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Estudo revela que lobos são bons pais adotivos

Apesar da fama de mau na literatura e no cinema, eles têm um lado mais gentil e sociável na vida real

Estudo revela que lobos são bons pais adotivos
Em uma iniciativa para salvar a espécie, cientistas da Universidade de Linkoping, na Suécia, descobriram que essas criaturas têm uma propensão a se ajudarem mutuamente (Reprodução/Wikipedia)

O lobo-cinzento (Canis lupus) já foi o mamífero com a maior distribuição no planeta. No entanto, ele foi extinto na maior parte da Europa Ocidental e em áreas dos Estados Unidos como resultado da destruição de seu habitat e da caça deliberada provocada pela suspeita de que se trata de um predador de suínos, caprinos e ovinos. Em uma iniciativa para salvar a espécie, cientistas da Universidade de Linkoping, na Suécia, descobriram que essas criaturas têm uma propensão a se ajudarem mutuamente.

Publicado na revista Zoo Biology, a pesquisa sugere que as lobas são ótimas mães adotivas e, se forem apresentadas com filhotes nascidos em cativeiros, podem ajudar a aumentar o número de espécimes vivos atualmente na natureza. Cientistas acreditam que as lobas são capazes de reconhecer sua própria cria, mas segundo o estudo, isso só ocorre quando os filhotes têm entre três e sete semanas de vida, dando tempo para a adaptação com um filhote adotivo.

Os pesquisadores deram filhotes para lobas com as quais não tinham parentesco algum e observaram que as fêmeas não só cuidavam deles como também os aceitavam como parte da família. Os cientistas suecos Inger Scharis e Mats Amundin foram os primeiros a elaborar essa espécie de “programa de adoção” de lobos na Europa.

Ao todo, oito filhotes, mantidos em sete zoológicos da Escandinávia, foram retirados de seus pais naturais e levados a famílias completamente diferentes em outros zoológicos. Outros 35 filhotes nascidos durante o programa permaneceram com suas mães biológicas. Os filhotes foram removidos com quatro a seis dias de vida para garantir que fossem alimentados com o colostro, o primeiro leite da mãe.

A experiência mostrou que as mães adotivas não só aceitaram os novos filhotes colocados em seu grupo como também se mudaram com a ninhada para outra parte da jaula, em uma tentativa de protegê-los melhor. Tanto a saúde dos bebês quanto o comportamento dos adultos foram monitorados por um sistema de circuito interno de TV. Os cientistas também notaram que os filhotes “trocados” cresceram no mesmo ritmo que os irmãos adotivos e que seus irmãos biológicos.

Os bebês adotivos tiveram uma taxa de sobrevivência melhor do que seus irmãos biológicos que permaneceram com os pais naturais, com 73% sobrevivendo até 33 semanas. Essa taxa de sobrevivência é a mesma observada na natureza.

Os lobos europeus se reproduzem apenas entre seus próprios familiares. Com pouca variabilidade genética, eles se tornam mais vulneráveis a ameaças como surtos de doenças, já que não se adaptam tão rapidamente a mudanças ambientais.

 

Fontes:
BBC-Lobos são ótimos pais adotivos, aponta estudo

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