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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Aquecimento global altera cores dos oceanos

Efeitos do aquecimento global em populações de pequenos organismos deixarão os oceanos mais verdes ou azuis

Aquecimento global altera cores dos oceanos
Mudança seria causada por efeitos sobre o fitoplâncton (Foto: Wikimedia)

Até o fim deste século, como resultado do aquecimento global, os oceanos se tornarão mais azuis e mais verdes, segundo cientistas da Escola de Ciências do Oceano e da Terra da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Populações de pequenos organismos aquáticos, conhecidas como fitoplâncton, que convertem a luz solar em energia química por meio da fotossíntese, serão afetadas pelas temperaturas, e as mudanças que o aquecimento provocará nesses organismos também afetará a absorção e reflexo da luz na superfície do oceano.

“Da mesma forma que as plantas em terra são verdes, o fitoplâncton também é verde, então a quantidade e os diferentes tipos de fitoplâncton afetam a cor da superfície do oceano”, disse Anna Hickman, coautora da pesquisa. “Estamos interessados no fitoplâncton porque são pequenas plantas marinhas, contribuem com cerca de metade da fotossíntese global, são a base da cadeia alimentar marinha”.

Hickman e colegas do Reino Unido e dos Estados Unidos relatam para a revista Nature Communications como chegaram a essas conclusões usando um modelo computacional que prevê como fatores como temperatura, correntes e acidez oceânicas afetam o crescimento e os tipos de fitoplâncton na água, bem como os níveis de outras matérias orgânicas coloridas e detritos.

No entanto, em uma importante mudança em relação a estudos anteriores, eles também exploraram como tais mudanças afetariam a luz na superfície da água e, consequentemente, as cores dos oceanos. Os resultados revelam que se a temperatura da superfície do mar global subir 3 graus célsius até 2100 – como esperado do cenário atual – a cor de mais da metade dos oceanos, incluindo o Atlântico Norte, mudará.

Isso, dizem os autores, reflete mudanças nas populações de fitoplâncton e efeitos colaterais, que se originam de fatores que incluem um recuo do gelo marinho próximo aos polos, aumento da temperatura e menor mistura de águas. “Observar apenas a cor do oceano e como isso vai mudar no futuro, monitorando-os a partir de satélites, vai nos dar um sinal de alerta precoce de mudanças no fitoplâncton”, disse Hickman.

É importante ressaltar que a mudança no reflexo da luz azul e verde deu uma indicação anterior de mudanças no fitoplâncton do que as estimativas da quantidade de clorofila presente, a medida usada atualmente para monitorar os níveis de fitoplâncton. Isso, segundo os pesquisadores, provavelmente se deve a vários fatores, incluindo que as mudanças na cor do oceano levam em conta não apenas as mudanças na quantidade total de fitoplâncton – que pode variar drasticamente, por exemplo, com a estação – mas também mudanças espécies presentes, uma consideração importante, uma vez que diferentes tipos de fitoplâncton usam clorofila, mas absorvem comprimentos de onda ligeiramente diferentes da luz.

Hickman disse que isso é útil, já que pode fornecer uma reflexão mais precisa da tendência climática do que calcular os níveis de clorofila a partir desses dados, o que apenas dá uma ideia da quantidade de fitoplâncton.

No entanto, parece que os artistas não precisam se preocupar em atualizar suas paletas. “Eu provavelmente preveria que a mudança de cor não será perceptível a olho nu”, disse Hickman.

Fontes:
The Guardian-Rising temperatures to make oceans bluer and greener

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