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Brincadeira de criança

Armas de brinquedo instigam a violência?

Pesquisas mostram que brincar com armas de mentira é normal e pode até ser um comportamento útil na infância

Armas de brinquedo instigam a violência?
Estudos sugerem que bincar com armas pode ajudar a criança a controlar impulsos agressivos (Foto: Flickr)

Um artigo recente publicado na revista Slate questiona se permitir que crianças brinquem com armas de plástico aumenta as chances de que elas um dia irão se tornar vítimas ou instigadoras da violência armada. A resposta, encontrada em estudos sobre o comportamento infantil, é negativa. Brincadeiras agressivas, como duelos imaginários com armas de brinquedo, podem até evitar um comportamento agressivo na vida real, dizem as pesquisas.

Em um estudo de 2013, psicólogos observaram como crianças da pré-escola brincavam sozinhas com vários objetos e, em seguida, como essas mesmas crianças agiam em sala de aula. Eles descobriram que, quanto mais agressão verbal a criança exibia enquanto brincava – como por exemplo, a criança que mordia bichos de pelúcia ou fingia que eles comiam uns aos outros –menos agressivo era o seu comportamento em sala de aula. Os pesquisadores especulam que quando as crianças incorporam a violência em suas brincadeiras, elas aprendem a controlar seus impulsos violentos reais e regular as emoções.

Outro artigo recente escrito por psicólogos acadêmicos defende que proibir brincadeiras com conotação agressiva poderia até interferir com o desenvolvimento social, emocional, físico, cognitivo e comunicativo da criança. Embora não possamos ter certeza de que há uma relação causal aí, uma coisa é clara para os estudiosos: “O comportamento agressivo adotado nas brincadeiras é diferente do comportamento agressivo na vida real, “diz a co-autora do estudo e psicóloga da Universidade Case Western Reserve, Sandra Russ.

Certamente, porém, nem todas as brincadeiras agressivas são normais ou saudáveis. Se a criança machuca outras crianças quando brinca, isso pode ser um sinal de um problema de controle de impulso. Nesse caso, valeria a pena discuti-lo com um pediatra. É também importante saber se a criança está usando a imaginação quando se diverte. Se ela simplesmente pega um brinquedo e o utiliza para bater em outro brinquedo por cinco minutos sem parar, sem que haja qualquer tipo de narrativa na brincadeira, esse comportamento pode ser motivo de preocupação também.

Quanto às armas de brinquedo, especificamente, Russ afirma: “As crianças irão fabricar armas de qualquer jeito, com varas ou massinha, e isso é bom, isso é brincar”. A psicóloga diz que é melhor não tentar impedi-los, porque isso pode envergonhá-los. Além disso, se os pais fizerem muito alarde sobre uma brincadeira, as crianças podem querer repeti-la justamente para chamar a atenção ou, talvez, quando os pais não estiverem olhando.

Fontes:
Slate - It´s fine for kids to play with pretend guns

2 Opiniões

  1. Rene Luiz Hirschmann disse:

    Na minha opinião o que instiga a violência é o desarmamento, deixando o cidadão a merce desses bandidos, vamos parar com demagogia, porque o jovem de 16 anos pode votar e não responde com cadeia para crimes hediondos, só para legitimar eleições de políticos.!

  2. E. Coelho disse:

    Se armas de brinquedo, ou de verdade, instigassem a violência a Suíça seria o país mais violento do mundo. E não é!
    Quem tiver interesse em saber um pouco mais, veja: http://www.armaria.com.br/suicos.htm

    Lá as crianças a partir de tenra idade são estimuladas a participar de torneios de tiro ao alvo. Já visitei a Suíça e andei com tranquilidade nas ruas à noite, inclusive as centrais, e não tive medo algum, exatamente o contrário do que ocorre no Brasil.
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    O que instiga a violência é a impunidade e a certeza de que o crime compensa. Acredito que o Brasil seja um dos únicos países no mundo no qual os bandidos estão livres e soltos e a população cada vez mais encarcerada nas suas casas. Sim, encarcerada atrás de muros altos, grades, arames eletrificados e sem direito de sair às ruas.
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