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Medicina

Ketamina é a esperança dos cientistas que estudam a depressão

Popular nos clubes noturnos, alucinógeno conhecido como Special K pode ser uma grande arma no combate à depressão e às tendências suicidas

Ketamina é a esperança dos cientistas que estudam a depressão
Ketamina trouxe resultados mais rápidos que o Prozac a pacientes com depressão (Nicoilas Asfouri/AFP/Getty Images)

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Agora que os médicos têm uma melhor compreensão do funcionamento cerebral, eles estão percebendo que os seus colegas nos anos 1950 e início dos anos 1960 estavam no caminho certo. Testes em animais mostram que a ketamina, um alucinógeno utilizado como tranquilizante, e conhecido nas boates como Special K, promove o crescimento de células nervosas do cérebro e suas conexões, que são os pilares da aprendizagem e memória. Os cientistas estão tentando ver se o composto tem o mesmo efeito dramático em pessoas com depressão profunda e suicida. A pesquisa já lançou nova luz sobre os mecanismos biológicos da depressão.

A ketamina pode ajudar os pacientes que não respondem aos antidepressivos convencionais, como o Cymbalta ou o Lexapro, que não funcionam em cerca de um terço daqueles que os usam, diz Alana Simorellis, uma analista da Decision Resources Inc., em Waltham, Massachusetts. Ela também pode beneficiar as pessoas que precisam de alívio urgente de tendências suicidas, enquanto o medicamento estiver sendo administrado sob a supervisão de médicos em um hospital, disse ela.

Antidepressivos modernos costumam agir sobre a serotonina e sistemas de noradrenalina de receptores cerebrais. Enquanto as drogas demoram de dois a seis semanas para trabalhar sobre o humor e a autoestima, elas podem melhorar a energia e motivação mais cedo, dando a pacientes suicidas mais vontade para acabar com suas vidas, diz Charles S. Grob, professor de psiquiatria na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

“Não há realmente nenhuma intervenção médica para tendências suicidas agudas, que são uma emergência médica e psiquiátrica”, disse James Murrough, um professor assistente do departamento de psiquiatria e neurociência da Mount Sinai School of Medicine, em Nova York, que está fazendo uma experiência para investigar o potencial da droga para prevenir o suicídio. “É uma enorme necessidade não atendida”.

Além de Sydney e Nova York, o uso da ketamina no combate à depressão está sendo investigado em locais como Boston, Houston e Miami, além de Changzhou, na China, Grenoble, na França; Genebra, na Suíça, e Aberdeen, na Escócia, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“Estamos realmente interessados na ketamina por conta dos trabalhos realizados nos centros médicos acadêmicos e da eficácia demonstrada”, afirma Greg Panico, um porta-voz da farmacêutica J&J. Algumas empresas rivais como a GlaxoSmithKline, já desistiram de realizar pesquisas nesse campo.

“Projetar medicamentos que modificam as ações de grandes moléculas no cérebro é difícil”, diz Clare Stanford, professora de psicofarmacologia experimental da University College London. “Se você está desenvolvendo algo novo, tem que ser algo realmente novo, caso contrário não vale a pena investir nisso”, diz ela. “Vai ser muito caro e você não será capaz de recuperar o investimento”.

Os antidepressivos como o Prozac, provocam alterações nas sinapses, embora não tão rapidamente como a ketamina, diz Murrough. “O que o Prozac faz em duas a quatro semanas, a ketamina, numa dose única, fez em um dia nos experimentos com modelos animais”.

Os perigos da ketamina

A ketamina, com uma reputação como uma droga de clubes noturnos, deve ser investigada com cautela, diz Margarita Behrens, cientista do Instituto Salk, em La Jolla, Califórnia. O medicamento, cujo nome de rua é uma brincadeira com um famoso cereal da Kellogg, inicialmente desobstrui os circuitos do cérebro, causando emoção excessiva em resposta a um estímulo.

Os efeitos são transitórios e desaparecem quando a droga é eliminada do sistema. Quando tomada repetidamente, porém, a ketamina pode mudar o comportamento dos neurônios inibitórios, diz Behrens. É possível que a ação antidepressiva da ketamina seja decorrente deste mecanismo e que, ao desinibir o cérebro, a droga leve a pessoa depressiva a um estado normal, mas também leve uma pessoa normal à psicose, afirma a cientista.

“Se não for utilizada com cuidado podemos acabar curando a depressão com esquizofrenia”, afirma Behrens.

