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POR CRIME DE DIFAMAÇÃO

Greenpeace vai ao STF contra Ricardo Salles

O Greenpeace informou que, em pelo menos três oportunidades, o ministro do Meio Ambiente praticou crime de difamação contra a organização

Greenpeace vai ao STF contra Ricardo Salles
Ativistas já foram chamados de terroristas e ecoterroristas por Salles (Foto: Christian Braga/Greenpeace)

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A ONG Greenpeace acionou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira, 30. O motivo seria os constantes ataques de Salles contra a organização, praticando crime de difamação.

O Greenpeace explicou, através de uma nota, que, em pelo menos três oportunidades, Salles fez graves acusações contra ativistas da entidade: chamando-os de terroristas, de ecoterroristas e tentando relacioná-los com o vazamento de óleo no litoral nordestino brasileiro.

“Vivemos um momento grave para o meio ambiente no Brasil. O derramamento de óleo que assola a costa do Nordeste faz vítima em todo o país. É inconcebível que, neste cenário de emergência social e ambiental, exatamente o ministro do Meio Ambiente tenha tempo e disposição para levantar falsas acusações nas redes sociais. Ao invés disso, o Sr. Ministro, assim como todo o governo, deveria concentrar esforços em prestar assistência à população atingida, além de promover a recuperação dos gravíssimos danos ambientais”, explicou a ONG em nota reproduzida pelo portal Observatório do Clima.

Membros do poder Executivo acusam integrantes de ONGs de diferentes ações desde os primeiros dias do governo Bolsonaro. Insinuações do presidente Jair Bolsonaro de que ONGs poderiam estar por trás das queimadas na Amazônia também pioraram a relação entre as organizações e o governo. A relação entre Greenpeace e Salles, porém, alcançou um alto nível de tensão nesta segunda quinzena de outubro, durante a aparição das manchas de óleo no Nordeste.

“Infelizmente, ataques à terceiros por parte de integrantes do governo têm sido uma prática recorrente, como recentemente pudemos verificar nas insinuações de que ONGs e indígenas estariam vinculados às queimadas na Amazônia, ou ainda no episódio que resultou na demissão do pesquisador Ricardo Galvão da presidência do INPE, entre outras”, destacou o Greenpeace.

No último dia 21 de outubro, o ministro do Meio Ambiente usou as redes sociais para compartilhar um vídeo editado do Greenpeace, “cobrando” a suposta falta de ação da ONG no Nordeste. O Greenpeace, por sua vez, respondeu que voluntários da entidade estavam trabalhando na retirada do óleo nas praias nordestinas, contradizendo a versão de Salles.

Já no último dia 23 de outubro, Salles voltou a usar as redes sociais para classificar os ativistas do Greenpeace como “ecoterroristas”. A acusação do ministro ocorreu quando ativistas da entidade fizeram uma manifestação simulando o óleo nordestino em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília. Os manifestantes chegaram a ser detidos, mas foram liberados horas depois.

Por fim, no último dia 25 de outubro, a relação entre Greenpeace e Salles chegou ao seu auge. Isso porque o ministro do Meio Ambiente insinuou, sem provas, que a entidade estaria por trás do vazamento de óleo no litoral do Nordeste. Na época, a entidade já havia informado que tomaria as “medidas legais cabíveis”.

“Ministros de Estado devem apresentar postura pública à altura do cargo que ocupam. Acusações levianas e irresponsáveis, vindas de tais autoridades, constituem fato grave e não podem ser normalizadas. O processo que ora iniciamos contra o Sr. Ministro é também uma forma de repúdio por tais comportamentos”, destacou o Greenpeace na última quarta-feira.

A ONG, porém, não é a única buscando medidas legais contra Ricardo Salles. Parlamentares da Rede Sustentabilidade buscaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ministro do Meio Ambiente seja responsabilizado pela “omissão no dever de ação contra o vazamento do óleo no Nordeste”, segundo noticiou o Estadão. Ademais, os parlamentares também devem recorrer ao STF pelo impeachment de Ricardo Salles.

Leia mais: Manchas de óleo no Nordeste completam dois meses

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