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Japão quer permitir caça de baleias

O argumento é que as populações de algumas espécies se recuperam rápido o suficiente, permitindo a caça sustentável

Japão quer permitir caça de baleias
Votação deve ocorrer ao longo da semana durante um evento da CBI (Foto: PxHere)

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O Japão pode estar caminhando para acabar com a proibição da atividade baleeira comercial. O argumento é que as populações de algumas espécies se recuperam rápido o suficiente, permitindo a caça sustentável de baleias.

Em uma reunião da Comissão Baleeira Internacional (CBI), em Florianópolis (SC), que acontece desde o início desta semana, representantes da delegação japonesa argumentaram contra a medida da CBI de 1986, que proibia temporariamente a caça de baleias comercial para administrar o uso sustentável de estoques globais.

“A ciência é clara: há certas espécies de baleias cuja população é saudável o suficiente para ser colhida de forma sustentável. […] O Japão propõe estabelecer um comitê dedicado à caça sustentável de baleias (incluindo a caça comercial e a caça visando a subsistência aborígene)”, destaca a proposta japonesa, chamada de Way Forward.

A comissão japonesa apresentou propostas para acabar com os anos de “intolerância” e “confronto” entre países favoráveis e contrários à atividade baleeira. Sua posição favorável à caça de baleias afetou as relações do Japão com nações como Austrália e Nova Zelândia, que são contrárias à atividade.

A senadora Anne Ruston, ministra assistente do desenvolvimento internacional e do Pacífico da Austrália, foi a representante australiana na reunião da CBI. No evento, Ruston disse que o povo australiano não acredita “que a caça às baleias é algo que deveríamos estar empreendendo no século XXI”.

“O argumento que apresentamos da Austrália é que não queremos ver nenhuma baleia morta, quer sejam mortas por causa da caça comercial ou se é a chamada caça científica”, explicou.

O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, se portou da mesma maneira que a sua colega australiana, afirmando que “não é hora de recuar”, destacando que o país continua apoiando a medida de 1986. “Queremos ver os esforços da Comissão na conservação da baleia fortalecidos, não enfraquecidos”.

Mesmo com a medida de 1986, uma cláusula permite que o Japão conduza “pesquisas” e cace baleias anualmente, vendendo a carne no mercado, mesmo que o consumo tenha diminuído nos últimos anos. No início do ano, os japoneses tiveram que lidar com duras críticas por terem matado 122 baleias grávidas durante a expedição anual de pesquisas no Oceano Antártico.

Em 2014, a CBI chegou a suspender a caça no Oceano Antártico, concluindo que a atividade não era para pesquisa científica, conforme argumentavam os japoneses. No entanto, dois anos mais tarde, em 2016, o Japão conseguiu retomar a atividade, adotando uma redução em sua cota de capturas.

Na reunião deste ano, não se acredita que o Japão vai conseguir somar votos necessários para retomar a atividade integralmente. No entanto, entidades pró-baleais alertam contra a complacência de algumas nações. “Os países membros devem se unir e impulsionar o progresso em direção à proteção das baleias, e não permitir que essa comissão seja puxada para a era passada da caça comercial de baleias”, destacou Patrick Ramage, diretor de programas marinhos do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal.

Ainda não se sabe quando vai ocorrer a votação sobre a atividade baleeira. O evento da CBI termina na próxima sexta-feira, 14. No ano passado, o Japão conseguiu estender uma votação para o último dia de evento para frustrar medidas que visavam proteger outras espécies marinhas.

Fontes:
The Guardian-Japan launches bid to end ban on commercial whaling
Uol-As justificativas do Japão para liberar a caça de baleias após 30 anos de proibição

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