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Física moderna

Cientistas afirmam ter observado partículas viajarem mais rápido do que a luz

Descoberta põe xeque a Teoria da Relatividade de Einstein

Cientistas afirmam ter observado partículas viajarem mais rápido do que a luz
Opera: o detector de partículas responsável por detectar os neutrinos (Reprodução/ Internet)

Segundo a Teoria da Relatividade de Albert Einstein, nada pode viajar mais rápido do que a luz. No entanto, uma descoberta recente pode colocar em dúvida a afirmação do cientista alemão. Cientistas europeus disseram, nessa quinta-feira, 22, terem visto neutrinos, um tipo de partícula subatômica quase sem massa e pouco interativa, ultrapassarem a velocidade da luz. Se verdadeira, a descoberta pode provocar mudanças em grande parte da física moderna.

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A descoberta foi possível através do uso de um detector de partículas de 1,8 mil tonelada chamado Opera, que está instalado no laboratório subterrâneo italiano de Gran Sasso. O equipamento detecta neutrinos lançados pelas experiências no Grande Colisor de Hádrons (LHC), o acelerador de partículas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), a cerca de 730 quilômetros de distância.

A cronometragem da viagem de aproximadamente 16 mil neutrinos entre o Cern e o detector italiano, feita nos últimos três anos, apontou uma velocidade média 60 nanosegundos (um nanosegundo equivale a um bilionésimo de segundo) mais rápida do que a velocidade da luz. “É uma simples medição de tempo de voo. Nós medimos a distância e o tempo e tiramos a razão entre os dois para chegar à velocidade, como todos aprendemos na escola”, explica Antonio Ereditato, físico da Universidade de Berna e porta-voz do Opera, que conta com a colaboração de 160 cientistas.

A margem de erro das medições é de apenas dez nanosegundos, mas é suficiente para provocar polêmica na comunidade científica, já que viola o limite estabelecido na teoria de Einstein. Muitos cientistas creem que o experimento dos pesquisadores do Opera esteja errado, Eriditato é um dos que está cauteloso em afirmar que Einstein estava enganado. “Suspeito que a maior parte da comunidade científica não vai tomar esses resultados como definitivos a não ser que eles sejam reproduzidos por pelo menos um e preferencialmente muitos experimentos”, disse V. Alan Kostelecky, físico teórico da Universidade de Indiana, ao site da revista “Science”. Ele completou, porém, que ficaria “encantado se isso se mostrasse verdade”.

Para Chang Kee Jung, físico de neutrinos da Universidade de Stony Brook, em Nova York, os resultados são decorrentes de um erro sistêmico da experiência. “Não apostaria minha esposa e filhos porque eles ficariam irados, mas apostaria minha casa”, disse ele ao site da “Science”.

Jung é porta-voz de um experimento similar ao Opera no Japão batizado T2K e explica que o X da questão é conseguir medir com acuidade o tempo entre o surgimento dos neutrinos nas colisões de prótons no Cern e a hora em que eles chegam ao detector. Isso porque a medição se baseia no Sistema de Posicionamento Global (GPS), que já apresenta por si só, incertezas da ordem de dezenas de nanosegundos. “Ficaria muito interessado em saber como eles chegaram à incerteza de dez nanosegundos, pois pela sistemática do GPS e da eletrônica isso seria um número muito difícil para se chegar”, disse contestando os colegas europeus.

Fontes:
O Globo - Cientistas afirmam ter flagrado partículas subatômicas viajando mais rápido que a luz

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