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Brasil é o quarto país que mais produz lixo plástico

Estados Unidos, China e Índia lideram o ranking. Brasil produz cerca de 11,3 milhões de toneladas de lixo plástico, reciclando apenas 1,28%

Brasil é o quarto país que mais produz lixo plástico
O brasileiro produz, em média, 1 quilo de lixo plástico por semana (Foto: Troy Mayne/WWF)

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O Brasil é o quarto país que mais gera lixo plástico, segundo o estudo “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização”, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês). Apenas Estados Unidos, China e Índia aparecem na frente do Brasil. A pesquisa foi divulgada na última segunda-feira, 4.

O Brasil produz cerca de 11,3 milhões de toneladas de lixo plástico, reciclando apenas 1,28% do total produzido, um dos menores índices da pesquisa e muito abaixo da média global, que é de 9%.

Os Estados Unidos, que é o líder do ranking de produção, produz mais de 70 milhões de toneladas, mas recicla 34,6%. A China, a segunda do ranking, produz quase 55 milhões de toneladas, reciclando 21,9%. Já a Índia, a terceira do ranking, produz 19 milhões de toneladas, reciclando 5,7%.

O brasileiro produz, em média, 1 quilo de lixo plástico por semana. De acordo com números do Banco Mundial, o Brasil descarta irregularmente, sem qualquer tratamento, 2,4 milhões de toneladas de lixo plástico. Outros 7,7 milhões toneladas são destinados a aterros sanitários e mais de 1 milhão de tonelada nem ao menos é recolhido.

“É hora de mudar a maneira como enxergamos o problema: há um vazamento enorme de plástico que polui a natureza e ameaça a vida. O próximo passo para que haja soluções concretas é trabalharmos juntos por meio de marcos legais que convoquem à ação os responsáveis pelo lixo gerado. Só assim haverá mudanças urgentes na cadeia de produção de tudo o que consumimos”, destacou o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic.

De acordo com o estudo, mais de 104 milhões de toneladas de plástico vão poluir os ecossistemas até 2030, caso nenhuma mudança em âmbito mundial aconteça. A tendência é que o cenário piore, segundo o WWF. Uma petição do fundo, com mais de 200 mil assinaturas, almeja pressionar os líderes globais a atuarem mais ativamente contra a poluição plástica.

O estudo aponta ainda que cerca de 10 milhões de toneladas de plástico vazam todos os anos para o oceano. Até 2030, caso não haja uma mudança de atitude, será possível encontrar o equivalente a 26 mil garrafas de plásticos no mar a cada quilômetro quadrado.

“Nosso método atual de produzir, usar e descartar o plástico está fundamentalmente falido. É um sistema sem responsabilidade, e atualmente opera de uma maneira que praticamente garante que volumes cada vez maiores de plástico vazem para a natureza”, apontou o diretor-geral do WWF-Internacional, Marco Lambertini.

Segundo destacou o estudo, o plástico é um dos principais problemas ambientais do mundo. A pesquisa aponta que 75% de todo o plástico produzido já foi descartado, apesar de aproximadamente metade dos poluentes terem sido criados após o ano 2000

O estudo aponta ainda que o plástico afeta a qualidade do ar, do solo e, até mesmo, os sistemas de fornecimento de água. Caso seja queimado, o plástico pode liberar gases tóxicos na atmosfera, o que provoca o aumento de doenças respiratórias e cardíacas. Acredita-se que, atualmente, 241 em cada 259 garrafas de água estão contaminadas com microplásticos.

Para combater o problema da poluição plástica, o estudo WWF aponta possíveis meios, como cada produtor se tornar responsável pela sua produção plástica; zerar o vazamento de plásticos nos oceanos; reciclagem se tornar a base do uso de plástico; a substituição de uso único de plástico por materiais reciclados; entre outras coisas.

“No Brasil, a maior parte do lixo marinho encontrado no litoral é plástico. Nas últimas décadas, o aumento de consumo de pescados aumentou em quase 200%. As pesquisas realizadas no país comprovaram que os frutos do mar têm alto índice de toxinas pesadas geradas a partir do plástico em seu organismo, portanto, há impacto direto dos plásticos na saúde humana. Até as colônias de corais – que são as ‘florestas submarinas’ – estão morrendo. É preciso lembrar que os oceanos são responsáveis por 54,7% de todo o oxigênio da Terra”, explicou a gerente do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil, Anna Carolina Lobo.

O plástico demora aproximadamente 400 anos para se decompor completamente na natureza. Desde 1950, mais de 160 milhões de toneladas de plástico já foram descartadas em oceanos de todo o mundo. No entanto, a poluição de todo o ecossistema terrestre ainda pode ser quatro vezes maior do que apenas a do oceano. Estima-se que a poluição por plástico gera um prejuízo superior a US$ 8 bilhões à economia global.

 

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