Fontes:
Bloomberg - Special K for Depression Renews Hope in Hallucinogens

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5 Opiniões

  1. PETRÔNIO ESTEVÃO DA SILVA disse:

    Olá.Sou portador de Síndrome do Pânico+Agorafobia, há quase 34 anos.Já perdi tudo na vida, que mesmo com as limitações e sobe-desde desse mal me impõe, consegui conquistar, como faculdades(Cinco, incluindo uma de medicina), uma filha, a chance de me casar e ter uma família.as pessoas nunca me entenderam nem entendem.Já pensaram e disseram que sou preguiçoso, malandro, viciado em drogas ilícitas, etc.Ultimamente, andam dizendo que sou louco, por que me trato com psiquiatra, tenho ansiedade , como um fator crônico, quase, e falo em excesso, e bebi muito, há algum tempo.Ando sofrendo Bullying, pelo bairro onde nasci.Penso que, conforme já li muito, obviamente, por sofrer tanto e tantos anos, que sendo assim, como a KETAMINA pode fazer com que a depressão seja suprimida, a princípio, e, como as drogas que tratam a depressão, em sua grande maioria, como a FLUOXETINA (PROZAC), já é receitada em T.PÂNCICO+AGORAFOBIA, também poderia ser estudada, pesquisada, não é verdade?Preciso muito de ajuda, pois a depressão, que eu antes só conhecia como um sintoma isolado, ou como conheço um vizinho que tem depressão refratária maior, passo dias, já, sem vontade de fazer nada e sem tomar banho, fazer a barba, etc.Obs: completei, dia 27 de novembro, passado, 51 anos.Minha filha, que fez 22, em 08 de dezembro, também foi acometida do mesmo mal, me contou meu médico, quando ela e a mãe, que hoje fala mal de mim e diz que sou louco, que Juliana, minha filha, não é minha filha. Foram à outra cidade, capital daqui, talvez, escondido, por ter medo, a mãe, que a filha seja chamada de louca, como o pai.a mãe, quando na consulta, deu azar quando disse: ¨O pai dela também começou com o mesmo problema aos 16 anos, como ela.¨Dr. Cristiano, que, claro, viu o mesmo sobrenome, disse:¨Engraçado, Juliana Estevão da Silva…conheço esse sobrenome…o pai dela não se chama Petrônio?¨ficou sem graça , a mãe, me contou ele.Então, perguntou: ¨por que será que elas foram se consultar em Goiânia??¨Eu: certamente pra se esconder e, claro, porque têm medo do preconceito e BULLYING que venho sofrendo, lá, naquele bairro e depois, claro, se souberem, na escola e todos os lugares.as pessoas são más, o sr, sabe…Depois, implorei a ele que me desse um relatório médico, constando que sou tratado de Transtorno de Pânco+Agorafobia e os remédios que tomo(Clomipramina e Rivotril, duas gotas, em caso de insônia) .Motivo pra suicídio tenho de sobra.Mas quero viver e lutar, não só contra o sofrimento que estes transtornos trazem, mas agora, também, o preconceito e seus males todos e de todos.Gostaria de perguntar, também, já que foi liberado pela ANVISA, a EMTr(Estimulação Magnética Transcraniana Repetitiva), que, já li e conversei, aqui na web e ao telefone, com o Dr. Roni Broder Cohen, de Higianópolis – SP, Diz que trata e é pioneiro, no Brasil, em estimulação Magnética, em Pânico e fobias gerais, todos os Sub-transtornos de ansiedade.Disse ele que fez especialização na Havard Medical School, Massachussets – EUA.Gostaria de saber a opinião de todos aqui, pois eu tenho muita vontade de ficar melhor, ao menos da agorafobia, que me faz refém de mim mesmo e me maltrata tanto.Já tomei muitos remédios.disse dr Cohen que faço parte de uma parcela de uns 10% dos pacientes que não respondem a tratamento medicamentoso.Sou refratário, então?? Obrigado.
    Petrônio.

  2. bruno disse:

    Petrônio, nao sei se vai ler isso, mas eu tomo anti depressivo e alprazolam 2x ao dia. pra mim 2 gotas de rivotril nao faz nada, ja cheguei a tomar 40 gotas. tenho 26 anos, o problem a que odeio a cidade onde moro, meus pais me estressam, estou afastado do serviço, e mesmo se achar outro como vou trabalhar ? e complicado, entendo sua situação, acredito que as industrias farmaceuticas, sao um lobby para nao curar a depressao com tais drogas citadas, porque ? porque se eles curam nao terao dinheiro. Eles nao se importam se voce, eu ou outros tem depressão . querem é dinheiro, o certo é procurar por fora.

  3. Wagner disse:

    Concordo com o Bruno. Já tomei vários antidepressivos e nenhum foi bom, ao contrário, piorou meu estado. Estou somente com o alprazolan. Está difícil, só Jesus. Nós somos como ratos de laboratório, quase morri hoje de tanto vomitar. Muita ansiedade.

