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Creche e pré-escola

Educação desde o berço

Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) confirmam: quanto mais cedo a criança entra na escola, mais chances ela tem de se capacitar profissionalmente e de ganhar melhores salários. O que pouca gente sabe é que esse “cedo” inclui a creche e a pré-escola. Estima-se que, em média, cada ano de pré-escola pode acrescentar 6% na remuneração profissional.

O acesso a creches e pré-escolas de qualidade garante, principalmente para crianças de camadas mais pobres da população, uma alimentação mais equilibrada, um ambiente de socialização e um desenvolvimento educacional que pode contribuir para o seu sucesso profissional, no futuro.

Em matéria de oferta de vagas na Educação Infantil (EI), o Brasil ainda engatinha. Existem hoje, segundo o IBGE, mais de 20 milhões de crianças de 0 a 6 anos, mas apenas 7 milhões freqüentam creches e pré-escolas.

A falta histórica de políticas públicas para a EI contribuiu para isso. Só a partir da Constituição de 1988 é que se reconheceu o valor dessa fase educacional. Em 2007, a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) incluiu a EI, o que significa um grande avanço em investimentos na área.

Foco na qualidade do ensino

Em 2006, pelo menos 86% das crianças de 0 a 3 anos não estavam em creches. Na pré-escola, o quadro melhora bastante: cerca de 29 % das crianças de 4 a 6 anos ainda não eram atendidas. Para a professora Sonia Kramer, coordenadora do curso de especialização em EI, do Departamento de Educação da PUC-Rio, o Brasil já melhorou muito o atendimento educacional às crianças pequenas: “Na década de 70, das 23 milhões de crianças que existiam, apenas 3,5% recebiam algum atendimento. Com o Fundeb, pela primeira vez há uma política efetiva de investimentos para esse nível de ensino. Mas é preciso avaliar que escola infantil é essa que queremos.” Para ela, não basta garantir o acesso — até porque freqüentar a creche e a pré-escola não é obrigatório por lei –, é preciso prioritariamente investir na qualificação do professor. “A interação da criança com outras crianças e com educadores bem preparados envolve uma produção cultural que pode trazer possibilidades maiores de aprendizado. Quanto melhor for a qualidade da Educação Infantil, mais efetivo será o desenvolvimento humano da criança”, afirma.

Um direito humano

Num país desigual como o Brasil, o acesso à Educação Infantil não é apenas um direito constitucional. Para Sonia, é um direito humano: “Em regiões muito pobres do país, o acesso à creche pode significar, principalmente, uma chance de sobrevivência.”

Outro obstáculo que pode explicar a pouca oferta e a baixa freqüência de crianças nas creches é a desinformação: “Muitos pais acham que a criança pode ficar em casa até os 3 anos, que não faz diferença. Mas faz, e muita, quando a creche é de qualidade. É preciso que a sociedade se mobilize e exija dos governos mais atenção para isso. E que não se perca nunca de vista a busca pela qualidade, não só na Educação Infantil, mas em todos os outros níveis de ensino.”

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10 Opiniões

  1. Diógenes Pereira de Araújo disse:

    Sugiro rever sua opinião: "Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) confirmam: quanto mais cedo a criança entra na escola, mais chances ela tem de se capacitar profissionalmente e de ganhar melhores salários."
    A educação não pode se fazer em função de ganhar melhores salários, mas de ser pessoa melhor formada.
    Cita: ""A interação da criança com outras crianças e com educadores bem preparados envolve uma produção cultural que pode trazer possibilidades maiores de aprendizado. Quanto melhor for a qualidade da Educação Infantil, mais efetivo será o desenvolvimento humano da criança"¿Quer dizer que existem educadores não bem preparados?!
    A educação parte da pessoa.

  2. Markut disse:

    Educação infantil , quanto mais cedo melhor, é o ponto nevrálgico do desenvolvimento de uma nação.
    Infelizmente, na nossa cultura,não aparece um lider político, com apetite cívico suficiente para ajudar a desfraldar essa bandeira da escolaridade eficiente, que deve ser não só quantitativa, mas tambem qualitativa.
    Um raciocínio cínico ,porem realista, nos leva à conclusão que a classe política não tem interesse em permitir que a massa seja mais esclarecida e consciente dos seus direitos e , claro, das suas obrigações, pois a carreira política está, historicamente, toda vinculada com a desinformação e o engodo assistencial demagógico.
    Passa a ser secundário o prejuizo que isso significa para a cidadania.
    De outro lado,a parte da sociedade que tem consciência do que está acontecendo, não tem voz, nem vez para exigir o cumprimento desse dever do Estado.
    Romper esse círculo vicioso é que é o grande desafio.

