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Explicando a crise climática no mundo

Ainda em dúvida sobre o quanto o planeta está esquentando e quanto é causado pelos seres humanos? Eis o que você precisa saber

Explicando a crise climática no mundo
Análises científicas mostram dados preocupantes para os próximos anos (Foto: Nasa)

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O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, colocou em dúvida a contribuição da ação humana nas mudanças climáticas, durante uma palestra dada nesta semana nos Estados Unidos.

Cientistas que estudam o fenômeno, no entanto, apontam não haver dúvidas em relação ao papel dos seres humanos no aquecimento global.

Não sabe ao certo como nos encontramos nessa crise climática? Ainda em cima do muro sobre o quanto o planeta está esquentando e quanto é causado pelos seres humanos? Eis o que você precisa saber:

Dióxido de carbono e efeito estufa

O dióxido de carbono é chamado de “gás de efeito estufa” devido à sua capacidade de capturar a radiação solar na atmosfera da Terra, como um cobertor, e aquecer o planeta – agindo da mesma maneira que uma estufa mantém as plantas quentes e em crescimento. Todo esse dióxido de carbono está aquecendo o planeta.

O CO2 existe naturalmente na atmosfera. Sem ele, o planeta seria muito frio para abrigar vida. Mas a atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis por energia, aumentou a presença do gás para níveis perigosos, aumentando a espessura desse cobertor a ponto da Terra estar esquentando. Antes da Revolução Industrial, os níveis flutuavam naturalmente por muitos milhares de anos, mas nunca haviam excedido 300 partes por milhão em nenhum momento nos últimos 800.000 anos.

Além dos níveis atuais serem mais altos do que em qualquer ponto da história humana, a taxa em que esses níveis aumentaram mostra que os seres humanos são a causa. Durante as variações naturais no passado distante, os níveis de dióxido de carbono levaram milhares de anos para mudar tanto quanto os humanos aumentaram os níveis em menos de um século.

O planeta está esquentando

Os cientistas medem as temperaturas em todo o mundo com confiabilidade desde 1850, e várias instituições acadêmicas e governamentais independentes – NOAA , Nasa, Agência Meteorológica, do Japão, a Met Office, do Reino Unido, entre outras – rastreiam esses dados para fornecer temperaturas médias globais.

As agências usam métodos diferentes e trabalham separadamente, mas todos esses conjuntos de dados nos dizem a mesma coisa: nosso planeta está esquentando e quase todo ano é mais quente do que os anos anteriores. Os últimos cinco anos foram os cinco anos mais quentes desde 1850, e 18 dos 19 anos mais quentes ocorreram após 2001. A tendência de aquecimento aumentou rapidamente desde a década de 1970.

A temperatura média global aumentou cerca de 2 graus Fahrenheit, ou um pouco mais de 1 grau Celsius, desde a década de 1880. Isso nos leva mais perto do limite de aquecimento de 1,5 graus Celsius, estabelecido no Acordo de Paris. Os seres humanos prosperaram a uma temperatura global consistente que agora está mudando. Pense na temperatura do seu corpo: quando você tem febre, isso significa que algo não está certo.

O gelo polar está derretendo

O gelo está desaparecendo dos dois pólos a uma taxa crescente. A mudança climática está ocorrendo mais rapidamente nas regiões polares da Terra, onde as temperaturas estão subindo mais do que o dobro da velocidade do planeta como um todo. Isso está causando grandes mudanças na paisagem polar – ou seja, o derretimento do gelo nos oceanos (gelo do mar) e nas camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica.

A cada década, há cerca de 13% menos cobertura de gelo no mundo. O volume de gelo marinho é menos da metade do que era há 20 anos. O impacto da falta de gelo está se mostrando em lugares como o Alasca, onde a falta de gelo está levando à morte de peixes e animais e inundações costeiras.

Segundo a Nasa, a Groenlândia está perdendo cerca de 286 bilhões de toneladas de volume de gelo por ano, enquanto a Antártida perde cerca de 127 bilhões de toneladas de gelo. Ambas as camadas de gelo mostraram taxas crescentes de perda de gelo na última década. Segundo os cientistas, o verão de 2019 deve estabelecer o recorde de maior derretimento de gelo já registrado na Groenlândia.

