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EDUCAÇÃO

Reitores vão à Justiça contra Weintraub

Associação Nacional aciona judicialmente o ministro da Educação para que preste esclarecimento sobre acusação de produção de drogas em campus

Reitores vão à Justiça contra Weintraub
Afirmações de Weintraub ganharam a internet no último dia 22 de novembro (Foto: Gabriel Jabur/MEC)

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A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) acionou a Justiça contra declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre suposta produção de drogas nas universidades federais. O objetivo é fazer com que o ministro preste esclarecimentos sobre suas afirmações.

O caso ganhou as manchetes no último dia 22 de novembro, quando um trecho de uma entrevista de Weintraub para o programa “7 Minutos com a Verdade”, do Jornal da Cidade, foi divulgado. Nele, o ministro da Educação afirmou que laboratórios de química de universidades estavam sendo utilizados para produção de drogas sintéticas, além de apontar “plantações extensivas” de maconha em terrenos universitários.

“Você tem plantações de maconha, mas não são três pés de maconha, são plantações extensivas em algumas universidades a ponto de ter borrifador de agrotóxico, porque orgânico é bom contra a soja, para não ter agroindústria no Brasil, mas na maconha deles eles querem toda a tecnologia que tem à disposição”, disse o ministro.

No mesmo dia, a Andifes emitiu uma nota questionando as afirmações de Weintraub. No último dia 22 de novembro, a associação já havia levantado a possibilidade de acionar o ministro da Educação judicialmente.

“Se o Sr. Ministro da Educação busca, mais uma vez, fazer tais acusações para detratar e ofender as universidades federais perante a opinião pública, mimetizando-as com organizações criminosas, ele ultrapassa todos os limites da ética pública, indo aliás muito além até de limites que já não respeitava. Nesse caso, o absurdo não tem precedentes. De outro lado, se o Sr. Ministro, enquanto autoridade pública, efetivamente sabe de fatos concretos, sem todavia apontar e denunciar às autoridades competentes de modo específico onde e como ocorrem, preferindo antes usá-los como instrumento de difamação genérica contra todas as universidades federais brasileiras, poderá estar cometendo crime de prevaricação. Assim, diante dessas declarações desconcertantes, a ANDIFES está tomando as providências jurídicas cabíveis para apurar eventual cometimento de crime de responsabilidade, improbidade, difamação ou prevaricação”, afirmou a entidade através do comunicado.

Agora, na última quinta-feira, 5, a Andifes usou as redes sociais para anunciar que estava acionando Weintraub judicialmente para que “preste esclarecimentos sobre afirmações recentes contra as universidades federais”. Em resposta ao jornal Globo, o Ministério da Educação afirmou que ainda não foi notificado pela Justiça.

Ao receber inúmeras críticas pelas afirmações sobre as universidades federais, Weintraub usou as redes sociais para compartilhar dois casos em específico. No primeiro, o ministro usou uma publicação da página UnB Livre sobre uma suposta plantação de maconha da Universidade de Brasília (UnB) – a notícia, no entanto, era de 2017 e foi provado que as plantas não estavam na instituição.

No segundo, a notícia compartilhada pelo ministro da Educação, de maio deste ano, aponta uma investigação da polícia sobre a suposta produção de drogas sintéticas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No caso, os condenados pela produção da droga não tinham vínculo com a universidade.

“Em seu twitter, o Senhor MINISTRO apresentou reportagens com a pretensão de validar o conteúdo de sua entrevista. No entanto, mais do que rapidamente, as próprias universidades (como as Notas da UnB e da UFMG acima indicadas demonstram), a imprensa e a comunidade – ao apresentar os casos tais como efetivamente se deram e foram analisados, julgados e concluídos pelas autoridades competentes – acabaram por demonstrar que os tuítes do INTERPELADO não poderiam ser considerados como prova alguma de qualquer prática delituosa no âmbito das universidades indicadas. […] E mesmo que o fosse, admitindo para efeito de raciocínio, não poderia ter sido atribuída a todas as universidades brasileiras”, diz um trecho da ação replicado pelo Globo.

Além da ação judicial movida pela Andifes, o ministro Abraham Weintraub também está sendo convocado pela Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre as suas declarações sobre as universidades federais. Através de um Requerimento de Informação, o deputado federal Jesus Sérgio (PDT-AC) solicitou esclarecimentos acerca das declarações de Weintraub.

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