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Antropologia do lixo

Você é o que você joga fora

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Uma pesquisa desenvolvida pela Universidade do Arizona comparou as auto-avaliações dos participantes sobre seus hábitos cotidianos com o que revelou o lixo produzido por eles. Houve muitas contradições.

As pessoas desperdiçaram muito mais comida do que haviam percebido, e se alimentaram de forma menos saudável do que admitiram — os participantes superestimaram o consumo de fígado em 200%.

As famílias ricas disseram que comeram muito menos carne vermelha do que fizeram de fato, talvez querendo demonstrar hábitos de alimentação saudáveis. Já as famílias pobres, na verdade, comeram menos carne vermelha do que haviam relatado.

O lixo pode revelar com muita precisão o número de pessoas que vivem em um determinado local, quantos anos elas têm, quanto ganham e de que grupo étnico fazem parte. O Bureau do Censo, dos EUA, já admite usar dados obtidos a partir da análise do lixo para aprimorar suas estatísticas.

A Suprema Corte norte-americana também já reconheceu a importância do que é jogado fora, decidindo que a polícia pode vasculhar o lixo de alguém sem um mandado judicial, desde que a lixeira esteja na rua.

Fontes:
Economist - A special report on waste: You are what you throw away

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4 Opiniões

  1. Stanley disse:

    Os dispositivos de poder e controle do cidadão estão cada vez mais sofisticados e a estatística não cessa de produzir "verdades". Onde vamos parar?

  2. ruthinha disse:

    Stanley, se ficarmos paranoicos em relação ao nosso lixo pode ser que disperdicemos menos. O lixo tanto do rico quanto do pobre nos mostra a leviandade dos nossos gastos. Se o que se vende é altamente contabilizado, porque não medir o que se joga fora?

  3. Marly Cristina Carvalho disse:

    As práticas de consumo consciente ainda são pequenas. Diante dessa situação, percebemos que hoje a humanidade consome 30% a mais do que a capacidade de renovação da Terra, o que inviabiliza a sustentabilidade do planeta. Entretanto, mesmo com tamanha devastação dos recursos naturais, os conflitos entre as nações se multiplicam e a insatisfação da humanidade é cada vez mais evidente.
    Precisamos realmente olhar mais para dentro de nós, para o que somos e o que poderemos ser, e não o que podemos ter. Precisamos de pessoas para ensinar outras pessoas a mudarem de comportamento. Não adianta dar prêmios para quem não usar sacolas de plástico e outros que existem por ai, mas sim dar educação. Bom, por hoje é só.

  4. Igor Jansem. 13 anos disse:

    Seria bom se essas medidas de análise de lixo tornasse LEI. Os lixeiros seriam mais valorizados e teriam suas funções elevadas! Ah! adorei a figura acima.

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