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OITO MESES DEPOIS

Condado da Flórida ainda vive a destruição do furacão Michael

Danos deixados pela passagem do furacão, há oito meses, ainda podem ser vistos no condado de Bay, que se prepara para a temporada de furacões deste ano

Condado da Flórida ainda vive a destruição do furacão Michael
Furacão Michael atingiu a Flórida em outubro de 2018 (Foto: Gwendolyn Robertson/Twitter)‏

Semanas antes da temporada de furacões deste ano, as autoridades da cidade de Mexico Beach, no condado de Bay, na Flórida, ainda estão retirando os escombros da devastação causada pelo furacão Michael, em 10 de outubro de 2018.

Em Panama City Beach, também no condado de Bay, troncos e galhos secos e retorcidos de árvores espalham-se pelas calçadas e gramados. A alguns quilômetros de distância, vê-se a areia branca da praia.

À direita, a luz do sol se reflete nas lonas azuis que cobrem as casas vazias. Ouve-se o som dos martelos. A loja de ferragens concentra o movimento de construtores e moradores que compram arame, cimento, portas, janelas e outros materiais de construção para refazer as casas da cidade.

Oito meses após a passagem do furacão Michael, que atingiu a Flórida com ventos de até 250 km/h, a região ainda se recupera da devastação causada por sua passagem. Classificado pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) como um furação de categoria 5 de magnitude, Michael deixou milhares de pessoas desabrigadas. O condado de Bay foi o mais afetado e os ventos fortes quase destruíram Mexico Beach.

Em visita a Panama City Beach no início de maio, Donald Trump encontrou-se com o prefeito e proprietário da loja de ferragens, Al Cathey, na base aérea de Tyndall. À noite, em um comício realizado na cidade, Trump prometeu ajudar as autoridades locais a reconstruir as cidades afetadas pelo furacão. 

No início deste ano, Mexico Beach recebeu uma verba de US$ 2 milhões da Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema). O dinheiro foi gasto na recuperação da cidade, disse o prefeito Cathey, mas as pilhas de madeira, cimento e lixo ainda se acumulam nas ruas. A cidade não tem posto de gasolina, supermercado nem banco.

Cathey culpa o governo pelo atraso no repasse de verbas da Fema. “A maioria das áreas afetadas por furacões nos últimos 30 anos recebeu ajuda financeira do governo em menos de 50 dias. Por ocasião do furacão Katrina, o governo ajudou financeiramente as autoridades de New Orleans em 10 dias. Após 217 dias, o condado de Bay ainda aguarda o repasse das verbas da Fema e do governo federal. Não entendo o motivo do atraso.”

A Fema providenciou casas pré-fabricadas e trailers para os habitantes do condado de Bay que perderam suas moradias. No entanto, dos US$ 75 milhões da verba de assistência habitacional da Fema no condado de Bay, menos de US$ 3 milhões destinaram-se aos moradores de Mexico Beach.

A casa de Terry Nestrud em Mexico Beach foi destruída pelo furacão Michael. Só restou a fundação de concreto como lembrança. O marido, um médico aposentado, voltou a exercer a medicina. Só no mês passado, sete meses após perder a casa, o casal recebeu a indenização da companhia de seguros.

Até meados de dezembro, Nestrud e o marido moraram em um trailer no jardim da casa de um amigo. “Agora, teremos de nos mudar pela quarta vez por causa do aumento do aluguel do apartamento onde moramos. Com o mercado em alta em razão da proximidade da temporada de verão, os proprietários e corretores de imóveis aumentam os preços de locação”. disse ela ao Guardian.

Apesar de também terem perdido sua casa, Vela Sebastiao e seu marido, Jack, estão otimistas quanto ao futuro de Mexico Beach. Ela e o marido moram em um trailer estacionado no pátio de sua antiga casa, enquanto aguardam a construção da nova moradia. 

“Se morássemos na Califórnia, teríamos de enfrentar a ameaça dos incêndios florestais. A região Centro-Oeste do país é sujeita a tornados. Na região norte, as pessoas sofrem com as tempestades de neve e as chuvas de granizo. Aqui, vivemos em uma área vulnerável a furacões. Existe sempre um risco”, disse ela.

Vela olhou os trailers parados ao seu redor e as casas destruídas. “Hoje, esse é meu cotidiano. Mas, em breve, iremos reconstruir a cidade e a vida voltará ao normal”.

Fontes:
The Guardian-'Forgotten coast': a Florida town fights to rebuild after Hurricane Michael

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