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Transtornos da modernidade

Oniomania: compras acima do permitido

Distúrbio é caracterizado pela deliberação que o desejo por determinado produto provoca no paciente

Oniomania: compras acima do permitido
A vontade de comprar desordenada tornou-se uma doença que já atinge 2% da população mundial (Foto: Pixabay)

A segunda metade do século XX foi marcada por muitas transformações na sociedade. Junto com todas as novidades tecnológicas, desenvolvimento econômico de muitos países e, por consequência disso, melhoria na qualidade de vida, surgiram novos problemas também. Alguns transtornos mentais anteriormente nunca documentados começaram a surgir em meio à criação de meios de comunicação que difundiram conceitos que muitas vezes não podem ser adotados por todos.

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O incentivo ao consumo é um bom exemplo disso. A vontade de comprar desordenada tornou-se uma doença que já atinge 2% da população mundial. A oniomania – como é chamado este transtorno – pode demorar a ser diagnosticada, já que a prática do consumo é bem vista pela maioria da sociedade e pelo fato de muitos desejarem o status do poder de compra.

A oniomania é caracterizada pela deliberação que o desejo por determinado produto provoca no paciente. Não é apenas o consumo, o objeto, mas a satisfação ao concretizar a vontade crescente de compra que gera ansiedade e planejamento, tomando grande parte do tempo da pessoa. O Dr. Antônio Luciano, que trabalha em um programa da Associação Brasileira de Psiquiatria de desmistificação de transtornos e é coordenador científico da Interconsulta Psiquiatra Hospitalar, diz que existem pessoas com uma predisposição para a oniomania, mas que o problema é acentuado com a exposição à publicidade e à propaganda.

Segundo o especialista, apesar de muitos psiquiatras acreditarem que a oniomania seja um fenômeno da pós-modernidade, não há como se ter certeza, pois não existem artigos científicos que comprovem essa tese. O fato é que este e outros transtornos — como a síndrome do pânico, transtornos alimentares e compulsivos — começaram a ser identificados após os anos de 1950.

O tratamento

Nos Estados Unidos, o primeiro grupo de apoio para os dependentes de compras surgiu já na década seguinte ao início da identificação da doença, em 1968. Os Devedores Anônimos só chegaram ao Brasil em 1997, com reuniões em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Paraná. Os encontros semanais fazem parte do tratamento, que inclui ainda medicamentos e psicoterapia.

Além disto, é necessário dar fim a todas as formas de crédito do paciente, como cheques e cartões de crédito. Uma outra pessoa precisa assumir o controle financeiro da vida do paciente e ajudá-lo a se reorganizar. O Dr. Leandro diz que, apesar de a doença não ter cura, existem pessoas que conseguem recuperar o controle e deixar de tomar os medicamentos. Outras precisam do acompanhamento de remédios para sempre. “A pessoa cria estratégias internas que a ajudam a sofrer menos desta dependência”. Ele lembra também que esta compulsão é comum em pessoas portadoras de outros transtornos mentais, como o bipolar.

H. Vidal sofre de transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e apresentou a oniomania durante o tratamento. “Foi um efeito colateral do antidepressivo. Eu tive uma virada maníaca e gastei R$ 40 mil em livros e DVDs em dois meses”. O que diferencia o paciente que sofre de outra doença e apresenta a compulsão do portador de oniomania é justamente o imediatismo da compra. O Dr. Luciano explica que a pessoa compulsiva por compras delibera um tempo muito grande pensando na compra. “O processo da compra é o que caracteriza a oniomania. A pessoa passa horas ansiosa por satisfazer o desejo de ter algo e assim que o satisfaz já coloca outro no lugar. Ela não se importa com as dívidas, ou com o comprometimento de seus bens e renda. É de fato um vício. Diferente dos outros transtornos em que a pessoa olha, gosta e compra sem pensar como irá pagar”.

O psiquiatra também lembra que a oniomania, assim como os transtornos alimentares, atinge muito mais a população feminina. A média é de um homem para cada quatro mulheres afetadas pela doença. “No homem isto é menos característico ou menos divulgado por eles. Pode ser por uma questão cultural, o homem pode sentir vergonha desta exposição, ou mesmo pelos hábitos de compras serem diferentes entre os gêneros”. R. Soares, por exemplo, gastou toda a sua herança em carros. “Sempre que ficava para baixo comprava um carro ou uma caminhonete nova para as duas fazendas que meu pai deixou. Enchi os mais de 21 mil hectares de veículos e fiquei sem chão, sem ter onde morar”.

Assim como todo dependente, os consumidores compulsivos demoram a admitir seu vício. R. Soares diz que só admitiu quando viu sua mulher e filhos irem para a casa da sogra. “Minha mulher tentou me alertar, mas como dinheiro não era o problema eu dizia que ela não queria que eu gastasse muito em um carro para ela poder gastar tudo com blusinhas”. O Dr. Leandro alerta também para a questão financeira. Muitas pessoas com o poder de compra menor têm um menor grau de dependência e ao adquirir posições maiores a compulsão também cresce. O início da doença coincide com o fim da adolescência, mas o comportamento só se torna problemático cerca de dez anos mais tarde.

Nas mulheres, o transtorno se apresenta na quantidade de coisas adquiridas. T. Moura frequenta o D.A. há um ano e meio diz que conseguiu encontrar o equilíbrio,apesar de ainda sentir muita vontade de “torrar todo o pagamento de uma vez”. Ela precisou ser afastada do trabalho pela falta de produtividade, pois passava muitas horas planejando uma compra. “No inverno de 2007, quando o quadriculado voltou à moda, eu quis tanto uma calça nesse estilo que comprei umas cinco, mas apesar de gostar de todas, eu não encontrava a perfeita. Fiquei tão apreensiva de nunca encontrar que simplesmente só pensava nisso. Em que loja eu poderia procurar, que formatos de bolso, enfim, foi loucura, já se passaram dois anos e elas ainda estão com a etiqueta”.

Moura também contraiu uma dívida mensal quatro vezes maior do que sua renda. Ela explica que, como sempre comprou muito, em alguns lugares ficou conhecida e com crédito. Porém, na ocasião de seu afastamento, o volume de compras aumentou e ela paga por estas dívidas até hoje. “O segredo é não fazer o primeiro débito”, conclui.

 

10 Opiniões

  1. Glória Drummond disse:

    A onomania é uma espécie de orgasmo, alimentado pela mídia. Não há educação para o consumo nas escolas e até os mais carentes ficam à merçê da propaganda e publicidade subliminar. Quando não dá para comprar, assaltam, entram no mundo do crime. Ou consomem tudo o que ganham nos crediários.

    Fazer o quê, se o capitalismo se alimenta do consumismo desenfreado? Apenas o fundo do poço pode levar os consumistas a uma tomada de posição.

  2. Roseli Kleine disse:

    Por que? As pessoas estão comprando cada vez mais mesmo sem condições de pagar? Você liga a tv tem so propagandas compre este produto,você precisa esperimentar compre um leve dois totalmente gratis. Você liga o radio é amesma coisa,eu acho que eles incentivam demais as compras e assim as pessoas que não tem controle sobre comprar acabam querendo aquilo,porque elas acham que so tendo tal produto serão felizes.

  3. luiz antonio vieira barbi disse:

    SO 2% DA POPULACAO MUNDIAL?? ISTO E ALARMANTE?? E OS NOSSOS POLITICOS NAO DAO O EXEMPLO?? UM OTIMO EXEMPLO E O LULA QUE CISMOU QUE CISMOU QUE TINHA QUE TER UM AVIAO ZERO BALA…E O TEVE…

  4. Enzo disse:

    Esse parece ser o “pobrema” do nosso “amado” presidente:COMPRAR tudo aquilo que nunca pode,tipo aviãozinhos,jóias,carros,fazendas,coberturas,etc..etc..e tal,e,o voto do povinho sem vergonha,safado,que troca um voto por uns trocados!

  5. Dorival Silva disse:

    Priscila, se diz “a ver” e não o verbo “haver”. E se você tem compulsão por comer parece ser outro distúrbio.

  6. José Eduardo gomes disse:

    Quero opinar sobre o Presidente da Venezuela Hugo Chaves, já pensou se o Lula fosse deste jeito, louco e imprevisivel, nós Brasileiros estariámos perdidos, pode ser que a febr do petróleo subiu-lhe a cabeça, mas não nos eaqueçamos que o Brasil vai passsar de mero comprador de petráleo psara exportador, isto é, acumulando para si como pais rico em petróleo, iiso significa riqueza, mais recursoas para o nosso pib, precisamos estar atento para que as politicas sejam desenvolvidas para o bem estar social da nação , não abrido mão de poucos…

  7. Carlos disse:

    Nem precisava dizer que este éum transtorno das mulheres… o pior é q elas gastam o delas e o nosso!

  8. Priscila Santos disse:

    O meu problema com gastança é com comida.. será que tem haver? Eu não me importo qto vou gstar pra comer bem, maas sempre fico sme dinheiro, vou comendo até a conta zerar… será q tem haver???

  9. Tatiana Gomes disse:

    Acho q vou procurar um psiquiatra! tbm tenho várias roupas com mais deum ano no armário ainda com a etiqueta!!! e compro várias iguais de cores diferente! Ai Deus ajude-me!

  10. Evandro Correia disse:

    Uau, mais uma doença psíquica para assustar a gente: oniomania!

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