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O que o MEC fazia no Mercosul?

Abraham Weintraub anunciou a saída do MEC do Mercosul. Parlamentares apontam medida como afastamento do Brasil. Saiba qual era o papel do ministério no bloco

O que o MEC fazia no Mercosul?
Setor Educacional do Mercosul foi criado em 1991 (Fotos: Luis Fortes/MEC)

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O ministro da Educação, Abraham Weintraub, comunicou nesta sexta-feira, 29, que o Brasil está de saída do Setor Educacional do Mercosul. O chefe da Pasta, porém, afirmou que as parcerias atuais com o bloco econômico serão mantidas.

Weintraub justificou a saída apontando uma “falta de eficiência e de resultados práticos que impactassem positivamente na melhoria de índices gerais da Educação, ao longo de 28 anos, mesmo com o investimento de recursos e presença política do Brasil”.

O Setor Educacional do Mercosul (SEM) foi criado em 1991, com o objetivo de elaborar e implementar projetos conjuntos educacionais em toda a América do Sul. Pelo Brasil, todas as secretarias do Ministério da Educação (MEC) participavam das reuniões multilaterais, normalmente semestrais.

O principal objetivo do SEM era, segundo o site da entidade, era formar um espaço educacional comum, permitindo a articulação de políticas entre os países para, desta forma, integrar todo o bloco econômico, além de países associados.

“Somente o ministro brasileiro e o do Paraguai compareceram. Argentina enviou apenas um representante e o Uruguai não esteve presente. Não rompemos relações com os vizinhos. O diálogo permanece e futuros acordos, que tragam entregas efetivas, poderão ser firmados bilateralmente”, garantiu Weintraub pelas redes sociais.

Segundo um comunicado do MEC, a relação com os outros países será mantida, assim como as parcerias já firmadas no setor de Educação. Ademais, a nota explica que o Brasil vai parar de participar das reuniões com os outros membros do setor de Educação do Mercosul, firmando apenas relações e acordos bilaterais quando necessário.

O movimento, em si, não retira o Brasil do bloco econômico, constantemente criticado por membros do governo Bolsonaro. No entanto, a medida de retirar a Educação do Setor Educacional do MEC chamou a atenção de críticos do governo, que apontaram um possível afastamento do bloco.

“Dizer que os resultados da cooperação do Mercosul são irrelevantes é desculpinha pior que certos preços da #BlackFraude. Pois é isso mesmo: esse governo e esse ministro são uma fraude”, escreveu a deputada federal Margarida Salomão (PT-MG), que já foi reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

“O ministro-cavalgadura da Educação resolve se afastar do Mercosul. Mais um retrocesso”, afirmou o deputado federal Rui Falcão (PT-SP).

O Brasil ameaça deixar o Mercosul desde outubro de 2018, poucos dias depois da ascensão de Jair Bolsonaro (sem partido) à presidência da República. Na época, o economista Paulo Guedes, atual ministro da Economia, já havia afirmado que o bloco econômico não era uma prioridade.

Mais recentemente, com a então possibilidade da chapa Fernández-Kirchner vencer a corrida presidencial na Argentina, o que ocorreu, Guedes voltou a falar sobre uma possível saída do Brasil do Mercosul. Na ocasião, o ministro da Educação disse que o país poderia deixar o bloco econômico caso a chapa Fernández-Kirchner apresentasse resistência à abertura econômica.

Em seguida, foi a vez do presidente Jair Bolsonaro se posicionar sobre o Mercosul. No último mês de outubro, o presidente brasileiro ameaçou isolar a Argentina no bloco econômico em caso de vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner.

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