O nível do mar está subindo

O impacto mais amplo das mudanças climáticas é o aumento do nível do mar em todo o mundo. Uma combinação de derretimento de camadas de gelo, geleiras e expansão da água à medida que aquece fez com que o nível médio global do mar subisse mais de 20 cm desde 1900, com quase metade desse aumento ocorrendo nos últimos 25 anos. 

As projeções mostram que os oceanos subirão, em média, de 1 a 4 pés (0,3m a 1,2m) em todo o mundo até 2100, o que deixaria de 30 milhões a 60 milhões de pessoas em todo o mundo expostas a inundações, supondo que possamos manter o aquecimento global em 1,5 graus Celsius. Mas não precisamos esperar até 2100 para ver os impactos do aumento do nível do mar. As comunidades do sul da Flórida já estão inundando muitas vezes por ano durante a maré alta, todos os dias, e estão lutando com os custos para combater o fenômeno.

Os oceanos estão esquentando

Os oceanos do mundo estão esquentando a uma velocidade acelerada. O oceano é a “memória das mudanças climáticas” – cerca de 93% do desequilíbrio energético da Terra acaba no oceano. 

Os oceanos sofreram mudanças consistentes desde o final da década de 1950 e ficaram muito mais quentes desde a década de 1960, com 2018 sendo o ano mais quente já registrado, seguido por 2017 e 2015.

Um oceano mais quente traz consequências mortais. As águas mais quentes levam a um aumento das chuvas, levando a tempestades mais intensas e duradouras, furacões mais fortes, inundações costeiras perigosas e perda de gelo do mar.

Se os humanos não fizerem nada para mitigar as mudanças climáticas, o aquecimento na parte superior do oceano será seis vezes maior entre 2081 e 2100 do que o aquecimento total do oceano nos últimos 60 anos, estimam os pesquisadores.

A crise climática afeta sua saúde

A crise climática pode “interromper e reverter” os progressos realizados na área da saúde humana ao longo do século passado.

Temperaturas mais altas trazem mais doenças transmitidas por insetos e casos de malária, diarreia, estresse por calor, problemas cardíacos e desnutrição.

A escassez de alimentos pode se tornar um problema sério. Cerca de 1% das calorias presentes nos alimentos já foram perdidas na produção global devido ao aumento das temperaturas. Isso significa uma séria perda de calorias alimentares.

O aumento nos níveis de CO2 também teve um impacto negativo no valor nutricional de certas culturas, como o arroz, e a crise climática reduziu o rendimento das colheitas. Também afetou negativamente o desenvolvimento floral, o que significa que os polinizadores – abelhas e borboletas – que dependem do pólen são postos em risco pela crise climática.

Fontes:
CNN-The science behind the climate crisis

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

3 Opiniões

  1. Luiz Alberto Franco disse:

    É uma pena que esse tipo de informação não seja dada também sob a forma de gráficos, que permitem uma
    visão muito melhor das tendências.

  2. Élio J. B. Camargo disse:

    As energias renováveis na matriz energética mundial é de apenas 14%.(2016) No Brasil, 43,5%. Se o aquecimento é causado pelos seres humanos, basta fazer menos humanos causadores e a equação fecha. Aliás, a Terra nunca passou por tamanha praga em sua face. A política de filho único na China evitou aproximadamente meio bilhão (ou 2 brasis) de destruidores.

  3. Jorge Cardillo disse:

    Querem crucificar o Bolsonaro por suposto aumento de desmatamento e queimadas. Mas não olham seus próprios umbigos. Quero ver os americanos assinarem acordos de redução de gás carbônico. Quero ver se americanos e europeus param de dirigir automóveis com motor a combustão. Quero ver se algum país consegue pressionar a China. Queto ver ver se as pessoas param de viajar de avião que além do gás carbônico despejam sobras de combustíveis no ar.

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