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Coordenadora do Sinitox fala sobre a suspensão da reavaliação de agrotóxicos

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A coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) da Fiocruz, Rosany Bochner, foi entrevistada para sítio do Icict sobre a liminar que suspendeu a reavaliação de agrotóxicos. A ação seria realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que se apóia no decreto 4074/02. De acordo com o documento, cabe ao Ministério da Saúde reavaliar o registro de agrotóxicos, quando surgirem indícios da ocorrência de riscos que desaconselhem o uso de produtos registrados, bem como quando o país for alertado, por organizações internacionais responsáveis pela saúde, alimentação ou meio ambiente, das quais o Brasil seja membro integrante ou signatário de acordos.

A coordenadora do Sinitox é formada em estatística, doutora em saúde pública e pesquisadora do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fiocruz.

Como está a atual situação do Brasil em relação ao consumo de agrotóxicos?

Rosany: O Brasil é o 2º maior consumidor de agrotóxicos do mundo. O que se consome de agrotóxicos é desproporcional à quantidade de alimentos. As pessoas não têm informações para saber usar agrotóxicos de maneira adequada. Quem está usando ou manipulando esses agrotóxicos, são pessoas que não sabem ler, não conhecem toxicidade, fazem aplicação sem blusa, sapatos e etc. Então essa estrutura é totalmente desorganizada.

Quais são os principais danos que os agrotóxicos podem causar à saúde?

Rosany: Intoxicações agudas graves em trabalhadores e em pessoas expostas acidentalmente a esses produtos. Outro aspecto muito relevante, são as intoxicações crônicas, ou seja, são aquelas em que há uma exposição por um longo período de tempo, em que os sintomas ficam “mascarados” e que podem causar problemas sérios de saúde, como câncer, alterações hormonais, má-formação fetal, entre outros. Até mesmo uma pessoa que não trabalhe com agrotóxicos, mas que se alimenta com produtos que tenham essas substâncias, pode adquirir essas doenças.

Por que muitos agrotóxicos utilizados aqui no Brasil não podem ser usados em outros países?

Rosany: Como há proibição de muitos produtos com agrotóxicos, principalmente, na Europa, Estados Unidos e China, as empresas acabam vindo para o Brasil, onde a demanda é muito grande, já que a comercialização desses produtos é liberada. Os produtos são “empurrados” porque nesses países, a legislação não permitiu sua comercialização. E se não foram aceitos lá, por que deveriam ser aceitos aqui? A saúde do brasileiro é diferente?

Já que esses agrotóxicos estão sendo utilizados “legalmente”, por que as empresas não querem que eles sejam reavaliados?

Rosany: É importante ressaltar que essa reavaliação está sendo feita com base legal, por meio da lei 7.802/89 e do decreto 4074/02, que garante à Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a realização da reavaliação. O sindicato das empresas de agrotóxicos alega que deveria participar do processo de reavaliação, só que esta reavaliação é uma questão técnica, os fabricantes não têm esse direito. Logicamente, as empresas não querem participar da reavaliação; na verdade, elas não querem que os produtos sejam proibidos e saiam do mercado, ou que haja uma troca de formulação. A Anvisa não tem interesse comercial nenhum na proibição dos agrotóxicos, mas as empresas têm um interesse enorme nisso. Do lado da Anvisa, está a saúde da população e do outro lado estão as empresas.

A senhora é contra o uso de agrotóxicos?

Rosany: O ideal é que se tenham plantações sem agrotóxicos, mas já que é necessário, devido à produção em grande escala, que se faça o uso racional. Nós trabalhamos para, um dia, termos uma agricultura livre de substâncias que podem ser perigosas para o homem e o meio ambiente. Entretanto, o modelo agrícola atual com extensos plantios de uma mesma variedade, de uma mesma planta, com baixa resistência a pragas e doenças, torna a produção ainda dependente dos agrotóxicos. Portanto, não se trata de ser contra, mas sim, de informar que a agricultura conta hoje com inúmeros produtos e manejos que podem garantir a produção com a redução da contaminação dos trabalhadores, do meio ambiente e do consumidor.

Como está a incidência de intoxicação por agrotóxicos em relação a outros agentes tóxicos?

Rosany: Os agrotóxicos estão em 3º lugar no total de causas de intoxicação, mas estão em 1º lugar em relação à letalidade. A cada 100 casos de intoxicação por agrotóxicos, três pessoas morrem. As intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola são os que mais fazem vítimas, e aparecem, principalmente, de três formas: acidental, ocupacional e tentativa de suicídio. Quando se fala em tentativa de suicídio, há uma predominância do sexo masculino, via intoxicação por agrotóxicos, já as mulheres, usam medicamentos. Outro problema é o chumbinho, um agrotóxico de uso agrícola, que é desviado para as cidades e vendido para matar ratos. Isso provoca muitos acidentes, principalmente com crianças.

