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Estudo aponta avanço na capacidade cognitiva das crianças

Pela 1ª vez, crianças tiveram um desempenho melhor em um teste cognitivo realizado por psicólogos da Universidade de Stanford nos últimos 50 anos

Estudo aponta avanço na capacidade cognitiva das crianças
O autocontrole das crianças melhorou no teste ao longo dos últimos 50 anos (Foto: Reprodução/Youtube)

“A geração de nossos pais foi pior do que a dos nossos avós. Nós, seus filhos, somos mais desprezíveis do que eles; então, devemos dar ao mundo descendentes ainda mais decadentes.” Essa era a evolução dos seres humanos na visão do poeta romano Horácio (65 a.C. – 8 a.C.)

Ao longo do tempo, outros tiveram a mesma opinião de Horácio. Os pessimistas dos últimos dois séculos acusaram, entre outros fatores, romances, rádio, jazz, rock and roll, televisão, filmes de terror, videogames, internet, smartphones e redes sociais como responsáveis pelo triste declínio dos jovens. John Protzko, um psicólogo da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, tinha uma visão diferente e quis prová-la.

Protzko pesquisou os resultados de um teste cognitivo chamado Experimento do Marshmallow realizado pela primeira vez na Universidade de Stanford na década de 1960 pelo psicólogo Walter Mischel, com o objetivo de testar o autocontrole de crianças. No experimento um pesquisador oferecia a uma criança a escolha de uma pequena recompensa imediata, um biscoito, um pretzel etc., ou duas recompensas se esperasse seu retorno, em geral, depois de 15 minutos. No final da série de testes os pesquisadores concluíram que as crianças que conseguiam esperar a recompensa maior tinham mais chances de sucesso na vida.

Protzko também examinou dados de 30 estudos realizados nos últimos 50 anos e consultou 260 especialistas em desenvolvimento cognitivo infantil. Pouco mais da metade disse que as crianças teriam mais dificuldade de esperar pela recompensa maior, talvez em razão dos estudos recentes sobre os efeitos prejudiciais da tecnologia moderna. Outros não previram nenhuma mudança de comportamento.

Apenas 16% dos especialistas fizeram a previsão correta, ou seja, que o autocontrole das crianças melhorou no teste ao longo dos últimos 50 anos. Em 1967, o tempo médio de espera era de cerca de três minutos. Em 2017, o tempo aumentou para oito minutos, um aumento em torno de um minuto por década. A pesquisa de Protzko mostrou que, ao contrário de Horácio e dos pessimistas, as mudanças na sociedade e no ritmo da vida atual aumentaram o autocontrole das crianças e o desempenho delas em muitos aspectos.

Fontes:
The Economist-Children have got much better at a famous psychological test

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1 Opinião

  1. Natanael Ferraz disse:

    Adoro estudos:
    John Protzko “(…) tinha uma visão diferente e quis prová-la.” Provar as próprias ideias não significa necessariamente descobrir a verdade, esta é a estratégia dos sofistas.

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