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NIGÉRIA

As questões do planejamento familiar na Nigéria

A educação das mulheres é a melhor forma de combater o crescimento populacional da Nigéria

As questões do planejamento familiar na Nigéria
Muitos nigerianos acham que a alta taxa de fecundidade é uma fonte de orgulho e força nacional (Foto: Wikimedia)

A Nigéria é o país mais populoso da África. Mas nem todos os nigerianos apoiam o controle da natalidade. Boko Haram, o grupo jihadista que aterroriza o nordeste do país, acha que a contracepção artificial é um produto da educação dos infiéis e, portanto, é proibida. Seus ideólogos também acreditam que as mulheres não devem frequentar a escola, precisam casar cedo, às vezes, ainda na infância, e ter muitos filhos. Nas áreas controladas pelos jihadistas as mulheres não têm escolha.

Mas mesmo em regiões onde a presença do grupo Boko Haram não impõe sua autoridade a contracepção é controversa. Muitos muçulmanos nigerianos acreditam que as pílulas anticoncepcionais e os preservativos fazem parte de uma conspiração ocidental para impedir que os muçulmanos se multipliquem. E em áreas rurais pobres, uma prole numerosa significa ajuda material aos pais.

Em uma visão tradicional, porém mais aberta, o governo de Kaduna, um estado de maioria muçulmana ao norte da capital, Abuja, não incentiva as pessoas a terem menos filhos, porque seria perigoso do ponto de vista político. Mas as autoridades locais fornecem anticoncepcionais e preservativos de graça e aconselham as mulheres a fazerem pausas entre as gestações. O governo também proporciona educação para as meninas e, em consequência, as taxas de fecundidade diminuíram.

A Nigéria é um país densamente povoado, mas não se sabe ao certo o número de seus habitantes. Segundo o Banco Mundial, em 2015 a Nigéria tinha uma população de 182 milhões de habitantes, porém essa estimativa baseou-se no censo demográfico de 2006, que, é provável, superestimou por razões políticas o número de habitantes. No entanto, para a maioria dos analistas a população da Nigéria está crescendo em uma proporção de 3% ao ano.

Muitos nigerianos acham que a alta taxa de fecundidade é uma fonte de orgulho e força nacional. Mas o crescimento econômico precisa superar a densidade demográfica. A prosperidade do país depende da educação. Mulheres instruídas tendem a ter menos filhos e a adiar a maternidade.

Fontes:
The Economist-The problems of family planning in Nigeria

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1 Opinião

  1. Carlos Valoir Simões disse:

    É verdade quanto a conclusão, não quanto as premissas: O Boko Haram e os muçulmanos não tem nada a ver com a superpopulação da Nigéria, pois desde antes da colonização eles fazem muitos filhos. Suas divindades tradicionais são chamadas de “mães” e “pais” (Iyá/Yê e Babá), o que revela uma predileção atávica pela família numerosa.

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