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ENGENHARIA GENÉTICA

Patente de técnica de manipulação genética será decidida nos tribunais

A polêmica em torno da invenção da técnica CRISPR de edição de genomas será decidida pelo órgão federal de marcas e patentes dos Estados Unidos

Patente de técnica de manipulação genética será decidida nos tribunais
O registro da patente da técnica CRISPR-Cas9 é alvo de disputa judicial (Foto: Pixabay)

“Não escapou à nossa atenção”, escreveram James Watson e Francis Crick em 1953, “que o agrupamento específico que descobrimos sugeriu um possível mecanismo de duplicação de uma molécula de DNA”. Os dois haviam descoberto a estrutura do DNA e como suas metades se complementavam. E apesar da declaração discreta, a pesquisa dos dois cientistas revolucionou a biologia.

Com uma discrição semelhante, um artigo publicado na revista Science, em 2012, mencionou que havia um “potencial considerável de identificação de genes e edição de genomas”. Na verdade, o estudo revelou que uma técnica simples intitulada Clustered Regularly Short Palindromic Repeats (CRISPR), ou Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas, permitiria aos cientistas modificar genomas de animais e plantas.

Essa descoberta abriu as portas para uma nova era da engenharia genética, com aplicações desde o controle de pragas, preparação de remédios, prevenção de doenças, cura de doenças genéticas, entre outros usos, com extrema precisão, ao modificar mutações defeituosas. Agora, é preciso solucionar a polêmica da autoria da descoberta.

A transcrição do locus CRISPR resulta em pequenos fragmentos da molécula de RNA, que reconhecem um DNA exógeno e identificam o ponto em que a enzima Cas9 pode cortar o DNA e eliminar os vírus invasores. Os autores do artigo publicado na Science, Jennifer Doudna da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e Emmanuelle Charpentier do Helmholtz Centre for Infection Research, na Alemanha, ganharam o Breakthrough Prize em 2014 no valor de US$3 milhões por essa descoberta. Esta semana, Jennifer Doudna explicou o funcionamento da nova técnica de modificação do genoma, CRISPR-Cas9, a um público que lotou um dos salões de conferências da reunião anual da AAAS. Ela contou como a descoberta acidental de um padrão estranho de alguns genomas bacterianos no campo da bioquímica levou sua equipe a desenvolver uma técnica, que já está começando a ser usada.

Em paralelo, uma disputa desagradável em torno do registro da patente da técnica CRISPR-Cas9 está se desenrolando. Embora Jennifer Doudna e seus colegas tenham sido os primeiros a registrar a patente, eles não têm o direito de explorá-la comercialmente. Esse privilégio foi concedido em 2014 a Feng Zhang, do Broad Institute e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ambos em Cambridge, que também reivindica a autoria dadescoberta dessa técnica. Essa concessão foi contestada e em janeiro, o Escritório de Marcas e Patentes dos EUA (USPTO) disse que iniciaria um processo para decidir a quem atribuir a autoria. Mais prêmios e talvez um Prêmio Nobel dependem dessa decisão.

Fontes:
The Economist-CRISPR crunch

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