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MEIO AMBIENTE

EUA elevam envio de resíduos plásticos para o sudeste asiático

Após a China reprimir a importação de resíduos estrangeiros, EUA buscam opções como Tailândia, Malásia e Vietnã

EUA elevam envio de resíduos plásticos para o sudeste asiático
País aproveita a falta de regulamentação da prática em países em desenvolvimento (Foto: Pixabay)

Os países do sudeste asiático estão passando por dificuldades para lidar com o aumento de resíduos plásticos. Depois que a China começou a reprimir a importação de resíduos estrangeiros, os Estados Unidos estão explorando outros mercados para lidar com o seu lixo produzido.

De acordo com uma pesquisa da Unearthed, um setor investigativo do Greenpeace, os Estados Unidos exportaram quase metade de todos os seus resíduos plásticos, nos primeiros seis meses de 2018, para a Tailândia, Malásia e Vietnã. Enquanto isso, as exportações para a China caíram 92% – em 2017, o país, juntamente com Hong Kong, lidava com 70% dos resíduos americanos.

A China era a maior importadora de resíduos plásticos do mundo. Com a sua repressão à prática, países como Reino Unido, Alemanha, México e Japão estão buscando outras alternativas para lidar com seus resíduos. Os Estados Unidos, segundo o estudo, começaram a explorar os países em desenvolvimento que ainda não têm nenhum tipo de regulamentação para lidar com o problema.

Em maio, o Vietnã precisou proibir temporariamente as importações de resíduos plásticos, justamente por seus portos terem ficado sobrecarregados com a demanda. Já a Malásia revogou a autorização para algumas importações de plástico. Na Tailândia, a morte de uma baleia com 80 sacos de plástico em seu estômago ganhou as manchetes mundiais, fazendo com que as autoridades tailandesas considerassem a proibição das importações.

Segundo a pesquisa, a repressão chinesa parece ter tido um efeito direto sobre as exportações americanas para todo o mundo, que caíram em um terço, de 949.789 toneladas para 666.780 toneladas.  Por outro lado, as exportações para a Tailândia aumentaram quase 2.000%, chegando a 91.505 toneladas, para a Malásia subiram 273%, passando a 157.299 toneladas, e para o Vietnã o crescimento foi de 46%, aumentando para 71.220 toneladas.

“Em vez de assumir a responsabilidade por seus próprios resíduos, as empresas americanas estão explorando os países em desenvolvimento que não têm o regulamento para se proteger. […] À medida que as importações aumentaram, estamos vendo esses países começando a reagir”, explicou John Hocevar, diretor de campanha da Ocean para o Greenpeace dos Estados Unidos.

Para o professor Daniel Hoornweg, da faculdade de sistema de energia e ciência nuclear do Instituto de Tecnologia da Universidade de Ontário, o aumento de exportações americanas para o sudeste asiático “parece oportunista”. Para ele, os países devem, sistematicamente, começar a reprimir a prática, causando problemas para os Estados Unidos.

“Canadenses, americanos e europeus precisam perceber que é uma questão maior do que dizer não a uma sacola plástica no caixa. Isso requer uma revisão fundamental de nossa economia”, apontou.

 

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Fontes:
The Guardian-Huge rise in US plastic waste shipments to poor countries following China ban

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