  4. Ronaldo Fogaça disse:

    Olá Petrônio. Que dureza sua história, hein!
    Eu tb sou bem f#$@. Mas vc fala muito em sofrer Bullyng. Como assim sofre bullyng? Fiquei revoltado com essa história de bullyng. Ainda mais em relação a esses males. Não tem como vc impedir isso? Onde vc mora? Só tem débil mental por aí?
    Bem, bc é refratário, sim. Tentou sei lá, 5 tratamentos s sucesso, eu considero refratário. Porém vc não tentou ainda coisas que já tentei.
    Meu diagnóstico é depressão bipolar. Eu fico ora deprimido demais, ora contente demais.
    Porém deprimIdo por períodos imensos. Fiz ECT e essa EMT. Pra mim não serviram de nada. Mas divulgam que ambas funcionam em 90% fos pacientes. Galr com seu médico. EMT sem dúvida deve testar primeiro. Pq ECT perde uns blocos de memória que dizem que volta. Volta grande parte da memória qur se perde na ECT. Mas grande parte fica perdida pra sempre. Muitos conhecidos dizem o mesmo. Mesmo assim, sabendo o sufoco que passamos, sugiro tentar de tudo. Há um novo antidepressivo chamado Brintellix. Poderia pedir ao seu médico. Ele age diferente de tudo que conhecemos. Meu médico e eu estávamos ansiosos esperando por ele e eu passei pior tomando ele. Indicadonora refratários tb. Foi lançado nos EUA e ficamos aguardando vit para o Brasil. Mais uma desilusão. Ah! ECT e EMT podem redimir sintomas de depressão, teoricamente não ajudam na ansiedade.
    Por ordem dr Segurança eu se fosse vc tentaria o remédio Brintellix, depois EMT. depois ECT.
    Amanhã farei a primeira infusão de cetamina. Meu médico não recomenda pelo risco de não habrr estudos a longo prazo é há um risco de causar Esquizofrenia. Sintomas psicóticos. Porém, os primeiros cobaias estão bem até hoje é já faz 12 anos que se trataram. Creio então que vale a pena arriscar. Eu não tenho mais nada a perder, fora a pífia sanidade. Pensei: tô no fim da linha. 35 anos. Inválido há 9. Não tenho vontade nenhuma de morrer. Ja tive. Mas viver nessa condição não tem mais como prosseguir. Sempre arfando em grande agonia sozinho no quarto escuro. Aí me dopo ou tomo anfetamina pra acelerar. E tenho algumas horas de sobrevida até o próximo terror que sempre vem e não demora. Perdi todos amigos e parentes. 4 companheiros q n suportaram viver com minhas queixas. Estou qse perdendo o 5°. Esse cara é especial. Muito compreensivo. Mas já vi q tá sofrendo com o efeito “estraga-vida-alheia” forte que possuo.
    Disse a ele que tenha paciência sobre minha doença só mais um mês. Depois eu que o dispensarei. Não é justo ele se ferrar comigo. Não sobrando mais nada, ele é tudo q tenho, possivelmente me suicidarei. Mesmo sem impulso e vonyde pra isso. Uma decisão acertada comigo mesmo. Racional e friamente. Qtas décadas eu ainda viverei sempre sofrendo e fazendo muitos sofrerem junto?
    Eu era lindo, jovem, extrovertido. Era comissário da TAM do internacional. Hoje sou uma baleia de gordo chato. Intragável.
    Melhoras. Boa sorte.

  5. domingos martino disse:

    estava muito ruim ,nenhuma medicação funcionou.Tomei todos os antidepressivos do mercado ,minha depressão era cronica,tinha ha mais de 30 anos,estava a mimico.
    Depois da segunda sessão de estimulaçao já conseguia sorrir.Fiquei normal depois do tratamento
    Fiz com Dr Roni Brother Cohen que foi o pioneiro no Brasil a usar este método.
    Alem da depressão Dr Roni descobriu que eu tinha uma um distúrbio hormonal que aumentava a depressão
    Antes de consulta-lo consultei grandes figuras de psiquiatras ,como não praticaram clinica geral,nunca pediram nenhum exame.
    Voltei a trabalhar ,e o fiz por 20 anos ate me aposentar.DR Roni também descobriu que eu só era sensível a antidepressivos atípicos me receitou um que tomo ate hoje para evitar que a depressão
    volte a me prejudicar.
    A depressão não tem cura mas é tratável e se consegue ter uma ótima qualidade de vida .
    Devo a minha recuperação ao DR.Roni e recomendo,e muito preparado,,capacitado e honesto.
    Na minha luta ,antes de conhecer o Dr.Roni me tratei com diretores de psiquiatria de mais de uma faculdade,me enchiam de remédio e eu ficava cada vez pior
    Eram bons comerciantes gastei muito ,O Dr Roni felizmente é medico e salvou a minha saude
    recomendo a todos
    o telefone dele ,basta entrar no google que aparece
    um abraço a todos e boa sorte

    .

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