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Millenials exigem melhor licença-paternidade

Empresas vêm se adaptando a uma geração menos patriarcal, em que os homens querem compartilhar a criação dos filhos com as mulheres

Millenials exigem melhor licença-paternidade
Apenas 10,7 mil pais tiveram direito a licença paternidade em 2018-2019 (Foto: Kiefer.Wolfowitz)

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Yash Puri voltou dos três meses de licença-paternidade no início de novembro e logo começou a contar para os colegas de trabalho a experiência enriquecedora que tivera ao cuidar do filho recém-nascido.

No entanto, a história de Puri ainda não é comum no mercado de trabalho britânico. Um estudo da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, mostrou que só 9.200 pais de crianças recém-nascidas, pouco mais de 1% do total, tiveram licença-paternidade em 2017-18. Esse número aumentou para 10.700 em 2018-19.

Mas algumas empresas começaram a conceder licença-paternidade em resposta aos pedidos dos funcionários. O exemplo mais recente é o do banco Goldman Sachs, que em 4 de novembro anunciou que homens e mulheres teriam cerca de 20 semanas de licença-remunerada após o nascimento de filhos, mesmo em casos de adoção.

Em seguida, as empresas Standard Life Aberdeen e Vodafone anunciaram medidas semelhantes para seus funcionários.

Segundo Sarah Churchman, diretora de diversidade e inclusão da PricewaterhouseCoopers (PwC), muitos pais da geração do milênio querem estar mais presentes na criação dos filhos, sobretudo nos primeiros anos.

Em teoria, homens e mulheres deveriam ter oportunidades e remuneração iguais no mercado de trabalho. No Reino Unido, as empresas estão sendo obrigadas a divulgar os salários pagos aos funcionários a fim de evitar a desigualdade salarial.

Em um setor dominado por homens, a declaração do CEO do Goldman Sachs, David Solomon, de que as mudanças que estavam sendo feitas destinavam-se a ajudar os funcionários a progredir no início de suas carreiras, sem o ônus da maternidade exclusivo das mulheres, surpreendeu a comunidade financeira.

Os 6 mil funcionários do banco no Reino Unido terão direito a 26 semanas de licença-maternidade e paternidade remunerada. Em outros países, a licença será de 20 semanas.

A Standard Life Aberdeen, com sede em Edimburgo, concederá aos seus 4.564 funcionários nove meses de licença remunerada dividida em três períodos ao longo de dois anos.

Rose Thomson, diretora de recursos humanos da Standard Life Aberdeen, comentou como a ideia de que os pais precisam compartilhar os cuidados com os filhos pequenos com as esposas evoluiu nos últimos anos. “Quando tive meus filhos, hoje com 20 e 16 anos, meu marido teve direito a apenas uma semana de licença”, explica ela.

Na empresa global de telecomunicações Vodafone, os 92 mil funcionários terão 16 semanas de licença remunerada a partir de abril de 2020.

Outras empresas, como a operadora de telefonia móvel O2, concede 14 semanas de licença remunerada para todos os funcionários. Por sua vez, na empresa de alimentos e bebidas Diageo, os 4.500 funcionários têm direito a uma licença de 52 semanas, sendo que só as primeiras 26 semanas são remuneradas.

De acordo com John Palmer, consultor sênior de orientação profissional da empresa Acas, essa política na área de recursos humanos irá ajudar as empresas a atrair funcionários competentes em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. “É um diferencial importante”, disse. 

Leia mais: Quantos dias os pais têm direito na licença-paternidade?

Fontes:
BBC-Millennial men demand better parental leave

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