, alta concentração de sódio e muito pouco iodo.

  2. Natanael Ferraz disse:

    Adoro estudiosos e seus estudos.
    Mas comentar 12 é demais. Vou comentar apenas o 6 – Temos cinco sentidos:
    Na verdade todos os sentidos são evolução do tato, então, na verdade, temos apenas um sentido que evoluiu. inclusive a cronorecepção, que é a lembrança de tateadas passadas em confronto com a expectativa de tateadas futuras.

  3. Rogerio Faria disse:

    Outro mito:
    Ir para a Igreja é bom para a saúde.
    Depende, se for para a saúde financeira acredito que não. Os boletos de pagamento (dízimos), contribuem para o empobrecimento das família e enriquecimento dos pastores…

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