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GREVE PELO CLIMA

Estudantes iniciam mobilização global pelo clima

Organizadores estimam que milhões de pessoas foram às ruas nesta sexta-feira, 20, protestar contra as mudanças climáticas. Atos também ocorrem no Brasil

Estudantes iniciam mobilização global pelo clima
Manifestações chamam a atenção das autoridades para as mudanças climáticas (Foto: Unicef Ukraine/Twitter)

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Cerca de 5 mil manifestações pelo clima estão programadas para acontecer em 150 países nesta sexta-feira, 20, véspera do início da Cúpula pelo Clima da Organização das Nações Unidas (ONU). A maioria das manifestações no Brasil ocorre no período da tarde.

Milhões de pessoas, a maioria jovens e estudantes, estão nas ruas nesta sexta-feira para pedir maior atenção dos governos às mudanças climáticas. Os manifestantes pedem incentivos às pesquisas e ações para reverter as mudanças climáticas, bem como o fim do chamado “negacionismo” e do “climatismo”, vertentes que colocam em xeque a contribuição humana no aquecimento global.

O movimento ganhou a atenção de personalidades ao redor do mundo. Em Nova York, nos Estados Unidos, as faltas dos alunos que decidirem participar da mobiliação, com autorização dos pais, serão abonadas. Por isso, a maior manifestação do mundo é esperada para a cidade, que sediará a Cúpula da ONU. Estima-se que 1,1 milhão de estudantes poderão participar das manifestações, segundo o comunicado do Departamento de Educação da cidade, além de milhares de outros apoiadores.

Já na Alemanha, segundo estimativas do movimento Fridays for Future Germany (Sextas-feiras pelo Futuro Alemanha), organizador das manifestações, 1,4 milhão de pessoas foram às ruas para protestar contra as mudanças climáticas.

Vários políticos e partidos ao redor do mundo também convocaram manifestantes a participarem dos protestos. O líder espiritual dos budistas tibetanos, Dalai Lama, também encorajou as manifestações através das redes sociais.

“Esta é provavelmente a geração mais jovem que tem sérias preocupações com a crise climática e seus efeitos no meio ambiente. Eles estão sendo muito realistas sobre o futuro. Eles veem que precisamos ouvir os cientistas. Nós devemos encorajá-los”, escreveu.

Imagens nas redes sociais mostram ativistas do Greenpeace bloqueando a entrada de uma refinaria da Shell, nas Filipinas, enquanto outras fotos demonstram que metalúrgicos da Compacta Print, em São Paulo, também aderiram ao movimento em prol do clima.

A principal organizadora das manifestações ao redor do mundo é a ativista ambiental Greta Thunberg, de 16 anos. Na última quinta-feira, 19, ela usou as redes sociais para incentivar estudantes do mundo inteiro a irem às ruas nesta sexta-feira, em apelo contra as mudanças climáticas.

“É de manhã cedo no Pacífico. Em breve o sol nascerá na sexta-feira, 20 de setembro de 2019. Boa sorte Austrália, Filipinas, Japão e todas as nações das Ilhas do Pacífico. Você vai primeiro! Agora mostre o caminho! Feliz Greve!”, escreveu a ativista. As manifestações estão sendo chamadas de Greve pelo Clima, com origem no movimento Fridays for Future (Sextas-feiras pelo Futuro, em português), iniciado por Thunberg.

Cientistas também estão usando as redes sociais para compartilhar uma carta para que estudantes levem para a escola no próximo dia de aula e justifiquem suas ausências. A ideia partiu do climatologista Peter Gleick, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Usando o Twitter, ele compartilhou a versão do texto em inglês, que pode ser traduzido:

Querido professor,

Por favor, me desculpe pela falta de ___ na sexta-feira. Eles estavam participando de um projeto especial de educação para mim (e para o resto do mundo) sobre estratégias para impedir as #mudançasclimáticas. Eles ficarão felizes em enviar um trabalho extra para compensar a falta.

Obrigado,

Dr. Peter Gleick, climatologista.”

Vários cientistas que estudam os efeitos das mudanças climáticas já apontaram que o fenômeno é real – ao contrário do que pregam alguns dos principais líderes políticos do mundo. Os cientistas apontam o alto nível de dióxido de carbono na atmosfera, o aumento da temperatura mundial, o derretimento do gelo polar, o aumento do nível do mar e a elevação da temperatura dos oceanos como alguns dos principais pontos sobre os riscos das mudanças climáticas.

Estima-se que milhões de pessoas já foram às ruas na Austrália, Japão, Alemanha, Uganda, Tanzânia, Índia, Reino Unido, entre outros países em todos os continentes. Entre os apelos contra a mudança climática, vários manifestantes de diversos países levaram às ruas cartazes com críticas a políticos. Entre os principais alvos estão Donald Trump, dos Estados Unidos, Jair Bolsonaro, do Brasil, Recep Erdogan, da Turquia, Boris Johnson, do Reino Unido, e Vladimir Putin, da Rússia.

Enquanto nesta sexta-feira ocorre a Greve pelo Clima, na próxima sexta-feira, 27, mais uma vez em vários países do mundo, vai ocorrer a Greve pela Terra. O dia 27 de setembro foi escolhido por ser aniversário de lançamento do livro Primavera Silenciosa, que é apontado por muitos como o principal responsável pelo lançamento de movimentos ambientalistas.

Fridays for Future

Em agosto de 2018, a estudante Greta Thunberg, após passar pelo verão mais quente da história da Suécia, saiu da escola numa sexta-feira, sentou-se em frente ao Parlamento da Suécia com um cartaz escrito skolstrejk för klimatet! (greve escolar pelo clima).

Além do cartaz, Thunberg levou dados sobre o clima para distribuir em panfletos para quem passasse pelo local. Ao longo de três semanas, compartilhando suas ações pelas redes sociais, o movimento logo cresceu.

A ativista, então, em setembro, decidiu fazer greves todas as sextas-feiras até que os políticos suecos tomassem providências contra as mudanças climáticas. Em apoio aos filhos e estudantes, pais e responsáveis criaram o movimento Parents for Future, reforçando a voz contra as mudanças climáticas.

O movimento espalhou-se pelo mundo, chegando ao seu ápice, até o momento, em março deste ano, quando mais de 1,5 milhão de manifestantes em mais de 100 países foram às ruas para protestar pelo clima.

Greta Thunberg já foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Na última semana, ela recebeu o prêmio Embaixador da Consciência, voltado para questões de direitos humanos, concedido pela Anistia Internacional.

Leia também: Explicando a crise climática pelo mundo
Leia também: Araújo ataca ‘climatismo’ em palestra nos EUA

Fontes:
CNN-Global climate strike
G1-Greve global pelo clima atrai milhares de manifestantes nesta sexta contra mudanças climáticas
BBC-Millions attend global climate strike
DW-Protestos pelo mundo pedem ações contra mudanças climáticas

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