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ARGENTINA

Cobras tiveram pernas por milhões de anos

Fósseis de cobras recém-descobertos na Argentina ajudam pesquisadores a estudar o processo evolutivo que levou esses animais a perderem os membros

Cobras tiveram pernas por milhões de anos
Fósseis foram descobertos em 2013 (Foto: Divulgação)

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As cobras, com seus corpos esguios e a extraordinária diversidade de espécies exercem um fascínio especial nos homens. Mas seu processo evolutivo ao longo de milhares de anos envolve muitos mistérios, em razão da existência de poucos fósseis desses animais que compartilhavam a Terra com os dinossauros.

Por isso, a descoberta recente de fósseis de serpentes na região de La Buitrera, na Patagônia, Argentina, descrita em um artigo publicado na revista científica Science Advances, entusiasmou cientistas e estudiosos desse tipo de réptil. Os fósseis, em sua maioria de crânios, com cerca de 100 milhões de anos, pertencem à espécie extinta de cobras Najash rionegrina, que ainda conservavam as patas traseiras. Cientistas esperam que o estudo dos fósseis permita solucionar o mistério da evolução desses animais até sua forma atual.

Em 2013, quando era um estudante de graduação, Fernando Garberoglio, o pesquisador que liderou o trabalho de escavação dos fósseis, descobriu em um sítio explorado por palentologistas, o crânio de uma serpente dessa espécie extinta, classificado com o nome de MPCA 500.

 “Esse crânio, bem preservado e único no mundo, tem sido objeto de estudo da anatomia das serpentes do período Mesozoico”, disse Garberoglio, hoje doutorando na Fundación Azara da Universidade Maimónides, em Buenos Aires.

Com a técnica da tomografia microcomputadorizada, Garberoglio e seus colegas examinaram os detalhes anatômicos dos fósseis para aprofundar o conhecimento sobre o processo evolutivo da perda dos membros. Estudos anteriores sugeriram que as cobras perderam as patas anteriores no início da evolução da espécie, mas conservaram as posteriores por milhões de anos até metade do período Cretáceo, compreendido entre 136 a 65 milhões de anos. 

“É provável que as cobras tenham sido a primeira espécie de répteis a perderem os membros, porém a formação óssea do crânio e da face dos ancestrais mais antigos era bem diferente da atual. As espécies atuais não têm o osso zigomático situado logo abaixo da cavidade orbital, ao contrário do fóssil MPCA 500”, disse Michael Caldwell, paleontologista da Universidade de Alberta, no Canadá, e coautor do artigo.

Ainda há muito a descobrir sobre esses amimais que remontam à pré-história, mas os fósseis encontrados na Argentina abriram um novo caminho de pesquisa.

Fontes:
The New York Times-When Snakes Had Use for a Pair of Legs

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