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RISCO DE EXTINÇÃO

Cientistas se apressam para estudar tatu-bola, que pode ser extinto

Estima-se que o tatu-bola, que só existe no Brasil, pode estar extinto nos próximos 50 anos

Cientistas se apressam para estudar tatu-bola, que pode ser extinto
Os cientistas analisaram o habitat dos animais, tiraram medidas e recolheram amostras de sangue (Foto: Wikimedia)

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Um grupo de quatro cientistas, acompanhado por cães farejadores e moradores locais, saiu durante 12 madrugadas pela caatinga entre Piauí e Ceará para encontrar e analisar cinco tatus-bola (Tolypeutes tricinctus). Isso porque o animal, que estima-se ter menos de 1% de sua população original e só existe no Brasil, pode estar extinto nos próximos 50 anos.

Os cientistas analisaram o habitat dos animais, tiraram medidas e recolheram amostras de sangue. Tida como uma das principais expedições do tipo já realizadas, a experiência foi uma das raras oportunidades para se estudar mais o tatu-bola, que ainda é pouco conhecido pelos pesquisadores.

“É uma espécie ameaçada pelo desmatamento da caatinga para a agropecuária e porque é muito caçada. O tatu-bola fornece quase 1,5 kg de proteína animal em uma área muito pobre”, afirmou Flavia Miranda, coordenadora-técnica do Programa de Conservação do Tatu-bola, que teve início há dois anos pela Organização Não Governamental (ONG) Associação Caatinga. A entidade conta com o financiamento privado da Fundação Grupo Boticário.

O estudo vai servir para mapear a presença do animal e identificar as principais ameaças à vida do tatu. Agora, os cientistas esperam que a criação da unidade de conservação ambiental em Buriti dos Montes, município do leste do Piauí, possa auxiliar nas pesquisas ao criar uma área de preservação para a espécie – o Parque Estadual do Cânion do Rio Poti, com 24 mil hectares.

A área foi implementada pelo governo do Piauí em outubro de 2017, levando em conta projetos de preservação ambiental, nascentes de rios e pinturas rupestres em sítios arqueológicos do local. Dessa forma, os cientistas da Associação Caatinga esperam encontrar mais tatus-bola no local em sua próxima expedição, que ocorrerá no segundo semestre de 2018.

“É um animal ainda muito misterioso. Conheço no máximo dois ou três estudos em andamento sobre ele. É muito difícil encontrá-lo, porque a caatinga é um ambiente quente, árido, sem água. E ele costuma sair à noite, provavelmente por causa da temperatura. Também é um ambiente menos glamouroso, assim como o próprio tatu-bola”, explicou Flavia Miranda.

O tatu-bola existe há aproximadamente 50 milhões de anos. Como um animal cavador, ajuda na fertilização do solo, além de alimentar de insetos. Fora isso, a espécie também serve como fonte de alimento para animais maiores. Ademais, é o único mamífero que se protege dentro do casulo, enrolando seu corpo, quando se depara com um predador.

Mesmo sendo bastante eficaz contra predadores comuns, o formato “bolinha” faz com que o animal seja presa fácil para humanos, que captura para cozinhar vivo. “É justamente isso o que leva ao seu declínio. Ele fica supervulnerável à ação humana”, apontou a pesquisadora.

De acordo com uma compilação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o tatu-bola é uma das espécies vulneráveis mais ameaçadas do planeta. Sendo assim, o plano de conservação do animal, traçado pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), em 2014, inclui o desencorajamento da caça ao animal. Além disso, espera-se que a criação do parque estimule o ecoturismo, levando novas fontes de renda para a população, que não precisará mais recorrer à exploração do tatu-bola.

Os planos para proteger o tatu-bola ainda contemplam outros animais ameaçados na caatinga, como os morcegos, urubus-rei e felinos. Segundo Flavia Miranda, para isso ocorrer basta que o parque estadual criado recentemente realmente seja um espaço de conservação ambiental. “A criação de um parque é o primeiro passo. Agora, a briga é para que haja guarda-parque, manutenção, normativas, coisas que dão menos visibilidade política”, explica a pesquisadora.

De acordo com o secretário estadual de Meio Ambiente do Piauí, Ziza Carvalho, o plano de funcionamento do parque ainda está em elaboração, mas garantiu que as preocupações da pesquisadora são as mesmas do governo estadual.

“Criamos o parque por decreto e agora estamos na fase de desapropriação de duas fazendas [localizadas dentro da unidade de conservação], amigavelmente. O passo seguinte é o plano de manejo, com sinalização, abertura de trilhas, treinamento de guias e gestão do parque, para mostrar a presença do Estado ali, do ponto de vista ambiental”, disse o secretário.

Fontes:
BBC - Cientistas correm contra o tempo para estudar animal símbolo do Brasil ameaçado de extinção

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2 Opiniões

  1. Daniella disse:

    Só é uma pena que o tatu da foto não é um tatu-bola… Isso confunde a cabeça das pessoas!

  2. Manoel Antônio de Arruda disse:

    A preocupação do governo e da pesquisadora com preservação do tatu-bola merece todo o meu respeito, parabéns. Mas vale ressaltar que 24 mil hectares de terra é uma área bastante grande e nela os tatuis, morcegos e outros animais podem conviver harmoniosamente com muitas famílias que precisam de um pouco de terra para dela tirarem o próprio sustento. Além do mais, essas famílias, adequadamente conscientizadas e bem treinadas, poderiam além de usufruírem da terra serem os verdadeiros protetores da especié.

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