Início » Vida » Comportamento » O trabalho pede que sejamos hiperativos e isso precisa mudar
COMPORTAMENTO

O trabalho pede que sejamos hiperativos e isso precisa mudar

Psicólogos pensavam que os multitarefas possuíam controle anormal, mas evidências sugerem que eles não têm um dom específico para conciliar vários projetos

O trabalho pede que sejamos hiperativos e isso precisa mudar
Em muitas tarefas cognitivas os multitarefas têm um baixo desempenho (Foto: PxHere)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

As constantes notificações de mensagens que nos mantêm conectados a conversas de trabalho podem estar fazendo mais mal do que bem.

Nós sentimos que devemos responder – é sobre o trabalho, afinal. Mas estar sempre ligado significa que nunca temos a chance de pensar profundamente. E isso é um problema para as empresas que querem tirar o máximo proveito de seus funcionários.

A próxima grande revolução no escritório precisará corrigir isso, de acordo com Cal Newport, professor da Universidade de Georgetown e autor dos livros “Trabalho Focado” e “Minimalismo Digital”. Em trabalhos do setor do conhecimento, em que os produtos são criados usando inteligência humana em vez de máquinas, precisamos estar sempre ligados e preparados para múltiplas tarefas.

“No trabalho do conhecimento, o principal recurso é o cérebro humano e sua capacidade de produzir novas informações com valor”, destacou Newport.

Algumas pessoas pedem por multitarefa, mesmo quando sabemos intuitivamente que nossos cérebros lutam para se concentrar em mais de uma coisa de cada vez. Os psicólogos pensavam que os multitarefas possuíam controle anormal sobre sua atenção. Mas as evidências sugerem que os multitarefas não têm um dom específico para poder conciliar vários projetos.

De fato, em muitas tarefas cognitivas os multitarefas têm um baixo desempenho. Nossos cérebros têm uma capacidade limitada para o que eles podem trabalhar em qualquer momento. E os truques para fazer tanto em nosso dia de trabalho quanto possível pode estar fazendo mais mal do que bem.

Estar ligado em todos os momentos para pegar as coisas imediatamente nos faz infeliz, diz Newport. “Isso não combina com os circuitos sociais em nosso cérebro. Nos faz sentir mal que alguém está esperando por nós para responder a eles. Isso nos deixa ansiosos”.

“O trabalhador médio do conhecimento é responsável por mais coisas do que antes do e-mail. Isso nos torna frenéticos. Devemos estar pensando em como remover as coisas da mesa, não dando às pessoas mais o que fazer”.

A ideia de Newport é permitir que os trabalhadores façam menos trabalho, mas melhor. Eliminar a conversa desnecessária é importante, mas somente se a cultura da organização permitir uma comunicação mais lenta.

“Os gerentes gastam 85% do dia em reuniões, no telefone ou conversando com as pessoas sobre o trabalho, sem fazê-lo”, diz Newport. “É flexível e adaptativo, mas entra em conflito com o funcionamento do cérebro humano. Essas mudanças de contexto são devastadoras e acabam com você”.

O professor sugere, como muitos outros fazem agora, que a comunicação física é mais eficaz. Mas o importante é incentivar uma cultura em que a comunicação clara é a norma.

Newport está defendendo uma abordagem mais linear aos fluxos de trabalho. As pessoas precisam parar completamente uma tarefa para fazer a transição completa de seus processos de pensamento para o próximo. No entanto, isso é difícil quando estamos constantemente vendo e-mails ou sendo lembrados de tarefas anteriores. Alguns dos nossos pensamentos ainda estão no trabalho anterior – um efeito chamado resíduo de atenção.

As estimativas de quanto tempo nos leva a reorientar depois de uma distração variam. Mas no topo, um estudo descobriu que, em média, leva 23 minutos e 15 segundos para recuperar o foco profundo após uma interrupção.

Fontes:
BBC-How to escape the "hyperactive hivemind" of modern work

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *