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Grandes brasileiros

Conheça a trajetória do sanitarista Emílio Ribas

O sanitarista completa nesta segunda-feira 149 anos de nascimento

Conheça a trajetória do sanitarista Emílio Ribas
Emílio Ribas é natural de Pindamonhangaba, São Paulo

Ao lado de Oswaldo Cruz, Emília Ribas é um dos grandes brasileiros que compõem a lista de incompreendidos profissionais de saúde que, na virada do século XX, tentaram combater as grandes epidemias no campo e nas cidades brasileiras. A luta mais marcante do sanitarista foi contra a febre amarela.

Ele provou que a doença era transmitida pelo mosquito “Aedes aegypti” – que também transmite a dengue –, contrariando o senso comum de que a transmissão ocorria por contato direto, além disso, conseguiu encontrar uma saída para extinguir a doença em São Paulo. Nesta segunda-feira, o sanitarista completa 149 anos de nascimento.

Ribas é natural de Pindamonhangaba, São Paulo. Ele era filho Cândido Marcondes Ribas e D. Andradina Marcondes Machado Ribas. Antes de se tornar um destemido cientista em busca da saída para epidemias de febre amarela, Ribas se formou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1887. Depois de se casar com D. Maria Carolina Bulcão Ribas, começou a clinicar na cidade de Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo.

Em 1895, ele se tornou inspetor sanitário e foi auxiliar do Dr. Diogo Teixeira de Faria, no Desinfetório Central, onde teve a oportunidade de trabalhar no combate de várias doenças epidemiológicas, como a própria febre amarela, na capital e no interior.

Um ano depois, foi promovido a Chefe da Comissão Sanitária de Campinas. Em 1898, foi nomeado Diretor Geral do Serviço Sanitário, cargo que exerceu por 20 anos e se aposentou em 1917.

Ribas contraiu febre amarela, a fim de provar sua tese

Na trajetória do sanitarista, um dos episódios que marcam sua importante contribuição para o combate da febre amarela foi a experiência de se deixar picar por um mosquito contaminado, a fim de provar que o contágio da doença não era por meio de contato direto.

Ele ficou trancado em uma sala com o mosquito contaminado, enquanto voluntários, em outro lugar, dormiram vestindo camisas sujas de secreções de doentes. A experiência, que aconteceu no Hospital de Isolamento de São Paulo, resultou no adoecimento de Ribas, que felizmente ficou apenas algumas semanas de cama, e teve sua tese comprovada.

Ele publicou em 1901 o trabalho científico “O mosquito considerado como agente de propagação da Febre Amarela”. A partir disso os doentes deixaram de ser tratados em isolamento. O Hospital de Isolamento de Doenças Contagiosas passou a se chamar Hospital Emílio Ribas e se tornou o maior centro de infectologia da América Latina.

Em 1903, no 5º Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia, o médico apresentou sua tese e defendeu que os métodos de controle da doença deveriam estar direcionados ao extermínio do mosquito. Em 1904, a doença foi extinta no estado de São Paulo, tendo a campanha de Ribas ocorrido simultaneamente à campanha de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. O médico paulista realizou ainda campanhas contra a peste bubônica, a tuberculose e a hanseníase.

O legado do sanitarista também inclui a criação do Instituto Butantan, em 1899; a idealização de Campos do Jordão, São Paulo, como estância climática para o tratamento de tuberculose e a idealização do Sanatório de Santo Ângelo, o primeiro com características mais humanas de assistência aos hansenianos no Brasil. Ele morreu em 19 de dezembro de 1925, aos 63 anos.

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2 Opiniões

  1. EDVALDO TAVARES disse:

    EMÍLIO RIBAS – SANITARISTA INCOMPREENDIDO

    Para demonstrar a sua tese que o vírus da febre amarela era transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, esse grande sanitarista brasileiro trancou-se numa sala e deixou-se picar por mosquito contaminado.

    É louvável esta iniciativa do O&N permitindo aos seus leitores fazerem sugestão de publicação de artigos enaltecedores de grandes brasileiros. Tal procedimento oferece a todos que acessam este informativo , em especial aos estudantes, a oportunidade de conhecer a lavra de grandes brasileiros que este país produziu e produz.

    É de grande momento este, empesteado por cotas raciais e tutelagem de negros/afrodescendentes incapazes de aprovação em vestibulares normais para as Universidades, a publicação da biografia do médico negro Juliano Moreira que, aos 23 anos de idade tornou-se o mais novo professor da faculdade de Medicina da Bahia ao encarar uma banca escravocrata numa instituição racista, apenas oito anos (1896) após a Libertação dos Escravos (1888) obtendo 15 notas dez.

    BRASIL ACIMA DE TUDO. SELVA!

    EDVALDO TAVARES, MÉDICO E DIRETOR EXECUTIVO DO SISTEMA RAIZ DA VIDA (SRV), http://www.raizdavida.com.br, BRASÍLIA/DF

  2. DANIELE disse:

    ENQUANTO LEMOS ASSUNTOS MARAVILHOSOS COMO ESTA MATÉRIA “Conheça a trajetória do sanitarista Emílio Ribas”. TEMOS QUE NOS DEPARAR COM O PRECONCEITO COMO MOSTRA O COMENTÁRIO DE “EDVALDO TAVARES, MÉDICO E DIRETOR EXECUTIVO DO SISTEMA RAIZ DA VIDA (SRV)”. A CULPA NÃO É DESTES “negros/afrodescendentes incapazes de aprovação em vestibulares normais para as Universidades” E SIM DO SISTEMA DE ENSINO E DAS CONDIÇÕES FINANCEIRAS, PORQUE A UNIVERSIDADE ESTÁ EMPESTEADA DA ELITE BRANCA, PRINCIPALMENTE NA ÁREA DA SAÚDE, INFELIZMENTE HOJE, POUCAS SÃO AS PESSOAS QUE NÃO SÃO EGOÍTAS.

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