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DESCOBERTA

Composição genética da uva Sauvignon Blanc permanece inalterada há 900 anos

Especialistas em enologia descobrem cepas da uva geneticamente idênticas às videiras cultivadas na comuna de Orleans, na França, há 900 anos

Composição genética da uva Sauvignon Blanc permanece inalterada há 900 anos
Composição é a mesma desde a produção romana de vinho no Mediterrâneo (Foto: UserVl)

 As técnicas de cultivo de videiras incluem cortes de galhos para a formação de mudas e enxertos, em vez do plantio de sementes no solo. Em razão desse tipo específico de cultura, alguns enólogos sugeriram que determinadas variedades de uvas tinham se mantido inalteradas ao longo de dois milênios, desde a produção romana de vinho no Mediterrâneo.

Essa sugestão ganhou um novo impulso com a publicação recente de um estudo, no qual especialistas em enologia relataram a descoberta de cepas de uvas Sauvignon blanc geneticamente idênticas às videiras cultivadas na comuna de Orleans, na França, há 900 anos.

“Sabiamente, os vinicultores continuam a cultivar as videiras com técnicas semelhantes às usadas há centenas de anos, além de privilegiar a cultura de certas cepas que agradam os consumidores”, disse Nathan Wales, professor da Universidade de York e um dos autores do estudo.

No artigo publicado na revista científica Nature Plants, Wales e seus colegas descreveram o trabalho de análise do DNA de 28 sementes de uvas encontradas em nove sítios arqueológicos na França. A equipe de pesquisadores examinou 10 mil sequências de DNA e comparou-as com dados de centenas de variedades de uvas cultivadas e silvestres atuais.

A datação dos artefatos e da matéria orgânica encontrados próximos às sementes indicou que algumas eram originárias da Idade do Ferro, em torno de 500 a.C. Outras eram provenientes de diversos períodos do Império Romano, da Idade Média e do início do século XIII.

A análise do DNA mostrou ainda que as 28 sementes provinham de videiras semelhantes às cepas usadas na produção atual de vinho na Europa Ocidental.

Pesquisas posteriores mostraram que duas sementes geneticamente idênticas datadas do século II d.C. foram encontradas em sítios arqueológicos na Alsácia e na costa mediterrânea da França, a uma distância de 600 quilômetros entre os dois sítios. “Essa descoberta sugere que os romanos cultivavam vinhedos em lugares distantes do império”, observou Wales.

“Porém, as semelhanças genéticas não significam que o vinho produzido na Antiguidade tivesse o mesmo sabor dos produzidos nas vinícolas atuais. Alguns fatores como clima, volume e distribuição de chuvas, altitude, tipos de solo e relevo da região influenciam os sabores e aromas dos vinhos”, acrescentou Wales.

Fontes:
The Guardian-900-year-old grape pips reveal unbroken history of French wine variety

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