  3. Paulo Salomão disse:

    Não concordo com o Sr. Diógenes. O texto mostra apenas uma das várias funções da educação, que é também ajudar a formar profissionalmente a pessoa. Mas em nenhum momento se afirma que uma coisa é necessariamente consequência da outra, mas possibilidade. Se só uma educação escolar de qualidade fosse sinônimo de "melhores pessoas", não veríamos filhos de classe média alta – que puderam estudar nas melhores escolas – queimando índios, espancando domésticas e se drogando em festas rave. E o inverso também: filhos da pobreza, sem acesso ao ensino de qualidade, seriam bandidos sem limites nem escrúpulos. A educação de valores deve ser função e obrigação da família. A escola busca esse caminho, mas de nada adianta se a família não faz a sua parte.
    Quanto à citação, a professora Sonia Kramer é uma das maiores especialistas no tema, e sua bandeira é a qualidade da formação do professor. E não, não temos, infelizmente, educadores bem preparados, nem na educação infantil, nem nos outras faixas de ensino, porque não se investe nisso.
    O senhor diz que a educação parte da pessoa, mas eu acredito que educação é, acima de tudo, exemplo, dentro e fora da escola. E a criança deve ter esse exemplo, primeiramente, dentro de casa. A escola é um complemento, e cuida da educação formal das pessoas.

  4. João Cândido da Silva Neto disse:

    É lamentável que ainda se pense em Educação apenas para se ter bom salário e, como dizem por aí, "ser alguém na vida". É simplesmente ridículo este pensamento. Precisamos encarar a Educação como forma de aprimoramento do Ser Humano: o profissional será formado em seguida.
    A Escola brasileira é de uma burrice espantosa.

  5. william disse:

    O texto da patricia retrata uma realidade embasada em dados, no óbvio.A busca da felicidade é um principio primitivo da humanidade. Ou quem protesta o texto acha possivel ser feliz ganhando salario minimo

  6. auzier disse:

    achei ótimo o texto da Patricia Costa,porque apesar de eu ter o curso superior só fui para a escola verdadeira aos 10 anos , e custei muito a compeender coisas que para outras crianças éra fichinha, e olha que minha mãe era uma excelente professora.

  7. Luciano disse:

    A educaçao é uma dos fatores deflagadores do desenvolvimentodequalquer naçao.Por isso quanto mais cedo melhor

  8. Ana Paula Guida disse:

    Concordo com o texto da Patricia, pois hoje vivo na pratica essa realidade. Não tive Ed. Infantil e ao entrar na Faculdade de Pedagogia percebi o quando fui prejudicada por não passar por essa fase de desenvolvimento, por exemplo: ao escrever um texto eu me policio para que as palavras não ficam soltas. Espero que todas as crianças tenham acesso a Ed. Inf. e que seja uma obrigação dos pais e da sociedade, não para torná-los profissionais voltados para ganharem bons salários, mas sim pessoas pensantes,dignas e capazes de ingressarem na mercado de trabalho.

  9. Markut disse:

    Quanta confusão!!
    A educação deve ser entendida como um investimento obrigatório e prioritário do poder constituido ,do Estado.
    Em algum momento,temos que desfazer o dilema de quem veio antes : o ovo ou a galinha.
    A educação , de fato, deve ser estimulada pela família, através de uma cultura herdada.
    Mas, como pensar nisso, sem um "start", promovido pelo Estado, numa população que não teve oportunidades de forjar essa cultura , no seu seio?
    Evidentemente é um trabalho de gerações.
    Se continuarmos com o velho hábito dos nossos políticos, de desfazer o que o antecessor fez, então nunca chegaremos lá.
    O triste dilema é que , para isso, será necessário que o eleitor seja mais esclarecido, ao escolher os seus representantes. o que significa melhor escolaridade.
    A tragédia está em saber como se rompe esse círculo vicioso!!!!.

  10. leandro disse:

    eu achei bom,pois é o início da vida q se aprende

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