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Como o bilinguismo age no cérebro

A maioria dos pesquisadores dessa área têm uma hipótese em comum: ser bilíngue é um constante exercício mental

Como o bilinguismo age no cérebro
Com duas línguas na cabeça, quase tudo pode ser chamado por dois nomes (Reprodução/Corbis)

Por anos, cientistas que estudam bilinguismo vêm fazendo descobertas surpreendentes sobre como a fluência em dois idiomas afeta o cérebro. Duas das mais memoráveis envolvem “controle executivo” e menor índice de demência antes de determinada idade. Com o primeiro, indivíduos bilíngues mostraram maior capacidade de se concentrar em tarefas mentais desafiadoras e ignorar distrações. Em outros estudos, foi estimado que indivíduos bilíngues desenvolvem demência, em média, cerca de cinco anos depois de suas contrapartes monolíngues.

A última semana veio com novas evidências sobre o assunto: um grupo de pesquisadores liderado por Roberto Filippi da Universidade de Anglia Ruskin descobriu que jovens estudantes bilíngues tiveram mais sucesso ao responder perguntas difíceis com vozes altas no fundo do que o grupo de controle monolíngue. Foi um estudo pequeno (só 40 alunos, com 20 em cada grupo), tornado mais sólido pelo fato de os estudantes bilíngues estudados falarem uma grande diversidade de línguas, incluindo italiano, espanhol, bengali, polonês e russo, além do inglês. Os pesquisadores tentaram distraí-los com gravações em inglês (falado por todos os estudantes) e grego (que nenhum deles falava). Todos tiveram resultados marcadamente melhores ao tentar ignorar a gravação em grego – com a gravação em inglês, eles se saíram apenas um pouco melhor do que os estudantes monolíngues.

A maioria dos pesquisadores dessa área têm uma hipótese em comum: ser bilíngue é um constante exercício mental de inibição. Com duas línguas na cabeça, quase tudo pode ser chamado por dois nomes (palavras) e ser expressado em duas formas diferentes (gramática). Sempre que se chama algo por um nome, a sua alternativa teve que ser ocultada. Sempre que se constrói uma frase, outra estrutura teve que ser reprimida. Bloquear informações desnecessárias é exatamente o que, as evidências indicam, indivíduos bilíngues fazem melhor. Quanto à demência, é um efeito aparentemente análogo aos benefícios da atividade física, que mantém o corpo em forma. Exercício mental mantém o cérebro em forma, e bilinguismo pode ser considerado esse tipo de exercício.

Fontes:
The Economist-Com duas línguas na cabeça, quase tudo pode ser chamado por dois nomes

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