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Partículas mais velozes que a luz: revolução ou erro?

Físicos minimizam especulações sobre descoberta de neutrinos ultravelozes e afirmam que a teoria de Einstein ainda podia estar correta

Partículas mais velozes que a luz: revolução ou erro?
Teoria especial da relatividade de Albert Einstein pode ser invalidada (Reprodução/Internet)

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Na ciência, revoluções levam tempo. Momentos “eureka!” podem demorar anos na incubadora.

Então, um dia após a notícia de uma possível revolução na física – a descoberta de partículas que se movem mais rápido que a luz – um importante cientista do grupo de pesquisas europeu CERN calmamente explicou a descoberta para uma plateia de pé no laboratório da empresa. O físico, Dario Auterio, não fez nenhuma declaração apocalítica, nem tentou associar os resultados às leis da física, muito menos ao mundo mais amplo.

Depois de uma hora de explicações técnicas, Auterio simplesmente disse: “Portanto, apresentamos a vocês hoje esta discrepância, esta anomalia”.

Mas é uma anomalia e tanto. De 2009 a 2011, o enorme detector OPERA enterrado em uma montanha no Gran Sasso, na Itália, registrou partículas subatômicas chamadas neutrinos partirem do CERN e atingirem uma velocidade mais rápida que a luz. Se confirmada, a descoberta lançaria mais de um século de física no caos.

“Se for comprovada, a descoberta é fenomenal”, disse Rob Plunkett, um cientista no Fermilab, o Departamento de Energia do Laboratório de Física, em Illinois. “Nós estaríamos diante de um novo conjunto de regras” sobre como o universo funciona.

Essas regras poderiam invalidar a teoria especial da relatividade de Albert Einstein, publicada em 1905. Radical no momento, a teoria associava espaço e tempo, matéria e energia, e definia uma velocidade invariável para a luz, registrada em cerca de 186 mil milhas por segundo.

Nenhuma experiência em 106 anos havia ultrapassado o limite de velocidade da luz até agora.

No laboratório do CERN, cerca de 16 mil neutrinos voaram em túneis subterrâneos na Europa, aparentemente ultrapassando a velocidade da luz em 60 bilionésimos de segundos.Físicos ainda aguardam minuciosa avaliação dos resultados obtidos no CERN.

“A Fermilab opera um experimento similar, chamado MINOS, que dispara neutrinos de Illinois a um detector subterrâneo em Minnesota. Em 2007, o MINOS detectou neutrinos a uma velocidade acima da luz, mas a margem de erro era grande demais para anunciarem o feito”, disse Plunkett.

Cientistas da Fermilab vão rever seus dados durante os próximos seis a oito meses. Em 2013, o detector MINOS, agora desligado, irá entrar em funcionamento após uma reforma. O  M INOS poderia, então, oferecer a confirmação necessária dos resultados.

Na coletiva da última sexta-feira, 24, Auterio enumerou os cuidados extraordinários que sua equipe teve para garantir a precisão dos resultados. “Passamos seis meses fazendo vários cruzamentos de dados”, disse o físico, um dos 160 cientistas de 11 países colaborando com a experiência, em grande parte financiada pelos governos francês, japonês e italiano.

Ceticismo no mundo acadêmico

Físicos minimizaram as especulações sobre cenários de ficção científica. Mesmo que o resultado seja comprovado, a teoria de Einstein ainda podia estar correta – até certo ponto. O neutrino mais rápido que a luz poderiam simplesmente complementar as teorias de Einstein e não invalidá-las, assim como as leis de Einstein não invalidaram as leis de movimento de Isaac Newton.

No entanto, a descoberta pode abrir uma nova compreensão do universo. Talvez não haja limite de velocidade final. Ou talvez este limite exista, mas a luz não consegue alcançá-lo.

Seja qual for o caso, os físicos da OPERA admitem que não estavam tentando quebrar a velocidade da luz. O experimento foi projetado para detectar algo muito mais sutil, a transformação prevista de um tipo de neutrino em outro. Talvez eles, como muitos cientistas antes, vislumbraram uma fronteira da ciência por puro acaso.

“Há chances de que a descoberta seja uma janela para algo fundamental e profundo que ainda não sabemos sobre a natureza”, disse Strassler. “Todas as grandes revoluções na ciência começaram com uma discrepância inesperada que não ia embora.”

 

 

Fontes:
Washington Post - Beyond the ‘Buffett Rule’ How to stop e-mail overload Medvedev to step aside for Putin Debate audiences provoke controversy Particles faster than light: Revolution or mistake?

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3 Opiniões

  1. Carlos U. Pozzobon disse:

    É claro que Einstein está errado em algumas coisas. Isso já se suspeita há muito tempo, especialmente na sua teoria da relatividade as relações entre tempo e velocidade da luz. Mas a descoberta do CERN deverá aplicar uma rasteira em boa parte da física atual. Isso parece não ter grandes consequências, mas é algo fundamental. Sem teoria não existe progresso tecnológico. E a questão da velocidade do neutrino poderá nos fornecer um pouco mais de “luz” na grande confusão e caos que é o Universo.

  2. Flavio disse:

    Tomara que esse neutrino sirva para a humanidade dominar a tecnologia do teletransporte, ou quem sabe do motor de dobra.
    Espaço, a fronteira final…

  3. Luiz Mourão disse:

    Que maravilha é a Ciência, não??
    Só ela constrói TEORIAS sobre o Universo e sobre a Vida Humana, e só ela mesma acaba por questionar tais teorias…
    Todo o inverso as religiões: não querem, de forma alguma, rever os conceitos QUIMÉRICOS que as alicerçam…
    Preferem a ingênua FÉ, que não tem LIMITES: posso ter FÉ em qualquer coisa, incluindo o Grande JUJU da Montanha, que criou o Universo num arroto, e o Homem num espirro…
    Fé aceita qualquer coisa, enquanto que CIÊNCIA só aceita o que TODOS os cientistas aceitam; e olha lá!!
    Prefiro PENSAR a CRER….
    Afinal, vivo em 2011, e não em 1011…

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