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Apoio à descriminalização da maconha cresce no país

Pesquisa do Datafolha aponta que o percentual de brasileiros favoráveis à medida cresceu para 32%, o maior desde o início da série histórica, em 1995

Apoio à descriminalização da maconha cresce no país
Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados são contra a descriminalização (Foto: Oswaldo Corneti/Fotos Públicas)

Apesar de a maioria da população brasileira ainda defender a proibição da maconha, a parcela dos que defendem a descriminalização da droga tem aumentado no país. De acordo com uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 29, 32% dos entrevistados se mostrou favorável à descriminalização.

O índice de apoio registrado pelo Datafolha foi o maior da série histórica da pesquisa, iniciada em 1995 – quando o apoio era de apenas 17%. Em 2012, a parcela favorável à descriminalização era de 20% da população, o que representa um aumento de 12 pontos percentuais em apenas cinco anos.

Com isso, a parcela contrária caiu de 81%, em 1995, para 77%, em 2012. Agora, o percentual dos que defendem a proibição caiu para 66%.

A pesquisa do Datafolha também fornece dados mais detalhados sobre quem apoia e quem condena a descriminalização da droga. Segundo o instituto, jovens de 16 a 24 anos (40%), pessoas com ensino superior (42%), pessoas com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (53%) e ateus (76%) são os mais favoráveis à descriminalização da maconha. As regiões Sul e Sudeste registram os maiores percentuais de apoio, com 37% e 35%, respectivamente, se posicionando a favor de descriminalização.

Já pessoas com 60 anos ou mais (73%), pessoas com ensino fundamental (74%), que recebem até dois salários mínimos (71%) e de religião evangélica (74%), são as camadas em que a rejeição é maior. A região Nordeste é a que mais defende a proibição, com 74% de rejeição.

Dos 2.765 entrevistados pelo Datafolha, 80% diz que nunca fumou maconha na vida, enquanto 14% declarou que fumou uma vez e parou. Somente 5% admitiu que usa a droga.

A pesquisa ainda indicou que índice de fumantes é maior entre os homens – 27% afirma ter fumado ou que ainda fuma, enquanto a presença de fumantes entre as mulheres fica em 12%. Além disso, os homens são os mais favoráveis à descriminalização, de acordo com o instituto – 35% deles são favoráveis, 7 pontos percentuais a mais que as mulheres (28%).

O Datafolha fez a pesquisa em 192 municípios, entre 29 e 30 de novembro. A margem de erro das porcentagens é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Debate sobre a maconha

Atualmente, o debate sobre a maconha vem ocupando espaço no Congresso e no Judiciário. Em setembro de 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar a descriminalização do porte de drogas, mas suspendeu o processo. Na época, três ministros chegaram a se posicionar a favor, sendo que dois deles restringiram a medida à maconha.

Entretanto, o julgamento foi adiado após pedido de vista do ministro Teori Zavascki, morto em um acidente aéreo em janeiro de 2017. Agora, o processo está no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, que assumiu o lugar de Zavascki.

Desde outubro deste ano, o tema vem sendo discutido pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. Inicialmente, havia sido apresentada uma sugestão legislativa pedindo a liberação do cultivo da maconha para uso pessoal. O relator do projeto, senador Sérgio Petecão (PSD-AC), rejeitou a sugestão.

A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) é contrária à descriminalização do cultivo para uso recreativo, mas sugeriu um projeto que permite o cultivo para uso medicinal. A CDH aprovou o projeto no último dia 14, sob a relatoria da senadora.

Há também projetos sobre o tema na Câmara dos Deputados, como o do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que regula a produção e a venda da maconha.

Fontes:
Folha de S. Paulo-Apoio à descriminalização da maconha cresce e chega a 32%; 66% são contra
Senado Federal-Cultivo de maconha para fins medicinais avança no Senado

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1 Opinião

  1. Natanael Ferraz disse:

    Adoro pesquisas:
    Esta aí de cima diz que homens nordestinos semi-alfabetizados, assalariados e crentes não gostam de maconha; e que 35% dos homens melhor posicionados na sociedade aprovam a maconha. Considerando que a população se divide meio-a-meio entre homens e mulheres, o percentual de 35% de homens que aprovam a droga se reduz a menos de 500 pessoas. O meu bairro tem mais maconheiros do que nessa pesquisa.

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