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Escolas menos rígidas ganham força nos EUA

Regras disciplinares menos rígidas e maior atenção às individualidades estão melhorando o desempenho escolar de crianças e jovens nos EUA

Escolas menos rígidas ganham força nos EUA
Diretores e professores de escolas estão repensando seus métodos disciplinares (Foto: Pixabay)

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Quando se ouviram os tiros na Houston Elementary School, Rembert Seaward e Darryl Webster, o diretor e o assistente social da escola, jogaram-se no chão para se protegerem. Mas um aluno pequeno continuou de pé e começou a rir, “São só uns tiros”, disse. O menino contou que brincava sempre com a pistola semiautomática TEC-9 do pai. “Essas crianças têm apenas 6 anos, mas vivem experiências algumas vezes traumáticas”, observou Webster.

Quase todos os alunos que frequentam a escola Houston Elementary, em Washington, DC, são pobres e muitos têm pais na cadeia. Alguns moram em abrigos para pessoas sem-teto e nunca tiveram uma festa de aniversário, até Webster organizar uma festa na escola. Não surpreende, portanto, que sejam rebeldes. Mas, ao contrário de muitas outras escolas, os alunos indisciplinados quase nunca são suspensos das aulas. “Precisamos ensiná-los que existe amor no mundo”, disse Seaward.

Diretores e professores de escolas públicas tradicionais e escolas charter, mantidas com recursos públicos, mas cuja gestão é privada, estão repensando seus métodos disciplinares. Reformadores liberais, preocupados com a desigualdade racial na aplicação de punições e com a criminalização de jovens negros, querem reduzir ao máximo possível os castigos impostos aos alunos. Os que defendem o antigo modelo disciplinar, como a secretária de Educação, Betsy DeVos, acham que a tolerância excessiva está prejudicando a segurança escolar.

Na década de 1990, os distritos escolares, responsáveis pela administração de escolas públicas em determinadas regiões, começaram a adotar políticas rígidas de “tolerância zero”, mesmo para pequenas infrações. Um aluno foi suspenso por ter dado ao bolo servido no café da manhã a forma de uma arma; um menino de 9 anos foi submetido a uma avaliação psiquiátrica por ter ameaçado usar um elástico para atirar um pedaço de papel em um colega; uma criança de 6 anos foi suspensa por ter trazido um cortador de unhas para a escola.

No período letivo de 2013 a 2014, o último com dados disponíveis, os alunos negros foram punidos com um número maior de suspensões do que os brancos. Segundo as diretrizes educacionais do governo Obama, as políticas disciplinares seriam consideradas racialmente discriminatórias se tivessem um “impacto desigual” nas minorias. Diante do receio de uma investigação federal, muitos distritos escolares reformularam suas regras.

Diversos fatores como a maior exposição de crianças negras à pobreza e ao crime, explicam as elevadas taxas de suspensão e expulsão das escolas. Mas um estudo destinado a avaliar o preconceito racial no ambiente escolar usou dados de brigas entre alunos brancos e negros no estado de Louisiana. Os autores do estudo encontraram apenas uma pequena desigualdade na punição imposta aos alunos, em que os negros foram suspensos por mais 0,05 dias, em comparação com os brancos.

“Seria muito fácil reduzir a taxa de suspensão para 0%”, disse Jon Clark, diretor adjunto da Brooke Charter Schools, uma rede de escolas bem conceituada em Boston. Mas a recusa em punir crianças que se comportam mal prejudicaria o aprendizado dos colegas e o trabalho pedagógico dos professores.

No entanto, apesar das opiniões divergentes, muitas escolas estão reformulando suas regras disciplinares. O programa Positive Behavioural Interventions and Support (PBIS) incentiva as escolas a incluírem no currículo uma matéria sobre bom comportamento. Outra estratégia educacional, em que a má conduta é vista como uma violação às regras das relações interpessoais, mostra às crianças como seu comportamento prejudica sua convivência com outras pessoas.

A rede escolar KIPP, que atua em bairros de população carente, tem excelentes resultados no aprendizado de seus alunos, baixa taxa de evasão e um percentual significativo de estudantes que cursam universidades. Agora, está valorizando a “curiosidade, coragem e desenvoltura” dos alunos, disse Richard Barth, CEO da organização. Em 2009, as escolas da rede KIPP na Filadélfia aboliram o uso do “banco”, onde alunos indisciplinados sentavam-se isolados dos colegas, e há anos não expulsam um aluno, observou Marc Mannella, diretor do escritório regional.

O comportamento é mantido sob controle de outras maneiras, como na escola KIPP Philadelphia Elementary, onde os alunos de oito anos praticam ioga antes do início das aulas para relaxarem e se concentrarem mais nos estudos.

Fontes:
The Economist-Tough love falls out of fashion in America’s schools

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