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MEIO AMBIENTE

Gestão da água: o desafio do ‘fracking’

Empresas de petróleo e gás tentam solucionar um dos seus principais problemas: o que fazer com a água salobra produzida no 'fracking'?

Gestão da água: o desafio do ‘fracking’
As empresas ainda irão enfrentar grandes desafios regulatórios e ambientais (Foto: Max Pixel)

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Novas empresas, muitas delas financiadas por fundos de private equity, estão trabalhando em conjunto com empresas de petróleo e gás para solucionar um dos seus principais problemas: o que fazer com a água produzida na perfuração de poços.

No fraturamento hidráulico, conhecido como fracking, uma mistura de água, areia e produtos químicos é injetada no poço para extrair petróleo e gás do subsolo. Mas essa técnica produz um grande volume de água salobra. As perfurações na Bacia Permian, que se estende pelo Novo México e Texas, geram mais de mil piscinas olímpicas cheias de água salobra e turva todos os dias. O destino dado à água corresponde a 25% da despesa operacional de arrendamento de um poço, segundo analistas.

A Bacia Permian é rica em jazidas de petróleo e gás.  De acordo com previsões de analistas, a região pode produzir mais de 5 milhões de barris de petróleo por dia até 2023, um volume maior do que a atual produção diária do Irã.

Os fundos de private equity investiram mais de US$ 500 milhões em empresas especializadas no tratamento e reutilização da água produzida na extração de petróleo e gás, como a Solaris Water Midstream, a WaterBridge Resources LLC e a Oilfield Water Logistics.

Essas empresas estão construindo um sistema de canalização para transportar a água e injetá-la no subsolo. Esse sistema de dutos substituirá o atual transporte por caminhões. Algumas empresas têm um plano de longo prazo de reciclar a água e vendê-la às empresas de petróleo e gás para ser reutilizada.

“O cálculo é fácil”, disse Christopher Manning, sócio da Trilantic Capital Management LP, que investiu US$ 100 milhões na Solaris Water Midstream. “A produção de um milhão de barris de petróleo por dia na Bacia Permian terá como subproduto seis milhões de barris de água”.

Encontrar uma solução de longo prazo para o problema do volume de água é essencial para os produtores da Bacia Permian. Um poço de gás de xisto pode produzir mais de um milhão de barris de petróleo durante sua vida útil e um volume muito maior de água.

Segundo a empresa de consultoria Wood Mackenzie, em algumas áreas da Bacia Permian, os poços produzem dez vezes mais água do que petróleo. Na região de Delaware a proporção entre água e petróleo é de 5 para 1, disseram analistas.

Durante anos, as empresas de petróleo e gás usaram caminhões para transportar a água, mas com a crescente produção de gás de xisto o transporte por caminhões não é mais uma opção viável.

Nos arredores da cidade de Pecos, no Texas, a WaterBridge está construindo um sistema de canalização para transportar água de alguns dos maiores produtores da região, a Occidental Petroleum, a Concho Resources, a Anadarko Petroleum e a Noble Energy. A empresa tem planos de construir 125 km de dutos até o final deste ano, com a capacidade de transportar 600 mil barris por dia.

No entanto, apesar das perspectivas otimistas do tratamento e reutilização da água, as empresas irão enfrentar grandes desafios regulatórios e ambientais.

Ainda assim, os produtores estão assinando contratos de longo prazo com empresas como a WaterBridge. Isso é um sinal que é preciso encontrar uma solução para a gestão ambiental da água produzida na extração de petróleo, disse David Capobianco, cuja empresa Five Point Energy investiu US$ 200 milhões na WaterBridge. O transporte de água pelos dutos custará entre US$ 0,60 e US$ 1,50 por barril, em comparação com mais de US$ 2 por caminhão, acrescentou Capobianco.

A Apache Corp., um dos maiores produtores da Bacia Permian, quer reutilizar mais água para reduzir a quantidade de água doce que compra para o fraturamento hidráulico. A Apache reciclou mais de 22 milhões de barris de água de 2013 a 2016 em uma pequena área da Bacia Permian.

“A gestão ambiental da água é fundamental para o sucesso do setor de petróleo e gás. Beneficia as comunidades, não causa dano ao meio ambiente e proporciona uma administração mais eficaz dos recursos”, disse o porta-voz da Apache, Phil West.

Fontes:
The Wall Street Journal-The Next Big Bet in Fracking: Water

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