Início » Notícia » Jaca: uma fruta exótica que pode salvar milhões da fome
SAÚDE

Jaca: uma fruta exótica que pode salvar milhões da fome

Por ser bastante versátil e nutritiva, a jaca pode ser uma grande arma no combate à fome no mundo

Jaca: uma fruta exótica que pode salvar milhões da fome
A jaca vem sendo apontada como uma fruta milagrosa (Foto: Pixabay)

Uma jaca pode pesar entre 4,5 kg e 45 kg (Foto: Max Pixel)

Por fora, é uma fruta que aparenta ser da era dos dinossauros e que emite um cheiro doce e pútrido. Mas não se engane. A jaca vem sendo apontada como uma “fruta milagrosa” que pode salvar milhões de pessoas da fome.

Nativa do Sul e Sudeste asiático, a jaca é a maior fruta arborizada do mundo – podendo pesar entre 4,5 kg e 45 kg. Ela contém sementes que são ricas em proteína, potássio, cálcio e ferro – substâncias muito importantes para o crescimento corporal. Em alguns países, a jaca é vendida cortada, mas também pode ser comprada inteira.

Em uma única jaca podemos encontrar centenas de “bagos” comestíveis, ricos em vitamina C, que cercam as sementes. Cerca de 1 kg da fruta tem em torno de 950 calorias. “Se você come de dez a 12 bagos da fruta, você não precisa mais comer por metade do dia”, indica Shyamala Reddy, uma pesquisadora de biotecnologia da Universidade de Ciências Agrícolas de Bangalore, na Índia.

Sementes da jaca são ricas em proteína, potássio, cálcio e ferro (Foto: Pixabay)

De acordo com Nyree Zerega, biólogo de plantas do Jardim Botânico de Chicago, nos Estados Unidos, uma jaca é capaz de alimentar uma família em uma refeição completa, não só pelo seu tamanho como pelas diversas formas de prepará-la – podendo ser servida madura ou não.

A jaca pode ser considerada valiosa não só pela fruta em si, mas também pela árvore que a produz. Segundo Zerenga, a jaca é a segunda fruta mais importante de Bangladesh (atrás somente da manga) por conta das várias formas de consumir a fruta e das utilidades da árvore – as folhas da jaqueira alimentam cabras e outros animais de fazenda, a casca alaranjada da árvore é usada para tingir roupas de monges, o látex produzido nela é usado para fabricar colas e a madeira pode ser usada para construção.

Apesar da popularidade em Bangladesh, a jaca tem sido evitada na Índia. Curiosamente, acredita-se que a fruta é originária do país, que hoje tem milhões de pessoas subnutridas e famintas que poderiam ser alimentadas pela jaca. Mais de 75% das jacas produzidas na Índia vão para o lixo, porque ela fica ruim para o consumo em poucas semanas, se não for preservada propriamente.

Uma jaca pode ser servida de diversas formas (Foto: Wikimedia)

Segundo Zerega, a Índia continua relutante com a fruta por conta da má reputação que ela tem no país. “Historicamente, a jaca tem a reputação de ser uma fruta dos pobres”, explica Zerega.

Apesar da má fama, há um esforço na Índia para reverter esse quadro. Shree Padre, editor de uma revista indiana chamada Adike Patrike, conta que já orquestrou 16 publicações dedicadas à jaca e que ajuda a organizar festivais da fruta no país. “Países como o Vietnam, Filipinas e Malásia fazem dinheiro com a jaca. Ironicamente, no país da jaca, não entendemos a importância da fruta”, diz Padre.

Fontes:
Independent-This exotic fruit tastes like pork and it could save millions from starvation

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Laércio disse:

    Aqui no Brasil temos muitas coisas que poderiam acabar com os problemas mas preferimos morrer de fome enquanto a comida está na frente do nosso nariz.
    Infelizmente o mundo é movido a interesses próprios pois, se houvesse tais interesses pela coisa coletiva evitariamos vários problemas.
    O que podemos entender é que este mundo concentra suas forças nas articulações e não nos músculos, ou seja, pequenos grupos trabalham até subliminarmente para que a sociedade esqueça do trabalho coletivo quanto as coisas minimas. Então, está criado o cenário perfeito para os poucos qualificados mandarem nas grandes massas de desqualificados…

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *