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Pais também moldam personalidade dos filhos no trabalho

Como o comportamento dos pais influencia a personalidade dos filhos, que se reflete não só na vida pessoal deles, como também no ambiente de trabalho

Pais também moldam personalidade dos filhos no trabalho
O mundo das relações afetivas na infância, sobretudo com os pais, cria padrões de apego (Foto: Pixnio)

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Diversos fatores afetam a forma como as pessoas se relacionam com os colegas no trabalho, como temperamentos diferentes, tipo de chefe e a cultura da empresa. No entanto, as razões pelas quais determinadas pessoas reagem mal às críticas, evitam pedir ajuda e têm medo do fracasso remontam à infância. 

O comportamento dos pais influencia a formação das crianças. Pais que resolvem os problemas de relacionamento de maneira amigável e construtiva criam filhos mais seguros e com autoestima maior, ao contrário de casais que têm brigas violentas diante dos filhos.

Segundo a teoria do apego, proposta pelo psicanalista britânico John Bowlby em meados do século passado, o mundo das relações afetivas na infância, sobretudo com os pais, cria padrões de apego, que revelam características da personalidade das pessoas.

Bowlby classificou os padrões de apego em categorias. No padrão seguro as pessoas confiam em seu valor e, por isso, sabem delegar tarefas e compartilhar ideias com seus colegas. No apego ambivalente, as pessoas querem e tentam se aproximar dos outros, porém temem ser rejeitadas. Por fim, no padrão esquivo a baixa autoestima e a falta de confiança faz com que as pessoas interajam pouco com os outros, como uma forma de proteção.

Alguns estudos aprofundaram a análise desses fatores cognitivo-comportamentais sugeridos por Bowlby. Uma pesquisa realizada com 157 participantes indicou que as pessoas cujos pais haviam se divorciado quando elas eram crianças, tinham desenvolvido um padrão de apego ambivalente.

Psicólogos da Universidade Purdue Calumet, em Indiana, EUA, entrevistaram 150 alunos de graduação e, em seguida, fizeram um estudo sobre a estrutura familiar deles e o relacionamento dos pais. Os jovens criados em ambientes em que havia uma permanente tensão familiar tinham reações típicas do padrão esquivo.

Nos últimos anos, um número crescente de pesquisas tem recorrido à teoria do apego para estudar o comportamento das pessoas no ambiente de trabalho. Nesse cenário competitivo, a autoconfiança, a baixa autoestima e o medo da rejeição são fatores fundamentais para o sucesso ou o fracasso de uma carreira.

Sabrina Ellis, enfermeira e psicóloga, lembra como se sentia assustada com a violência verbal e física entre os pais e, mais tarde, entre a mãe e o padrasto. “Cresci tentando me proteger de um mundo hostil e de pessoas nas quais não podia confiar. A dificuldade de me relacionar com outras pessoas de maneira saudável prejudicou o início de minha carreira”, disse Sabrina. 

Kiran Kaur, consultora em administração, tem sentimentos ambíguos em relação à influência dos pais. “Eles evitavam conflitos em seu relacionamento, mesmo em momentos de tensão visíveis, e não eram abertos a discussões com pessoas de opiniões diferentes. Esse comportamento fez com que eu adquirisse mais autocontrole, importante nas relações de trabalho, mas dificultou meu trabalho em equipe por não estar também aberta a discussões”, observou Kiran.

Fontes:
BBC-How your parents may have shaped the way you act at work

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