Início » Vida » Meio Ambiente » Existem mais de 269 mil toneladas de plástico nos oceanos, diz estudo
Meio Ambiente

Existem mais de 269 mil toneladas de plástico nos oceanos, diz estudo

Segundo a equipe de Marcus Eriksen, há mais de 5 trilhões de peças plásticas flutuando pelos oceanos do planeta

Existem mais de 269 mil toneladas de plástico nos oceanos, diz estudo
Foto da região de Açores, em Portugal. Resíduos menores afundam e podem ser ingeridos por organismos marinhos (Foto: Reprodução/Marcus Eriksen)

Desde a década de 1990, pesquisadores sabem da existência de ilhas de lixo nos oceanos. Porém, somente agora as pesquisas começam a demonstrar a dimensão real desse problema ambiental.

Uma pesquisa publicada na última quarta-feira, 10, no periódico especializado Public Library Of Science (PLOS One) estima que existem mais de 269 mil toneladas de plástico, divididas em 5 trilhões de peças de vários tamanhos, nos oceanos. Esse lixo atinge mesmo as áreas mais isoladas do planeta.

Segundo o líder da pesquisa, Marcus Eriksen, os navios que realizaram o estudo viajaram pelos mares coletando peças de plástico com redes para, através de um programa de computador, desenvolver uma estimativa da quantidade de detritos espalhada pelos mares. A maior quantidade de lixo provém de boias e redes de pesca abandonadas nas águas. Eriksen é também cofundador do 5 Gyres Institute, um grupo sem fins lucrativos que realiza pesquisas científicas em busca de soluções para a poluição mundial.

O pesquisador defende a criação de um programa que financie navios de pesca para quem recupera redes abandonadas no mar, como forma de combater esse tipo de poluição. Porém, isso não seria a solução para os outros resíduos encontrados nos oceanos, como garrafas, escovas de dente, bolsas e outros detritos. As peças de lixo colidem devido à correnteza e a ação do sol torna essas peças quebradiças, transformando-se em ilhas de lixo em pedaços.

A equipe do Dr. Eriksen se mostrou surpresa ao encontrar partículas do tamanho de grãos de areia, em menor número do que eles esperavam. O pesquisador acredita que isso se deve ao fato dessas pequenas partículas afundarem e serem ingeridas por animais marinhos.

Partículas menores contaminam animais

A diminuição dos detritos plásticos não é uma boa notícia. Segundo biólogos marinhos, essa redução de tamanho é pior do que a existência de grandes resíduos à vista. Isso porque o plástico possui substâncias tóxicas que, se ingeridas por microrganismos marinhos, podem contaminar vários animais desse ecossistema, podendo chegar até os seres humanos.

Segundo a bióloga marinha da Universidade da Califórnia, Chelsea M. Rochman, o plástico é altamente contaminante e pode destruir a cadeia alimentar nos ecossistemas em que está flutuando.

Nancy Wallace, diretora do programa de detritos marinhos do National Oceanic and Atmospheric Administration, afirmou que as pesquisas são vitais para a resolução do problema de resíduos flutuantes. Segundo ela, é necessário aprofundá-las para saber onde estão as menores partículas. “É prematuro dizer que tem menos plástico no oceano do que imaginávamos. Pode ser apenas que não sejamos capazes de ver tudo”.

Empresas têm acordo de redução

Dr. Eriksen acredita que as empresas precisam parar de produzir resíduos plásticos pequenos e que sem essa contribuição, a tendência é que o ambiente marinho seja prejudicado de forma definitiva.

O Conselho Americano de Química falou em nome das indústrias e afirmou que acordos já foram assinados buscando a solução para o problema. Incluindo a Declaração Global das Empresas de Plástico para Lixo Marinho.

Fontes:
New York Times-Study Gauges Plastic Levels in Oceans

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *