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Inundações no Rio de Janeiro

As montanhas do Rio, de tão impressionantes, nos distraem da topografia da cidade como um todo. Quase nos esquecemos que o Rio é extremamente plano e que a quase totalidade da sua área urbanizada se localiza na planície. Esta planície quase perfeita necessita ser mais analisada e compreendida. Quais são suas características paisagísticas e ecológicas?  Quais as suas belezas?

Trechos desta planície são impossíveis de serem drenados nas grandes chuvas e são chamados planícies de inundação. Parte das planícies de inundação está urbanizada e é percebida nas tempestades de verão pelas enchentes que perturbam a vida da cidade. A maior parte dessas planícies, entretanto, ainda não foi urbanizada e, portanto não é percebida pela população.
 
Esta impossibilidade de drenagem é difícil de ser compreendida. Vamos tentar explicá-la com um exemplo: imaginemos uma mesa no meio da qual derramamos um líquido viscoso como o mel. Levará algum tempo para que o líquido derrame pelas bordas da mesa.

Antes e durante a derrama, o líquido terá uma espessura razoável. A mesa é a planície do Rio; o líquido, a água da chuva; a espessuras do líquido a inundação; e a borda da mesa, a linha do litoral.  Poderia se argumentar que a água não é viscosa e, portanto o exemplo não é valido. Entretanto a velocidade de escoamento da água na enorme planície do Rio quando representada no tamanho do tampo de uma mesa é em escala, semelhante à velocidade de um liquido viscoso. Em outras palavras, quando miniaturizamos a planície, temos também que diminuir a velocidade da água na miniatura, substituindo-a  por um líquido viscoso.

Agora é fácil de compreender as inundações, desde que não haja nenhum sistema de drenagem, como rios, canais, galerias, etc.

Vamos então voltar à nossa mesa e nela introduzir um sistema de drenagem. É bom lembrar que o nível do mar, na escala da mesa, está apenas a um milímetro abaixo da superfície de seu tampo. Qualquer sistema de drenagem equivalerá a fazermos ranhuras que, por mais largas que sejam, terão no máximo um  milímetro de profundidade. Intuitivamente percebemos que estas ranhuras pouco ou nada ajudariam a aumentar a velocidade do líquido viscoso.

Assim podemos compreender que, com qualquer sistema de drenagem, por maior que seja, não se resolvem as inundações.
Ao contrário do que usualmente se pensa os bueiros estarem ou não desentupidos é irrelevante. Na semana que vem vamos ver como se soluciona o problema das enchentes no Rio de Janeiro.

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8 Opiniões

  1. EDVALDOTAVARES disse:

    RIO, A BELEZA ALAGADA. Entre a Serra do Mar e o mar, serpenteia com graça e beleza uma faixa de terra do rebolado carioca. Nascido e criado no subúrbio Encantado do Rio acostumara ver os contornos graciosos elevados ao céu dos, outrora, formosos morros cariocas. Que maravilha! Um esbanjar de beleza emoldurada pela janela da minha casa. De causar inveja aos gringos dos Montes Alpinos. Quanta saudade da meninice! Enchentes, sempre houvera, mas, nada de chamar a atenção de um garoto interessado em “pelada” – jogo de bola no campinho – na chuva. O tempo rapidinho passou, interesses mudaram e, como universitário, tive de participar de ações de socorro aos desabrigados pelas enchentes. Indo mais longe, no trânsito da metrópole, passei a ver o meu querido Rio de Janeiro boiando. O centro da cidade alagado, o Canal do Mangue “vertendo água pelo ladrão”, a Rua Mariz e Barros e a Praça da Bandeira assemelhando-se a um “açude”. Igualmente a uma bela mulher curvilínea, “Tereza da Praia” – música de autoria de Billy Blanco/Tom Jobim, popularizada pela interpretação de Dick Farney e Lúcio Alves –, o Rio, de rara beleza, também oferece o perigo. O artigo de Flávio Ferreira deu importantes informações de uma situação carioca conhecida desde a infância e, ter presenciado inúmeras obras de construção de galerias para drenagens pluviais continuar molhando os pés nas ruas alagadas durante as chuvas de verão. BRASIL ACIMA DE TUDO! SELVA! EDVALDOTAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA/DF.

  2. Camilo Terras disse:

    Quer dizer que a culpa não é do prefeito? Vamos xingar São Pedro em vez…

  3. EDVALDOTAVARES disse:

    A INOCÊNCIA DE SÃO PEDRO. Sempre autorizou as águas rolarem, sem economia, antes da existência da cidade, quando os índios Tamoios eram o único dono do Ipaum Guaçu (Ilha Grande) que se estendia desde Cabo Frio, litoral norte, até quase Ubatuba, São Paulo, litoral sul. Acredito que além da pouca declividade do terreno do Rio de Janeiro, tenha contribuído para que haja calamitosas enchentes os desvios e canalizações de rios. O rio Carioca, desviado e canalizado nos séculos XVII e XVIII, durante a construção do Aqueduto da Carioca, deve estar reclamando por liberdade e, durante o verão, participa do protesto, extravasando o seu desapontamento. Como ele, outros rios, amantes da liberdade e do ar livre, contra a vontade, passaram a correr no interior de tubulões. Perderam o direito à espontaneidade do contato direto com a irregularidade dos contornos da terra e vegetações das margens e foram obrigados a seguir a regularidade imposta pelos paredões de concreto. Garantidos pela natureza, apoiados pela estação das chuvas, os rios cariocas, na bronca, resolveram transbordar. BRASIL ACIMA DE TUDO! SELVA! EDVALDOTAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA/DF.

  4. Zilá Beltrão disse:

    Que bom! Estava com saudades dos comentários do Edvaldo Tavares. Viva!

  5. MARKUT disse:

    Os dois comentários do Edvaldo Tavares, líricos e belos, parecem saudosos de um Rio de Janeiro, mais bucólico, com menos gente, com menos irracionalidade , no seu viver mais simples.
    Hoje, a metrópole se transforma num monstro, cada vez menos prazeroso, pela incompetência e voracidade miope dos seus
    governantes.
    De um ponto de vista mais técnico, é preciso lembrar que a o ocupação desenfreada dos morros tem uma grande responsabilidade nesse panorama diluvial, pela catastrófica supressão da camada vegetal superficial, que, naturalmente, se incumbe de regularizar essa avalanche de água que, evidentemente, reflete na planície.
    Essa indignidade de lesa natureza, está acontecendo , não só no Rio. Veja-se o exemplo mais recente, mas não único, de Santa Catarina.
    A verdade é que existem soluções de engenharia para minorar esses problemas, mas o que falta, em todos os casos, é o apetite político necessário , muito mais voltado para demagogias que dão mais visibilidade para outros "negócios", mais convenientes.

  6. heloisa disse:

    Se a natureza do Rio é tão bonita e a cidade tão amada, a "administração" e as "soluções" são feias,imediatistas e inconsistentes. Vamos esperar ler o próximo caítulo ver se a solução apresentada se boa vai ter bom fim.

  7. rosalia disse:

    Tomara que os políticos ouçam os bons conselhos. Aguardamos ansiosos a sequência do Flavio.

  8. Bruno disse:

    Esse é mais um problema que a cidade "maravilhosa" que não tem nada de maravilhosa, enfrenta. Guerrilha urbana, tráfico de drogas, corrupção, crimes bárbaros, recorde de assaltos a turistas, pedofilia… e agora também a questão das inundações.
    Eta! Rio de Janeiro que é podre!!!

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