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FÓSSEIS

Antropólogos descobrem o 1º campo de batalha do mundo

Equipe encontrou na Etiópia esqueletos de até 10 mil anos de pessoas mortas em combate. Trata-se do mais antigo registro do tipo

Antropólogos descobrem o 1º campo de batalha do mundo
O sítio arqueológico de Nataruk fica no Quênia, próximo a fronteira com a Etiópia (Foto: Wikimedia)

Qual seria o primeiro campo de batalha do mundo? Segundo a descoberta recente de uma equipe liderada por Marta Mirazón Lahr, da Universidade de Cambridge, a região onde hoje fica a Etiópia pode ser a resposta.

Na região, onde já foram achados os mais antigos fósseis do Homo Sapiens, antropólogos encontraram esqueletos de até 12  pessoas mortas a flechadas e a golpes de porretes há cerca de 10 mil anos. Até agora, este é o mais antigo registro de uma guerra entre membros de nossa espécie.

Há quem defenda que a guerra só teria nascido com o surgimento da agricultura e da vida sedentária, quando certas tribos passaram a ter bens permanentes que podiam ser tomados à força. No entanto, 10 mil anos atrás, a região da chacina (as margens do lago Turkana, entre o Quênia e a Etiópia) era habitada apenas por caçadores-coletores, ou seja, povos com estilo de vida pré-agrícola e altamente móvel. “Isso sugere que pelo menos duas das condições normalmente associadas às guerras, ou seja luta por território e/ou recursos, já existiam entre os caçadores-coletores. Quando a população aumenta a ponto de os recursos não serem suficientes, haverá competição e conflito”, diz Marta.

Apesar de outras marcas de violência interpessoal já terem sido encontradas várias vezes em fósseis de hominídeos (membros da linhagem humana) até mais antigos do que os de agora, eles eram casos isolados. Ou seja, não era possível saber se os ferimentos derivavam de um combate entre grupos ou de uma simples briga.

No sítio de Nataruk, no Quênia, perto da fronteira com a Etiópia, os esqueletos não parecem ter sido enterrados, mas sim abatidos e simplesmente jogados na parte rasa de uma laguna que se formava na área em fases de chuva intensa. Além disso, há a presença de pontas de pedras enfiadas no crânio ou em outras partes do corpo, bem como fraturas, cortes e amassamento nos ossos. Segundo Marta, as pequenas pontas de pedra enfiadas nos esqueletos devem ter sido de flechas, mas há indícios de que os atacantes usaram ainda flechas sem ponta (basicamente varetas afiadas) e porretes de dois tamanhos diferentes. É justamente esse arsenal que leva a pesquisadora a suspeitar que a carnificina foi um ataque premiditado.

Além disso, outra coisa que chama atenção é a matéria-prima de duas das três pontas de flecha achadas entre os esqueletos: o vidro vulcânico. Este material, que é formado naturalmente durante erupções, não existe na área da chacina, o que poderia indicar que os guerreiros atacantes tinham vindo de longe para tomar posse do território das vítimas.

Fontes:
Folha de S. Paulo-Antropólogos acham 12 esqueletos de vítimas de guerra pré-histórica

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