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Espécies oceânicas podem enfrentar extinção em massa

Pesquisa reuniu dados de inúmeras fontes. Os estudiosos dizem que a situação ainda pode ser revertida

Espécies oceânicas podem enfrentar extinção em massa
Estudos científicos sobre a saúde dos oceanos estão sujeitos a incertezas, já que é muito mais difícil julgar o bem-estar de uma espécie que vive debaixo d'água, do que acompanhar a saúde de uma espécie terrestre (Reprodução/ Internet)

Uma equipe de cientistas, em uma análise inovadora de dados, concluiu que os seres humanos estão à beira de causar danos sem precedentes para os oceanos e os animais que lá vivem.

“Podemos estar diante de um grande evento de extinção”, disse Douglas J. McCauley, ecologista da Universidade da Califórnia, EUA, e um dos autores da pesquisa, publicada no jornal Science.

Dr. McCauley e seus colegas de pesquisa procuraram uma imagem mais clara da saúde dos oceanos, reunindo dados a partir de inúmeras fontes, como registro fóssil, capturas de peixes e mineração do solo oceânico. Embora muitas das conclusões não sejam novas, esses dados nunca foram justapostos dessa forma antes. Especialistas dizem que o resultado foi uma síntese notável.

“Nós tivemos sorte em muitas formas. Os impactos estão se acelerando, mas eles não são tão ruins de uma forma que não iremos conseguir revertê-los”, disse Malin L. Pinsky, bióloga marinha da Universidade de Rutgers, EUA, e uma das autoras da pesquisa.

Estudos científicos sobre a saúde dos oceanos estão sujeito a incertezas, já que é muito mais difícil para os pesquisadores julgar o bem-estar de uma espécie que vive debaixo d’água, do que acompanhar a saúde de uma espécie terrestre.

Registros históricos e atuais

Segundo os cientistas, já há sinais claros de que os humanos estão danificando os oceanos num nível elevado. Algumas espécies oceânicas já foram extintas e muitas espécies perderam seu habitat natural, o que, segundo os cientistas, pode acontecer mais rapidamente com o avanço da tecnologia. Os recifes de corais, por exemplo, têm diminuído em 40% em todo o mundo, o que acontece, em parte, como resultado das mudanças climáticas. Alguns peixes também estão migrando para águas mais frias. Ao mesmo tempo, as emissões de carbono estão alterando a química dos oceanos, deixando as águas mais ácidas.

Os oceanos são tão grandes que parece que seus ecossistemas nunca vão mudar. Mas o dr. Loren McClenachan,  da Colby College, alerta que o registro fóssil indica que um desastre global já devastou os oceanos antes. “As espécies marinhas não estão imunes a uma extinção em larga escala”. O registro fóssil indica que um grande número de espécies foi extinta, quando os humanos chegaram aos continentes e às ilhas. Depois da Revolução Industrial, o ritmo das extinções se acelerou. Ao longo dos últimos cinco séculos, os pesquisadores registraram 514 extinções de animais terrestres. No entanto, os autores do novo estudo descobriram que os casos documentados de espécies oceânicas eram muito mais raros.

“Se no final do século não estivermos fora da curva que estamos agora, eu não tenho muita esperança nos ecossistemas oceânicos. Mas se nesse meio tempo, nós tivermos uma chance de fazer o que temos de fazer, nós teremos algumas décadas mais do que pensávamos. Então, por favor, não vamos desperdiçar essa chance”, disse o biólogo marinho Stephen Palumbi, um dos autores da pesquisa.

Fontes:
The New York Times-Ocean Life Faces Mass Extinction, Broad Study Says

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