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Roubo de livros

Comércio de livros raros ameaça a preservação de textos históricos

Mercado de livros raros roubados de bibliotecas em razão de medidas de segurança ineficazes foi tema de uma conferência na Biblioteca Britânica

Comércio de livros raros ameaça a preservação de textos históricos
Os abades medievais prendiam seus livros valiosos com correntes para evitar o roubo (Foto: Geograph)

O roubo de livros raros e manuscritos das bibliotecas não é uma novidade. Os abades medievais prendiam os livros valiosos com correntes nos mosteiros, para impedir que os estudiosos os carregassem. Atualmente, os livros valiosos estão sob uma ameaça constante. Os roubos recentes e espetaculares em bibliotecas europeias mostraram um lado corrupto do comércio internacional de livros raros.

Bibliotecários, leiloeiros e antiquários participaram de uma conferência na Biblioteca Britânica na semana passada, com o título ameaçador de “The Written Heritage of Mankind in Peril”. A conferência foi realizada em razão de um roubo descoberto em 2002 na Biblioteca Nacional da Suécia e de um roubo de proporções ainda maiores dez anos depois na Biblioteca Girolamini, em Nápoles.

Nos dois casos os roubos foram praticados por funcionários: na Suécia, o curador da divisão de manuscritos suicidou-se quando descobriram o crime; na Itália, um funcionário nomeado pelo governo, sem experiência em bibliotecas, foi acusado e preso pelo roubo de 1.400 livros raros. O que surpreendeu o mundo dos livros não foi a dimensão dos roubos, e sim a facilidade com que as obras roubadas foram guardadas e revendidas.

“Não foram os livreiros da International League of Antiquarian Booksellers (ILAB) que roubaram a Biblioteca Girolamini”, disse o presidente da ILAB, Norbert Dornhofer. “Mas é bastante provável que os livreiros da ILAB tenham vendido pelo menos alguns desses livros.” Muitos comerciantes e pequenas casas de leilão ainda não se preocupam com a proveniência duvidosa de alguns livros, disseram unânimes os participantes da conferência.

O aumento dos preços pode ser um tentação em um mercado avaliado em US$500 milhões por ano. Em 2013 um livro de salmos, o primeiro livro impresso nos Estados Unidos, foi vendido por US$14,2 milhões; no ano passado o livro de horas, um manuscrito ricamente ilustrado que pertencia aos Rothschild, foi vendido por US$13,6 milhões. Enquanto isso,  medidas de segurança displicentes nas bibliotecas e inventários pouco frequentes significam que os livros podem desaparecer com facilidade e o roubo só ser descoberto anos mais tarde. Os comerciantes de livros, portanto, têm a obrigação ética de prestarem mais atenção a qualquer sinal de adulteração, disse Stephan Lowentheil, um livreiro de Nova York.

Fontes:
Economist-Foiling the thieves

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