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Investimento em biocombustíveis está diminuindo

Os biocombustíveis que podem competir comercialmente não são, na verdade, verdes, e os que não poluem o meio ambiente não têm apelo comercial

Investimento em biocombustíveis está diminuindo
O investimento está diminuindo ao mesmo tempo em que o ceticismo quanto à produção comercial aumenta ( Fonte: Reprodução/Dave Simonds/The Economist)

A produção de combustível a partir da energia solar armazenada em organismos vivos por meio da fotossíntese é uma ideia tentadora. É uma proposta ecológica e os projetos de produzir biocombustíveis a partir da fermentação do amido, de reciclar óleo de cozinha e de transformar alga em combustível para aviões com motor a jato atraíram mais de US$126 bilhões em investimento desde 2003, segundo a empresa de pesquisa Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Os resultados, no entanto, parecem com o diagrama de Venn cujos conjuntos quase não se sobrepõem. Os biocombustíveis que podem competir comercialmente não são, na verdade, verdes, e os que não poluem o meio ambiente não têm apelo comercial.

Os biocombustíveis produzidos a partir de colheitas agrícolas, ou de plantas cultivadas em terras que podem produzir essas colheitas prejudicam a oferta de alimentos e, portanto, têm um efeito negativo no meio ambiente. Uma comissão do Parlamento Europeu decidiu esta semana limitar o uso da “primeira geração” de biocombustíveis desse tipo. Na meta atual europeia 10% da energia usada no transporte até 2020 será suprida por energias renováveis. De acordo com a nova proposta, só sete décimos dessa energia será proveniente de biocombustíveis de primeira geração. A diferença será compensada por energias renováveis mais modernas baseadas em produtos de resíduos e outras matérias-primas que não afetam a produção de alimentos. Na opinião de Claire Curry, da BNEF, isso significa que a demanda europeia de biocombustíveis produzidos com técnicas mais avançadas deve atingir 14 bilhões de litros em 2020.

Apenas dois desses biocombustíveis, acrescentou a Sra. Curry, podem ser fabricados em larga escala. Um deles é o diesel produzido a partir do óleo de cozinha usado e de outras gorduras, um processo que a Europa já tem 2 bilhões de litros de capacidade. O outro seria a produção de etanol a partir da celulose por meio da hidrólise enzimática.

As demais formas de energia renovável, de acordo com Claire Curry, só serão produzidas comercialmente daqui a pelo menos quatro anos, como, por exemplo, a ideia muito elogiada de produção do combustível renovável para aviões com motor a jato.

Fontes:
The Economist - Biofuels: Thin harvest

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