Fontes:
Icict/Fiocruz - Coordenadora do Sinitox fala sobre a suspensão da reavaliação de agrotóxicos

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15 Opiniões

  1. Juliana Andréia Vrba Brandão disse:

    Eu estou me formando no curso de Engenharia Agronômica da UFRRJ e concordo plenamente com a Rosany. O loby das empresas de Agrotóxico influencia também os cursos universitários e até as empresas de pesquisa para manterem a sua hegemonia da destruição.

  2. João Vitor disse:

    Olha eu não sou 100% a favor do uso de agrotóxicos. Minha preferência é por alimentos livres do uso dessa substancia, mais em um pais como o nosso em que somente os grandes tem espaço, usando assim imensos espaços para a atividade da monocultura! É realmente necessário o uso desses produtos. O homem ja foi a lua e não é impossível que ele ache soluções para essa questão! Criando assim produtos não nocivos ao ser humano e a natureza!

  3. Evandro Correia disse:

    Estão falando muita besteira aqui. Sem defensivos agrícolas, os passarinhos e os insetos destruiriam as safras. Não dá para alimentar o mundo sem defensivos. O resto é bobagem…

  4. Leandro Benhur Martins disse:

    Ola. para a equipe do website.
    ja com um dos trabalhos de consientização que executei junto a itaipu binacional a favor de produtos organicos, não a possibilidades de ser afavor de agrotóxicos, produtos orgânicos são muitos. Esses alimentos são considerados mais saudáveis por possuirem menos toxidade e maior valor nutricional, além de serem bem mais saborosos que os convencionais. Além disso, os orgânicos podem ser aproveitados na totalidade, sem a preocupação em retirar a casca – onde está grande parte dos nutrientes.

  5. thomaz Humberto Saletti disse:

    É realmente um extermínio lento, em massa, com consequências que já percebemos e que irá aumentar dia a dia. E ainda temos o problema dos trangênicos, que jamais deveriam ter entrado em nosso País.

    agora, passarinhos que destroem safras e….o resto é bobagem…. é de se lamentar!

  6. Flávia Fernandes disse:

    Essa entrevista é ótima e pertinente.

    Os agrotóxicos prejudicam, sim, nossa saúde e temos provas científicas, só que essas não são divulgadas pelos grandes meios de comunicação populares.

    Sugiro a todos a leitura da tese de doutorado do professor ANDRIOLI, Antonio. "As sementes do mal: a silenciosa contaminação de solos e alimentos".

    http://www.unijui.edu.br/content/view/4372/1141/lang,iso-8859-1/

    http://www.andrioli.com.br

    Precisamos alertar a população do perigo dos alimentos não convencionais e transgênicos.

  7. Andrea R Clemente disse:

    Acho que o agrotóxico no Brasil é tratado como se fosse uma substância sem prejuízo à saúde devido as pessoas que trabalham com o mesmo serem totalmente desinformadas!

    Na minha opinião, deve-se, com toda certeza, reavaliar estes compostos, pois estamos nos contaminandos aos poucos e logo sentiremos o efeito desta contaminação, tanto nos seres vivos (isso inclui nós) como no meio ambiente.

  8. gilberto silva do nascimento disse:

    o uso dos agrotóxicos só interessam as grandes empresas que detem o poder de dominação, pois eles não se interessam com a saúde do povo e muito menos do meio ambiente que é uma das preocupações do mundo hoje, e só o povo se conscientizar de que não se precisa usar agrotóxicos para produzir um alimento saudável e com uma proditividade bem semelhante a produzida com o uso de agrotóxicos, com uma vantagem, o solo só tem a melhorar e vamos ter um povo com mais saúde, e sustentável, essa é minha opinião

