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Exercício e vício: corrida divertida

Tudo indica que evoluímos para sermos viciados em exercício

Exercício e vício: corrida divertida
Cachorros experimentam um 'barato da corrida', mas furões não (Reprodução/Economist)

Como demonstram claramente as hostes de ratos de academia e corredores amadores que correm ao ar livre sob o sol primaveril todos os anos, correr pode ser divertido. Mais especificamente, correr dispara a liberação de compostos químicos cerebrais chamados endocanabinóides que geram uma potente sensação de prazer. Como o seu nome sugere, estes endocanabinóides funcionam do mesmo modo que o princípio ativo da maconha.

De um ponto de vista evolutivo, este pico de endocanabinoides, e o “barato da corrida” que ele gera, faz sentido. Para os humanos primevos, ter um condicionamento físico bom o suficiente para correr atrás da caça e para longe de predadores e inimigos era vital para sua sobrevivência. Ainda assim a questão se outros mamíferos são levados a fazer exercícios graças aos endocanabinóides ainda é um mistério. Agora um estudo liderado por David Raichlen da University of Arizona revelou que o barato da corrida de fato existe em outras espécies, mas não em todas.

Dr. Raichlen formulou a hipótese de que exercícios instados por endocanabinóides seriam encontrados naqueles mamíferos que têm um benefício evolucionário por se deslocar rapidamente: antílopes, cavalos e lobos, por exemplo. Contudo, ele também considerou que as substâncias em questão não estariam presentes naqueles que são sabidamente rápidos e ágeis, mas não em relação a suas habilidades corredoras, como furões. Para testar essas ideias, ele e um grupo de colaboradores criaram um experimento que monitorava os níveis de endocanabinóides em diferentes espécies após andarem ou correrem em uma esteira.

As cobaias animais em questão eram dez pessoas, oito cachorros e oito furões. Dr. Raichlen fez com que o grupo corresse ou andasse sobre as esteiras por 30 minutos. Os pesquisadores registram no periódico Journal of Experimental Biology que, após 30 minutos de caminhada, os níveis de endocanabinóides dos participantes não subiu. Após uma corrida, entretanto, o nível de endocanabinóides em um humano médio aumentou de 2,4 picomoles por mililitro (pmol/ml) para 6,1. Os cachorros revelaram uma tendência similar, com um aumento de 5,6 pmol/ml de endocanabinóides após a corrida. O desempenho dos furões foi diferente. Apesar de ter tido algum aumento, de 3.0 a 3,9 pmol/ml, este não foi um aumento estatisticamente significante. Essas descobertas sugerem que os cachorros experimentam um “barato da corrida”, mas que os furões não.

Fontes:
The Economist - Fun run

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