  9. Marco Antonio Duarte disse:

    Amigos(as) do Sinitox – F.Oswaldo Cruz. At. Rosany Bochner. Sou contra qualquer tipo de ação, física, biológica ou química que degrade a natureza e conseqüentemente irá afetar no futuro próximo o ser humano. No caso específico do Brasil… Nossos governantes são irresponsáveis e inconseqüentes, pois não conseguem enxergar além da cobiça e do dinheiro. Não existe responsabilidade e é culpado pela imensa destruição da Amazônia e do meio ambiente. O sistema político é propenso à corrupção… A máquina é muito grande e não consegue diminuir impostos, pois precisa de dinheiro para pagar altos salários e de lobistas e cabideiros que existe no funcionalismo público. Tudo que se prometeu em palanque já foi esquecido e NADA foi cumprido. E o que for realizado é pura troca de favores… (Votos X Cesta básicas)… Pois o povo carente aceita migalhas e não possuem uma ótica mais apurada sobre as conseqüências que estamos sujeitos, geradas por agrotóxicos, transgênicos e abusos, tais como, está sendo realizado atualmente na selva Amazônica. Aliás, o povo brasileiro é mal informado em todos os aspectos… Veja o grau de prostituição infantil que existe no norte do país. A cultura, conceitos familiares, princípios básicos de valores, tais como respeito, honestidade, caráter, solidariedade, tudo se perdeu… É triste… É vergonhoso escutar em outro país que o Brasil só tem prostitutas e ladrões… Eu escutei muitas vezes… É mais uma realidade. O povo está sozinho nesta luta. E o Brasil é carente de associações de intervenção a degradação do meio ambiente e de proteção ao Cidadão, seja ele pobre ou rico, preto ou branco. E também de Leis RÍGIDAS. Principalmente na censura. Tudo tem limites… Por isso, precisamos usar o que temos… E contar para as pessoas, pelos meios de comunicação, que possuímos o que está realmente está acontecendo nos bastidores desse sistema. Até parece que o Brasil está "anestesiado"… Só temos informações policiais, repetidas em todos os canais… Precisamos olhar para dentro de nós e termos consciência de que precisamos mudar: cadê o romantismo, o amor ao próximo, a confiança… Precisamos urgentemente resgatar estes valores ou seremos eternos vira-latas do mundo.

    Marco Antonio.

  10. Jorge Vallejos disse:

    Los beneficios que tiene la Hidroponia
    es sorprendente y puede contrarrestar
    enormemente el uso de agrotoxicos.

    debemos trabajar en fomentar e incentivar
    esta técnica milenaria en todos los ordenes
    de la agricultura, mismo así para todas las
    multinacionales y productores de sustancias artificiales,
    invitándolos a nuevo cambio.

    En la actualidad países como
    Egipto, China, India, Uruguay, etc.
    lo emplean como un enorme crecimiento Social.

    Dejo mis saludos desde buenos aires
    al igual que mi entera colaboración.

    Y gracias por el espacio.

  11. Ezequiel F. Fiorese disse:

    Tema de extrema relevância para a nossa sociedade e que é pouquíssimo abordado na mídia. Sou eng. florestal e tive a triste oportunidade de presenciar o descaso e ignorância, no uso dessas substâncias tóxicas, por pequenos produtores que abastecem os supermercados de nossas cidades. Utilizam produtos que são específicos para uma doença, quando a planta está sendo atacada por outra e então não aplicam o produto, mas lavam a planta (frutos, hortaliças, legumes, etc) com o produto errado, e pior sem ter o efeito desejado. Desperdício de tempo, dinheiro e com um impacto ambiental e na saúde enorme.
    Além disso, há a questão de acúmulo desses produtos no solo, o que inevitavelmente vai contaminar recursos hídricos, atingindo a fauna aquática e outras cadeias alimentares, sendo que o homem será atingido no final dessa inevitavelmente.
    O governo deveria divulgar mais os projetos de certificação agrícola e criar incentivos para que mais agricultores aderissem a programas de certificação, onde existe um acompanhamento independente e sério sobre a questão. Acredito que no momento esse é o melhor caminho, pois quando entra a questão dinheiro na fórmula, a mudança de comportamento torna-se mais fácil e voluntária.
    Grande abraço a todos!!!

  12. yasmin oliveira disse:

    sou totalmente contra o uso de agrotoxicos que é totalmente prejudicial a saude de toda a populaçao.
    diga não aos agrotoxicos

  13. Ana Beatriz disse:

    Realmente os agrotóxicos são um perigo para a saúde humana e é preciso fiscalizar as empresas que trabalham com produtos que possam receber agrotóxicos, pois, além de serem prejudicial à saúde humana os agrotóxicos também é prejudicial ao meio ambiente.

  14. Maria Claudia disse:

    Realmente é uma vergonha como as leis não vão a favor do que é lógico !!
    reavaliar e fiscalizar é necessário !!! porém faz idéia do quanto ganham com as vendas? O Brasil poderia ser o primeiro em tudo mas seus filhos são os mais ingratos de todas as nações !!!

  15. Cesar Macedo disse:

    Acredito que o uso dos agrotóxicos é um mau necessario quando pensamos em grandes culturas, mas acho injusto tratar a industria de Defensivos como se fossem os vilões da historia, que só querem distruir o Brasil e os Brasileiro. Isto não é verdade, eles investem muito em programas de segurança e no desenvolvimento de produtos cada vez mais seguros, basta ver o histórico deste mercado.
    E o que tem sido feito por parte dos orgãos oficiais, pensando no cumprimento das leis vigentes, em especial da NR 31, que obriga o treinamento dos aplicadores dos agrotoxicos e o uso do Equipamentos de Proteção Individual. Onde esta a fiscalização. Só isso já reduziria substancialmente o numero de intoxicações no Brasil. Esta é a parte que nos cabe fazer e não ficar colocando a culpa nos outros pelo que não fazemos.

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